O Governo do Estado do Tocantins anunciou, em 19 de outubro de 2026, um plano de ação para combater os efeitos da seca que assola quase todo o território estadual. A iniciativa, oficializada pelo Decreto nº 7.251, tem como objetivo reduzir os impactos sociais e econômicos da estiagem. O programa será executado em conjunto com diversas secretarias e órgãos públicos.
Abastecimento e assistência humanitária
A Defesa Civil assume a liderança na distribuição de água potável para as comunidades mais vulneráveis. Equipes móveis serão mobilizadas para áreas rurais e urbanas que apresentam escassez crítica.
Além da entrega de água, serão montados pontos de apoio com kits de higiene, alimentos não perecíveis e mantimentos de emergência. Cada ponto contará com voluntários treinados para orientar a população sobre o uso racional dos recursos.
- Distribuição de água em caminhões-tanque
- Instalação de pontos de coleta de água da chuva
- Entrega de kits de higiene e alimentos
- Monitoramento da demanda em tempo real
- Capacitação de lideranças locais
Essas ações visam garantir que nenhuma família fique sem acesso a recursos básicos durante o período de estiagem.
Saúde pública e proteção social
A Secretaria da Saúde vai monitorar a qualidade da água destinada ao consumo humano, realizando análises laboratoriais semanais. O objetivo é prevenir surtos de doenças transmitidas pela água contaminada.
Campanhas de vacinação contra doenças de veiculação hídrica, como a hepatite A, também serão intensificadas nas áreas de maior risco. Profissionais de saúde serão alocados em unidades móveis para alcançar localidades remotas.
Paralelamente, a Secretaria de Desenvolvimento Social identificará as famílias mais afetadas pela seca. O cadastro será atualizado a cada duas semanas para garantir que os benefícios cheguem rapidamente a quem realmente precisa.
- Vigilância sanitária contínua
- Campanhas de vacinação e educação em saúde
- Unidades móveis de atendimento médico
- Mapeamento de famílias vulneráveis
- Distribuição de auxílios financeiros emergenciais
Essas medidas buscam proteger a saúde da população e reduzir a vulnerabilidade social diante da crise hídrica.
Apoio ao setor agropecuário e monitoramento climático
A Secretaria de Agricultura (Seagro) e a Ruraltins vão mapear as perdas na produção agrícola e pecuária. Técnicos especializados visitarão propriedades para avaliar danos e orientar sobre práticas de conservação.
Os produtores receberão laudos técnicos que poderão ser usados na renegociação de dívidas com bancos e cooperativas. Essa estratégia pretende evitar execuções de garantias e preservar a atividade rural.
Além disso, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) intensificará o monitoramento climatológico e hídrico. Dados de estações meteorológicas, satélites e sensores de fluxo nos rios serão analisados em tempo real.
- Mapeamento de perdas agrícolas e pecuárias
- Orientação técnica para manejo de solo e água
- Emissão de laudos para renegociação de crédito
- Coleta contínua de dados climáticos
- Divulgação de boletins meteorológicos semanais
O governador destacou que todas as ações seguem critérios técnicos e legais, reforçando o compromisso de minimizar os impactos da estiagem e garantir assistência às famílias e produtores.
Segundo o Monitor de Secas da ANA, em agosto de 2026, cerca de 95% do estado vivia algum grau de seca, com a área de seca moderada crescendo de 33,57% em julho para 57,44% no mês seguinte. Esses números justificam a urgência das medidas adotadas.
O plano também prevê a criação de um fundo de emergência para financiar projetos de recuperação de nascentes e reflorestamento de áreas degradadas. O recurso será destinado a iniciativas que aumentem a capacidade de retenção de água no solo.
Comunidades indígenas, que dependem de rios sagrados, receberão apoio específico para garantir o acesso a água potável e preservar suas práticas culturais. Representantes dessas comunidades foram consultados na fase de elaboração do decreto.
Para ampliar a transparência, o governo disponibilizará um portal online onde a população poderá acompanhar a execução das ações, consultar indicadores de água e enviar solicitações de apoio. O portal contará com interface amigável e suporte multicanal.
Especialistas em climatologia ressaltam que a seca no Tocantins está ligada a fenômenos climáticos de longo prazo, como o El Niño e mudanças nos padrões de precipitação. Por isso, o monitoramento contínuo é essencial para ajustes rápidos nas estratégias.
O plano ainda inclui treinamentos para agricultores sobre técnicas de irrigação de baixo consumo, como a microaspersão e o uso de sensores de umidade. Essas práticas podem reduzir o consumo de água em até 40% nas lavouras.
Na esfera educacional, escolas rurais receberão kits de aprendizagem sobre gestão de recursos hídricos, incentivando a formação de uma nova geração consciente da importância da água.
O programa de apoio ao setor agropecuário prevê ainda a facilitação de crédito rural com juros reduzidos, destinado a investimentos em tecnologias de conservação de água e sementes resistentes à seca.
Com essas ações integradas, o Estado espera reduzir significativamente os prejuízos econômicos e sociais causados pela estiagem, fortalecendo a resiliência das comunidades tocantinenses.








