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Parlamento da Albânia mergulha em caos: briga entre deputados e protestos nas ruas

Na tarde da quinta‑feira, 22 de outubro de 2026, a sessão plenária do Parlamento albanês se transformou em um confronto físico entre deputados governistas e opositores, culminando em tapas, empurrões e gritos. O episódio ocorreu em Tirana, capital do país, em meio a uma onda de protestos que há mais de uma semana ocupa as ruas exigindo mudanças na educação e na política de desenvolvimento urbano.

Contexto dos protestos em Tirana

Desde o início de outubro, estudantes universitários e do ensino médio têm bloqueado avenidas, ocupando praças e exigindo mais recursos para as escolas públicas. Eles reivindicam a renúncia do primeiro‑ministro Edi Rama, que está no poder há 13 anos, e denunciam o que chamam de “revolução dos flamingos”, um movimento que critica empreendimentos imobiliários de luxo que, segundo eles, ameaçam a fauna local e favorecem investidores estrangeiros.

A mobilização estudantil ganhou força ao se inspirar nas manifestações que ocorreram na França, onde o sentimento de indignação contra políticas de austeridade se espalhou pela Europa. Na Albânia, o movimento tem sido marcado por atos de desobediência civil, como ocupações de escolas, bloqueios de vias e, em alguns casos, confrontos violentos com a polícia.

Escalada da violência nas ruas

Nos últimos dias, os protestos passaram de manifestações pacíficas para confrontos armados. No fim de semana anterior, grupos radicais associados ao movimento dos flamingos lançaram coquetéis molotov contra o Tribunal de Apelações e o Ministério da Educação, incendiando parte das estruturas e provocando incêndios que exigiram a intervenção de bombeiros e da polícia.

A polícia respondeu com gás lacrimogêneo, jatos d’água de alta pressão e prisões em massa. Mais de 300 pessoas ficaram feridas, entre manifestantes e agentes de segurança, e dezenas foram detidas. Os jovens também utilizaram pedras e objetos improvisados para atacar as forças policiais, enquanto incendiavam contêineres de lixo para bloquear as principais avenidas da cidade.

  • Demandas principais dos estudantes: aumento de verbas para escolas públicas, revisão dos contratos de empreendimentos imobiliários, renúncia de Edi Rama.
  • Principais ações realizadas: ocupação de escolas, bloqueio de avenidas, queima de documentos oficiais, uso de coquetéis molotov.
  • Reação do governo: declarações de “guerra híbrida”, acusação de interferência estrangeira e pedido de apoio da União Europeia.

O caos dentro do Parlamento

Durante a votação de um projeto de lei controverso, deputados da oposição se reuniram diante da tribuna da presidência e exigiram a suspensão da sessão, alegando que a violência nas ruas tornava impossível a continuidade dos trabalhos legislativos. Eles exibiram fotografias de manifestantes feridos e lançaram água e documentos sobre a mesa do presidente do parlamento.

A ação provocou uma reação imediata dos deputados governistas, que avançaram para impedir a interrupção da sessão. O resultado foi um empurrão‑empurrão que rapidamente se transformou em tapas e gritos, com vários parlamentares caindo ao chão. Testemunhas relataram que alguns deputados chegaram a usar objetos de papel como armas improvisadas.

Incidentes semelhantes já haviam ocorrido no passado, inclusive com sinalizadores acesos dentro do plenário. Contudo, a intensidade da disputa de 22 de outubro foi considerada a mais grave desde que a Albânia iniciou seu processo de adesão à União Europeia.

Reações nacionais e internacionais

O primeiro‑ministro Edi Rama, em entrevista coletiva na manhã seguinte, culpou uma “guerra híbrida” de forças estrangeiras pelos distúrbios, apontando para supostos financiadores internacionais que, segundo ele, desejam impedir o progresso do país e bloquear as negociações de adesão à UE. O governo enviou um comunicado oficial reforçando a acusação de interferência externa.

Na França, o presidente Emmanuel Macron declarou que protestos “ilegítimos” seriam banidos, acusando a extrema‑esquerda de tentar “derrubar a república”. A declaração gerou críticas de organizações de direitos humanos, que alertaram para a repressão de manifestações legítimas.

Organizações internacionais de direitos humanos pediram uma investigação independente sobre o uso excessivo da força policial e a violência dentro do parlamento. A Comissão Europeia monitorará de perto a situação, destacando que o respeito ao Estado de direito é condição essencial para a futura adesão da Albânia à União Europeia.

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