A Anvisa emitiu um alerta nesta quarta‑feira, 21 de setembro, sobre a comercialização da ashwagandha, planta indiana que se tornou febre no TikTok. O órgão informou que o suplemento não possui registro no Brasil e que sua fabricação, distribuição e uso são proibidos. O comunicado foi motivado por um caso grave envolvendo uma britânica que desenvolveu falência hepática, paradas cardíacas e danos cerebrais após consumir o produto.
O que motivou o alerta da Anvisa
A agência recebeu relatos de eventos adversos que foram amplamente divulgados nas redes sociais. A gravidade do caso internacional, somada ao aumento exponencial de vendas de suplementos não registrados, levou a Anvisa a agir rapidamente. Em seu comunicado oficial, a autoridade sanitária reforçou que a ashwagandha não integra a lista de ingredientes autorizados para suplementos alimentares no país.
Além do caso específico, a Anvisa tem monitorado um crescimento de produtos que prometem curas milagrosas sem comprovação científica. Desde 2018, a normativa para suplementos alimentares exige registro, lista de ingredientes permitidos e proíbe alegações de tratamento ou prevenção de doenças. A violação dessas regras pode acarretar sanções administrativas e apreensão de lotes.
Como a ashwagandha se popularizou nas redes sociais
Nos últimos dois anos, a raiz de Withania somnifera ganhou destaque em vídeos curtos do TikTok. Influenciadores apresentavam o suplemento como solução natural para estresse, insônia e sintomas da perimenopausa, usando linguagem simples e depoimentos pessoais. Essa estratégia gerou milhares de visualizações e impulsionou a demanda entre jovens adultos que buscam bem‑estar rápido.
O algoritmo da plataforma favorece conteúdos que prometem resultados rápidos, o que fez com que hashtags como #ashwagandha e #stressrelief se tornassem tendências globais. Contudo, a popularidade online não garante segurança ou eficácia. Muitos usuários compram o produto de vendedores internacionais, sem saber que ele pode conter concentrações diferentes daquelas estudadas em pesquisas científicas.
Riscos associados ao consumo não regulamentado
Embora a planta seja tradicional na medicina ayurvédica, seu uso em altas doses pode desencadear efeitos colaterais graves. A Anvisa alerta que a ausência de controle de qualidade aumenta o risco de contaminação por metais pesados, pesticidas ou substâncias não declaradas. Os principais riscos relatados incluem:
- Comprometimento da função hepática, levando à hepatite ou falência hepática;
- Alterações no ritmo cardíaco, como arritmias e, em casos extremos, parada cardíaca;
- Impactos neurológicos, incluindo confusão mental, convulsões e danos cerebrais;
- Interações adversas com medicamentos prescritos, especialmente anticoagulantes e antidepressivos.
Além desses efeitos, a ashwagandha pode agravar condições hormonais, como hipotireoidismo, e causar alterações no humor, como ansiedade ou depressão. Por isso, a agência enfatiza que “é terminantemente proibido vincular o uso desses produtos a alegações de cura, tratamento ou prevenção de doenças”.
Orientações da Anvisa para consumidores
Para quem já adquiriu o suplemento ou pensa em iniciar o uso, a Anvisa recomenda cautela e verificação rigorosa das informações do rótulo. A agência disponibiliza uma página dedicada a suplementos alimentares, onde é possível consultar a lista de ingredientes autorizados e entender as exigências de rotulagem.
As principais dicas da Anvisa são:
- Verifique se o produto possui registro na Anvisa antes da compra;
- Desconfie de promessas de “cura” ou “prevenção” de doenças;
- Consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplemento, especialmente se houver uso de medicamentos;
- Evite adquirir produtos de sites internacionais que não fornecem laudos de qualidade;
- Observe a presença de advertências sobre possíveis efeitos colaterais no rótulo.
Seguindo essas orientações, o consumidor reduz o risco de sofrer danos à saúde e contribui para um mercado mais transparente. A Anvisa continuará monitorando a situação e reforçando a necessidade de cumprimento das normas sanitárias.








