Na manhã da última terça‑feira, a Guarda Civil Municipal de Guarulhos realizou um resgate de dezenove aves silvestres, atuando em três bairros da cidade. A ação ocorreu em Guarulhos, SP, e envolveu tanto a retirada de animais mantidos em cativeiro irregular quanto o socorro a aves feridas em áreas verdes.
Fiscalização que culminou no flagrante de cativeiro
Durante patrulhamento preventivo da Inspetoria Ambiental, agentes percorreram a avenida Benilde Martinês Quintas, no bairro Água Azul. O objetivo era observar indícios de infrações ambientais e garantir o bem‑estar da fauna local.
Ao chegar a uma residência, os policiais encontraram diversas gaiolas expostas ao ar livre, sem qualquer documentação oficial. A falta de anilhas de identificação e as condições sanitárias precárias foram sinais claros de irregularidade.
Os oficiais abriram as gaiolas e constataram que dezesseis aves estavam sendo mantidas em cativeiro sem autorização. Todas apresentavam sinais de estresse, como penas arrepiadas e comportamento agitado.
- Coleirinhas – 3 unidades
- Bigodinhos – 2 unidades
- Canários‑da‑terra – 2 unidades
- Canários‑do‑reino – 6 unidades
- Pintassilgo – 1 unidade
- Picharro – 1 unidade
- Papa‑capim – 1 unidade
O caso foi imediatamente encaminhado à Delegacia de Investigações sobre Crimes contra o Meio Ambiente (Dicma). De acordo com o artigo 29 da Lei Federal nº 9.605/1998, a manutenção de aves silvestres em cativeiro sem autorização constitui crime ambiental.
Socorro a aves feridas em áreas de lazer
Na mesma manhã, equipes da GCM Ambiental identificaram mais três animais em situação de risco. Dois pica‑paus foram encontrados no Parque Cecap, enquanto uma coruja‑do‑mato apresentava ferimentos nas asas no Gopoúva.
Os três animais estavam debilitados, com penas danificadas e dificuldades para voar. A equipe de resgate providenciou contenção segura e transporte imediato para avaliação veterinária.
Assim como as aves do cativeiro, os pica‑paus e a coruja foram levados ao Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras‑SP), onde receberão cuidados especializados e exames de saúde.
Destinos e perspectivas de reabilitação
Todos os dezesseis animais retirados do cativeiro foram encaminhados ao Cetras‑SP. Lá, biólogos e veterinários farão avaliação detalhada, tratamento de possíveis doenças e planejamento de reabilitação.
O retorno à natureza dependerá da recuperação de cada espécie. Algumas aves podem ser soltas em áreas de proteção, enquanto outras que apresentarem sequelas poderão ser mantidas em cativeiro de longo prazo para fins de conservação.
Os três animais feridos também seguem o mesmo protocolo de triagem. A coruja‑do‑mato, espécie emblemática da fauna brasileira, receberá atenção especial, pois sua recuperação pode contribuir para programas de monitoramento de predadores nativos.
Essas intervenções fazem parte da estratégia da GCM Ambiental de combater crimes contra a fauna e promover a conservação da biodiversidade em Guarulhos. A secretaria municipal tem intensificado patrulhas, campanhas de conscientização e parcerias com ONGs para prevenir novos casos.
Além das ações de campo, a Guarda Civil Municipal tem investido em treinamento de seus agentes, capacitando-os a reconhecer sinais de maus‑tratos e a aplicar a legislação ambiental de forma eficaz.
O público também foi convidado a denunciar suspeitas de tráfico ou manutenção ilegal de animais silvestres. A colaboração da comunidade é vista como peça fundamental para ampliar o alcance das fiscalizações.
Com o sucesso da operação, autoridades municipais reforçam o compromisso de proteger a fauna local e punir infrações ambientais. O caso serve de alerta para quem ainda mantém animais silvestres em casa sem a devida permissão.
Em resumo, a ação conjunta da GCM, da Dicma e do Cetras‑SP demonstra que a união entre poder público, especialistas e sociedade civil pode gerar resultados concretos na defesa da vida selvagem.








