Recentemente, especialistas em ortopedia têm alertado sobre o aumento de casos de fragilidade óssea no Brasil, especialmente entre idosos. A condição, que enfraquece os ossos, afeta homens e mulheres e pode se manifestar a partir da sexta década de vida. O médico Daniel Oliveira destaca que a prevenção deve começar antes dos primeiros sinais.
Causas e fatores de risco
Embora a diminuição dos níveis de estrogênio após a menopausa seja um dos principais gatilhos nas mulheres, outros elementos também colaboram para o desenvolvimento da doença. O estilo de vida sedentário, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool são citados como agravantes importantes.
Além disso, histórico familiar de osteoporose e uso prolongado de corticoides aumentam a vulnerabilidade dos indivíduos. A ingestão insuficiente de cálcio e vitamina D também desempenha papel crítico na saúde dos ossos.
- Idade avançada (acima de 65 anos para mulheres, 70 anos para homens)
- Fatores genéticos e histórico familiar
- Hábitos nocivos: fumo, álcool e sedentarismo
- Deficiência de cálcio e vitamina D
- Uso crônico de corticoides
Consequências das fraturas por fragilidade
As fraturas mais comuns em pacientes com osteoporose são as da coluna vertebral, quadril e punho. Um tropeço simples pode resultar em lesões graves que comprometem a mobilidade e a independência do idoso.
No caso da coluna, as fraturas por compressão reduzem a altura dos corpos vertebrais, provocando dor crônica e alterações posturais. Já as fraturas de quadril frequentemente exigem cirurgia e um longo período de reabilitação, podendo levar à perda da capacidade de caminhar.
Essas complicações não são apenas dolorosas; elas aumentam o risco de hospitalizações, quedas recorrentes e até de mortalidade. Por isso, a detecção precoce e a intervenção são fundamentais para preservar a qualidade de vida.
Diagnóstico e rastreamento
O exame de referência para confirmar a osteoporose é a densitometria óssea por DXA, que mensura a densidade mineral dos ossos. Contudo, o diagnóstico não se baseia apenas no número apresentado.
Uma avaliação clínica completa inclui histórico de fraturas prévias, uso de medicações que afetam a densidade óssea e análise dos fatores de risco individuais. O rastreamento rotineiro é recomendado para mulheres a partir dos 65 anos e para homens a partir dos 70 anos.
Pessoas mais jovens que apresentem fatores de risco evidentes, como histórico familiar ou uso prolongado de corticoides, também devem buscar avaliação médica.
Prevenção e cuidados cotidianos
A boa notícia é que a prevenção pode ser iniciada desde cedo, com mudanças simples no estilo de vida. Exercícios que sustentam o peso corporal, como caminhada, musculação leve e dança, fortalecem a musculatura e estimulam a formação óssea.
Uma dieta balanceada, rica em laticínios, vegetais verdes escuros, peixes e leguminosas, garante a ingestão adequada de cálcio e proteínas. A exposição moderada ao sol ou a suplementação de vitamina D complementam esse quadro nutricional.
Além disso, medidas de segurança doméstica – como eliminar tapetes escorregadios, instalar corrimões e usar calçados antiderrapantes – reduzem o risco de quedas. A prática de exercícios de equilíbrio, como tai chi ou yoga, também contribui para a estabilidade.
- Pratique atividades de suporte de peso 3 vezes por semana
- Consuma 1.200 mg de cálcio diário
- Garanta 800 UI de vitamina D por dia
- Evite fumar e limite o álcool a no máximo 2 doses
- Faça densitometria a partir dos 65/70 anos ou antes se houver risco
O especialista enfatiza que não devemos esperar a primeira fratura para agir. Identificar os fatores de risco, realizar exames preventivos e iniciar tratamento quando indicado são atitudes proativas que reduzem drasticamente a probabilidade de lesões graves.
Ao cuidar da saúde óssea, estamos, na prática, preservando nossa mobilidade, independência e bem‑estar ao longo dos anos. Investir em prevenção hoje significa garantir qualidade de vida amanhã.








