Na noite de sexta-feira, 23 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram do último debate televisivo antes do segundo turno da eleição presidencial, realizado pela TV Globo. O encontro ocorreu em São Paulo e marcou o último confronto direto entre os candidatos antes da votação marcada para domingo, 25 de outubro.
Acusações sobre a ilha de Richarlison
Lula iniciou sua fala questionando Flávio sobre a disputa envolvendo o jogador de futebol Richarlison Andrade e uma propriedade situada em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. Segundo o petista, o advogado Willer Tomaz, aliado de Flávio, teria conseguido a titularidade da ilha em apenas sete dias, enquanto o atleta ainda aguardava a regularização do bem.
Flávio respondeu que não há irregularidade alguma e que o caso já foi analisado pela Justiça, com decisão final favorável ao seu cliente. Ele enfatizou que Willer Tomaz é seu amigo, mas descartou qualquer relação de sociedade ou parceria comercial.
Em seguida, o senador direcionou a palavra ao próprio Richarlison, alegando que o jogador teria sido enganado durante a negociação da compra. A troca de acusações ampliou o clima de tensão no bloco de tema livre.
Conflitos envolvendo a segurança pública e a PEC
Ao mudar de assunto, Flávio Bolsonaro atacou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança, apresentada pelo governo atual. O senador questionou a suposta “raiva” de Lula contra as forças policiais, insinuando que o presidente estaria tentando enfraquecer a segurança pública.
Lula rebateu a provocação e voltou a exigir esclarecimentos sobre a relação entre Willer Tomaz e Flávio no caso da ilha. O senador, porém, reafirmou que não possui vínculo direto com a negociação e tentou desviar o foco para outra polêmica.
Ele acusou o presidente de ter recebido uma garrafa de uísque avaliada em R$ 500 mil, supostamente presente de Daniel Vorcaro, ex‑banqueiro do Banco Master atualmente preso. Lula respondeu que Flávio e Vorcaro “parecem uma coisa só”, reforçando a narrativa de corrupção.
O caso Vorcaro e as alegações de corrupção
Lula então trouxe à tona a votação de Flávio, quando ainda era deputado estadual, sobre a proposta que retiraria a identificação das balas. O presidente acusou o senador de ter apoiado medida que facilitaria crimes, embora Flávio tenha alegado que a proposta nunca foi aprovada.
Em outra sequência, Lula recordou um episódio de 2020, quando Flávio participou de um passeio com representantes da vacina indiana Covaxin durante a pandemia de Covid‑19. O presidente afirmou que a negociação não resultou em entrega de doses, conforme reportagem da revista Piauí.
- Acusação de vínculo com Daniel Vorcaro
- Suposta garrafa de uísque de R$ 500 mil
- Votação sobre identificação de balas
- Negociação frustrada da vacina Covaxin
Flávio respondeu que Vorcaro apenas investiu no filme “Dark Horse”, biografia cinematográfica de Jair Bolsonaro, e que não houve uso de recursos públicos. O senador ainda citou um relatório da Polícia Federal que, segundo ele, exoneraria qualquer irregularidade.
Lula, porém, manteve a acusação, dizendo que Vorcaro criou um “banqueiro” para financiar esquemas ilícitos e que ele próprio já havia tomado medidas judiciais contra o empresário.
Considerações finais e panorama para o segundo turno
Ao encerrar o debate, Lula alertou que o Brasil corre o risco de ter um “miliciano” governando o país, reforçando a importância da democracia e da escolha popular. O presidente destacou que a continuidade do projeto de governo depende da vitória nas urnas.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, focou no custo de vida dos brasileiros, perguntando se a vida das famílias melhorou nos últimos quatro anos. O candidato criticou a falta de ação do governo anterior e pediu reflexão ao eleitorado.
Ambos os candidatos reiteraram seus principais pontos de campanha, preparando o eleitor para a decisão que será tomada no domingo. O debate, marcado por interrupções e troca de acusações, serviu como um termômetro das tensões que permeiam a disputa presidencial.
Com a votação se aproximando, analistas políticos apontam que o desempenho dos candidatos no último debate pode influenciar indecisos, especialmente em estados-chave como Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A cobertura da imprensa continuará focada nas repercussões das declarações feitas durante o quarto bloco, que ficou livre de moderação de tempo.








