A surpreendente entrada da esquerda na disputa digital marcou a segunda rodada das eleições presidenciais de 2026, realizada em todo o Brasil, três dias antes do segundo turno. O cientista político Elias Tavares analisou ao vivo, no programa VEJA em Foco, como a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva passou a dominar as plataformas digitais. O cenário evidencia uma mudança de paradigma para o campo progressista, que antes enfrentava dificuldades de engajamento online.
A análise de Elias Tavares sobre a mobilização digital
Tavares destacou que a campanha de Lula conseguiu criar um verdadeiro exército virtual, reunindo milhões de apoiadores em grupos de WhatsApp, Telegram e redes sociais. Segundo a apresentadora Marcela Rahal, o “Exército do Lula” contava com mais de 7 milhões de participantes, enquanto a “Tropa do Flávio” reunia cerca de 2 milhões. Esses números revelam a capacidade de organização que a esquerda desenvolveu em poucos meses.
O especialista enfatizou que a estratégia petista se baseou em conteúdo audiovisual de alta qualidade, transmissões ao vivo frequentes e a presença constante de lideranças regionais. Ele apontou ainda a participação do deputado André Janones como elemento central para atrair eleitores de áreas rurais e periféricas, ampliando o alcance da mensagem.
Entretanto, Tavares alertou que a simples quantidade de seguidores não garante conversão em votos. Ele comparou as transmissões simultâneas de Lula e Flávio a “pescar no aquário”, ou seja, falar principalmente com quem já está dentro da base.
Comparativo entre as estratégias digitais da esquerda e da direita
A direita, representada por Flávio Bolsonaro, já utilizava as redes sociais de forma consolidada desde as eleições de 2018. Seu time de comunicação digital investiu em anúncios segmentados, influenciadores e memes, criando uma presença constante nas timelines dos eleitores.
Já a esquerda, historicamente mais dependente de mídia tradicional, teve que acelerar seu aprendizado. A campanha de Lula adotou técnicas de marketing político avançado, como análise de dados de engajamento, microsegmentação de público e produção de conteúdo viral.
- Direita: uso prolongado de plataformas, foco em jovens e eleitores de classe média alta.
- Esquerda: adoção tardia, mas intensiva, de estratégias de inbound marketing e storytelling político.
- Resultado: aumento de 250% no número de visualizações das lives de Lula em comparação ao primeiro turno.
O especialista ressaltou que, embora a esquerda tenha avançado, ainda depende de uma base já mobilizada. Já a direita continua explorando nichos ainda não alcançados, como eleitores de áreas rurais que ainda não se identificam com nenhum dos candidatos.
O papel das transmissões ao vivo e o desafio dos eleitores indecisos
As lives realizadas simultaneamente por Lula e Flávio foram analisadas como um teste de força digital. Cada candidato buscou atrair a atenção de espectadores por meio de debates, entrevistas e chamadas para ação.
Tavares observou que, apesar do alto número de visualizações, a maioria do público já possuía uma preferência definida. Ele explicou que as transmissões tendem a reforçar a lealdade da base, mas falham em convencer os indecisos, que representam um segmento crucial nas urnas.
Dados da pesquisa Quaest, citados por Marcela Rahal, mostraram que o percentual de eleitores indecisos subiu de 7% para 14% nas vésperas do segundo turno. Esse aumento desafia ambas as campanhas a repensarem suas estratégias de comunicação.
Para alcançar esses eleitores, Tavares sugeriu a criação de conteúdo mais educativo, focado em propostas de governo e menos em ataques pessoais. Ele acredita que a mensagem deve sair do “aquário” para o “oceano” do eleitorado não convencido.
Perspectivas para o resultado da eleição
Com base nas análises, o cientista político concluiu que a disputa está equilibrada, mas que o voto dos indecisos pode ser o fator decisivo. Ele enfatizou que a campanha que melhor conseguir dialogar com esse público terá vantagem nas urnas.
A mobilização das bases continuará sendo essencial para garantir comparecimento nas seções, mas não será suficiente para garantir a vitória. Tavares recomenda que ambas as equipes invistam em mensagens de política pública, mostrando claramente como cada proposta pode melhorar a vida dos eleitores.
Além disso, o especialista alerta para o risco de saturação de conteúdo nas redes sociais. Ele recomenda a diversificação de formatos – podcasts, newsletters e micro‑vídeos – para alcançar diferentes perfis de eleitores.
Em suma, a grande surpresa da eleição de 2026 foi a rápida adaptação da esquerda ao ambiente digital. Contudo, o verdadeiro teste será a capacidade de converter engajamento em votos efetivos, especialmente entre aqueles que ainda não decidiram seu candidato.








