Na noite de 23 de outubro, após participar do debate promovido pela TV Globo, o candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, anunciou que pretende zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2029. A declaração foi feita ao lado da jornalista Renata Lo Prete, nos estúdios da emissora, local onde o confronto direto com Luiz Inácio Lula da Silva ocorreu. O senador também exigiu que órgãos como Ibama e ICMBio operem sem interferências ideológicas.
Compromisso com o fim do desmatamento ilegal
Flávio Bolsonaro afirmou que o combate ao desmatamento será prioridade absoluta de seu governo. Ele explicou que, para alcançar a meta de zero desmatamento até 2029, serão adotadas medidas de fiscalização mais rígidas e o uso de tecnologia de monitoramento via satélite. Segundo o candidato, a iniciativa contará com a participação das Forças Armadas, que teriam papel de apoio logístico nas áreas de difícil acesso.
Além da presença militar, o plano inclui a criação de um fundo nacional de preservação, destinado a financiar projetos de reflorestamento e de apoio a comunidades tradicionais. O senador destacou que o fundo será alimentado por recursos provenientes de multas ambientais e de parcerias público‑privadas.
- Fiscalização intensificada com drones e satélites;
- Integração das Forças Armadas nas áreas de risco;
- Fundo nacional de preservação financiado por multas;
- Incentivo a projetos de reflorestamento comunitário.
O candidato ainda garantiu que a política será acompanhada por relatórios trimestrais publicados em portal de transparência, permitindo que a sociedade civil verifique o progresso das metas estabelecidas.
Visão sobre os órgãos ambientais
Quando questionado sobre a atuação do Ibama e do ICMBio, Flávio Bolsonaro criticou a eficácia dos órgãos, alegando que “não estão sendo efetivos”. Ele propôs a reestruturação dessas instituições, eliminando o que chamou de “travas ideológicas” que, segundo ele, impedem decisões técnicas.
A proposta inclui a revisão dos processos de nomeação de dirigentes, priorizando a meritocracia e a experiência em gestão ambiental. O senador também sugeriu a criação de um conselho técnico independente, composto por especialistas em biologia, geografia e direito ambiental, que teria a função de validar as principais decisões estratégicas.
Para garantir a autonomia dos órgãos, Flávio propõe a implementação de um orçamento blindado, que não poderia ser reduzido sem aprovação do conselho técnico. Dessa forma, ele afirma que evitará interferências políticas que, em sua visão, comprometem a eficácia das ações de proteção.
Debate e confrontos com Lula
O debate, dividido em quatro blocos temáticos, abordou questões como salário mínimo, aposentadoria, endividamento da população, investimentos no SUS, saneamento básico, infraestrutura e exportações. Flávio Bolsonaro e Lula trocaram críticas duras, com o senador chamando o presidente de “nove dedos” e questionando quem realmente governa o país – o presidente ou o Google.
Lula, por sua vez, respondeu acusando Flávio de “miliciano” e de ter “lambido o Trump” durante a imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O clima acirrado marcou o último confronto direto entre os candidatos antes da votação prevista para o domingo, 25 de outubro.
Apesar das divergências, ambos os candidatos concordaram que a proteção ambiental é um tema central para o futuro do país. No entanto, enquanto Lula defende a continuidade das políticas de preservação já em vigor, Flávio aposta em uma abordagem mais agressiva, combinando tecnologia, força militar e a suposta neutralização de influências ideológicas.
O público e os analistas políticos apontam que o discurso de Flávio pode atrair eleitores preocupados com a segurança alimentar e a preservação da Amazônia, ao mesmo tempo em que gera dúvidas sobre a real autonomia dos órgãos ambientais. A expectativa agora se volta para a votação, que decidirá se a proposta de “zerar o desmatamento” será colocada em prática ou se o país seguirá a linha de continuidade defendida pelo atual presidente.








