Na tarde de quinta‑feira, 22 de outubro, os candidatos à Presidência da República iniciaram a preparação intensiva para o debate transmitido pela TV Globo na sexta‑feira, 23. A medida foi tomada após o primeiro confronto televisivo entre Lula e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band no domingo anterior, e tem como objetivo ajustar a mensagem para os eleitores ainda indecisos.
Avaliação do primeiro confronto
Os resultados da pesquisa Quaest divulgada na quarta‑feira apontaram que o número de eleitores que se declararam indecisos dobrou, passando de 7% para 14% da amostra. Esse aumento indica que o debate da Band provocou dúvidas, mas também consolidou as preferências já firmadas entre os apoiadores de cada candidato. As equipes de campanha concluíram que o confronto reforçou principalmente as posições de quem já havia escolhido um candidato.
Para a campanha de Flávio Bolsonaro, o diagnóstico foi de que o tom agressivo adotado no primeiro debate afastou parte do eleitorado moderado. O senador foi percebido como arrogante por alguns eleitores, sobretudo ao posicionar‑se atrás do presidente Lula durante as falas deste último. A equipe, portanto, recomendou que o candidato diminua os ataques diretos e foque na exposição clara das propostas.
Já a estratégia de Lula recebeu orientações para evitar provocações que pudessem ser interpretadas como desrespeito à idade do adversário, que tem 80 anos. O presidente foi aconselhado a reduzir improvisos, controlar melhor o tempo de resposta e manter um discurso mais conciliador, buscando atrair eleitores que valorizam a postura respeitosa.
Reajustes de discurso e equipe
Um dos principais movimentos da campanha de Flávio Bolsonaro foi a substituição do influenciador Pablo Marçal, responsável pelo treinamento para o primeiro debate, por Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. A decisão foi tomada após a constatação de que Marçal gerava rejeição entre paulistanos e mulheres, além de causar atritos internos nas equipes de apoio.
Na véspera do debate da Globo, Tarcísio e o marqueteiro Duda Lima passaram o dia no QG da campanha, em Brasília, acompanhando de perto a preparação do senador. A mudança de treinador foi vista como “ótima” por um aliado próximo, que afirmou que Flávio pode voltar a ser mais centrado e menos polarizador.
Além da troca de treinador, a campanha de Flávio elaborou um conjunto de ajustes táticos, listados a seguir:
- Reduzir confrontos diretos e focar em propostas de curto prazo.
- Apresentar dados de viabilidade financeira para cada medida.
- Evitar comentários que possam ser interpretados como etarismo.
- Manter postura respeitosa durante o tempo de fala livre.
Do lado de Lula, a preparação começou na quarta‑feira, 21, com sessões de briefing sobre os temas que deverão ser abordados. A equipe enfatizou a necessidade de respostas concisas, evitando improvisos que possam gerar controvérsias. Também foram reforçados os pontos de destaque da agenda econômica e social, visando consolidar a imagem de liderança experiente.
Desafios para conquistar eleitores indecisos
Com o aumento dos indecisos, ambas as campanhas passaram a focar em mensagens que possam atrair esse segmento. Para Flávio Bolsonaro, a estratégia consiste em explicar detalhadamente a viabilidade das propostas, sobretudo aquelas relacionadas à segurança pública e ao desenvolvimento regional.
A campanha de Lula, por sua vez, aposta na experiência e na estabilidade, ressaltando os resultados positivos de seu governo anterior e apresentando um plano de ação para os próximos quatro anos. O objetivo é convencer os eleitores que ainda ponderam entre as opções de que a continuidade oferece mais segurança econômica.
Os regulamentos do debate da TV Globo estabelecem que, nos três primeiros blocos, o candidato que estiver falando pode circular livremente pelo cenário, enquanto o adversário deve permanecer junto ao púlpito. No quarto bloco, de tema livre, cada participante terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções, podendo se movimentar dentro de seu lado do palco. Essa dinâmica exige que os candidatos administrem bem o tempo e a postura corporal.
Especialistas em comunicação política alertam que a forma como os candidatos utilizarem esse espaço pode ser decisiva para mudar a percepção dos eleitores indecisos. A capacidade de transmitir propostas de forma clara, sem recorrer a ataques pessoais, pode gerar um efeito positivo nas avaliações pós‑debate.
Por fim, a cobertura da imprensa e os checadores de fatos, como o programa “Fato ou Fake”, terão papel importante ao analisar as declarações feitas durante o debate. O escrutínio externo pode reforçar ou minar a credibilidade de cada candidato, influenciando a decisão final dos eleitores nas urnas.








