Na noite de sexta‑feira, 23 de outubro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro participaram do segundo debate transmitido pela TV Globo, marcando o último confronto direto antes da votação presidencial no domingo, 25 de outubro.
O evento, realizado no Estúdio de Notícias da Globo em São Paulo, reuniu os candidatos ao segundo turno para discutir temas críticos como políticas sociais, dívida pública e o Sistema Único de Saúde.
Políticas sociais e a licença‑maternidade
Lula iniciou o bloco questionando Flávio sobre a sua votação contrária à ampliação da licença‑maternidade para 180 dias quando ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro.
O senador explicou que acreditava que a medida poderia dificultar a contratação de mulheres, mas reconheceu o erro ao afirmar que, após casar e ter duas filhas, entende a importância de a mãe permanecer ao lado do filho por um período mais longo.
Ele declarou: “Eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca eu sei da importância de a mãe estar perto do filho por até mais de 180 dias, se possível”.
Lula aproveitou a oportunidade para ligar a mudança de postura de Flávio à disputa pelo voto feminino, ressaltando que o senador não votou quando tinha poder de decisão.
Além disso, o presidente cobrou explicações sobre a expressão “bolsa‑farelo”, que Flávio já utilizou para criticar o Bolsa Família.
Para contextualizar o debate, segue a lista dos principais pontos abordados sobre políticas sociais:
- Ampliação da licença‑maternidade para 180 dias;
- Impacto da medida na empregabilidade feminina;
- Critérios de elegibilidade do Bolsa Família;
- Estratégias para conquistar o voto das mulheres.
Esses tópicos mostraram a complexidade de conciliar direitos trabalhistas com a necessidade de estimular a economia formal.
Flávio, ao reconhecer seu equívoco, pediu desculpas ao presidente, mas também redirecionou a conversa para a situação dos moradores de rua, questionando se Lula pretendia pedir desculpas a esse segmento da população.
Conflitos de linguagem e pedidos de desculpas
O embate verbal ganhou força quando Lula recordou a frase “nove dedos” usada por Flávio no primeiro bloco, acusando o senador de desrespeito ao seu histórico de trabalho.
O presidente relatou que perdeu um dedo aos 17 anos, enquanto trabalhava à noite, e classificou Flávio como “miliciano”, reforçando a gravidade da ofensa.
Flávio respondeu rapidamente, pedindo desculpas sinceras e afirmando que não tinha a intenção de ofender.
Ele declarou: “Se eu te ofendi porque te chamei de nove dedos, eu peço desculpa, de verdade. Não queria te ofender”.
Apesar de ter direito de resposta por ter sido chamado de “miliciano”, Flávio optou por não rebater a acusação, preferindo focar em questões de causa animal e na ampliação da Lei Sansão.
A Lei Sansão, já rígida contra maus‑tratos a cães e gatos, foi defendida pelo senador para incluir também animais silvestres, demonstrando uma tentativa de ampliar o escopo da proteção animal no país.
Lula, por sua vez, utilizou seu tempo de resposta para enfatizar que ainda há muito a ser feito no Brasil, lembrando que o país demorou mais de 400 anos para criar sua primeira universidade.
Esse discurso reforçou a mensagem de que o desenvolvimento educacional ainda é um desafio central para o governo.
Dívida pública, juros e propostas econômicas
Flávio assumiu a condução do debate ao escolher o tema da dívida pública, atribuindo os juros elevados e a inflação ao gasto excessivo do governo.
Ele propôs renegociar dívidas através da Caixa Econômica Federal, sugerindo suspender os pagamentos por seis meses para pessoas físicas e por um ano para pessoas jurídicas.
Lula contestou a proposta, afirmando que já havia apresentado iniciativa semelhante no Senado, que prevê descontos de até 95% nas dívidas.
O presidente destacou que a estratégia de renegociação é parte de um plano maior para aliviar o endividamento das famílias brasileiras.
Além disso, Lula defendeu a importância do crescimento econômico como caminho para reduzir a dívida pública em relação ao PIB, enfatizando políticas de investimento em infraestrutura e inovação.
Um ponto de tensão foi a discussão sobre a independência do Banco Central, que Flávio defende como proteção contra interferências políticas, enquanto Lula alerta para a necessidade de um controle mais efetivo da política monetária.
Os principais argumentos econômicos foram resumidos na lista a seguir:
- Renegociação de dívidas via Caixa Econômica Federal;
- Suspensão temporária de pagamentos para contribuintes;
- Descontos de até 95% em dívidas públicas;
- Defesa da independência do Banco Central;
- Foco em crescimento econômico para reduzir dívida/PIB.
Essas propostas revelam diferenças fundamentais na abordagem fiscal entre os dois candidatos.
Enquanto Flávio enfatiza medidas de alívio imediato, Lula busca uma combinação de alívio e estímulo ao crescimento de longo prazo.
Saúde pública e o futuro do SUS
O último bloco trouxe à tona a questão do Sistema Único de Saúde, com Lula questionando Flávio sobre como pretende melhorar o SUS diante de possíveis cortes de gastos.
Flávio respondeu que pretende manter o SUS, mas que é necessário otimizar recursos e combater fraudes que, segundo ele, drenam parte do orçamento.
Lula, por sua vez, apontou que a saúde pública requer investimentos contínuos, reforçando a necessidade de ampliar a rede de atenção básica e garantir medicamentos essenciais.
Ele também destacou que a pandemia evidenciou fragilidades estruturais que precisam ser corrigidas para evitar novos colapsos.
Durante o debate, Lula mencionou ainda a importância de integrar a saúde mental ao SUS, um tema que tem ganhado atenção nos últimos anos.
Flávio, ao ser questionado sobre a integração, prometeu criar programas de prevenção que envolvam escolas e comunidades, visando reduzir a demanda por atendimentos emergenciais.
Ambos os candidatos concordaram que a qualidade do atendimento hospitalar deve ser aprimorada, mas divergiram quanto à forma de financiar essas melhorias.
O presidente propôs a criação de um fundo de saúde alimentado por impostos sobre grandes fortunas, enquanto Flávio sugeriu parcerias público‑privadas para acelerar a modernização dos hospitais.
Essas discussões encerraram o debate, deixando o eleitorado com um panorama detalhado das propostas de cada candidato para a saúde pública.








