Na véspera do primeiro turno da eleição presidencial de 2026, a pesquisa Quaest mostrava um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). No dia 1º de outubro, as urnas revelaram um resultado inverso, colocando o senador em primeiro lugar. O descompasso entre a sondagem e a apuração gerou intenso debate sobre a confiabilidade das pesquisas eleitorais.
Contexto da pesquisa Quaest
A Quaest divulgou seu levantamento no dia 3 de outubro, um dia antes da votação. O instituto utilizou um modelo de eleitor provável, que estima a probabilidade de comparecimento às urnas para calcular os votos válidos. Na amostra, foram entrevistados 3.702 eleitores, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os números divulgados apontavam Lula com 46% dos votos válidos e Flávio com 45%, sugerindo uma vantagem de um ponto percentual ao presidente. Além disso, o cenário de votos totais mostrava Lula em 40% das intenções de voto contra 38% de Flávio, reforçando a ideia de uma disputa equilibrada.
A pesquisa também destacou a proximidade entre os candidatos, indicando que nenhum dos dois alcançaria a maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno. Essa avaliação foi importante para entender a possibilidade de um segundo turno.
Resultados da votação e a inversão
Quando os resultados foram oficialmente publicados, Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos válidos, totalizando 56.104.503 votos. Lula ficou em segundo lugar, com 45,16% e 53.879.538 votos, uma diferença de 2.224.965 votos a favor do senador.
A diferença entre a sondagem e a apuração foi de 2,87 pontos percentuais. Enquanto a pesquisa mostrava Lula à frente por 1 ponto, a votação revelou Flávio à frente por 1,87 ponto. Essa inversão representou uma distância de 2,87 pontos percentuais entre a estimativa e o resultado real.
Em termos individuais, Flávio superou a previsão da Quaest em 2,03 pontos percentuais, enquanto Lula ficou 0,84 ponto abaixo da estimativa. Ambas as variações permaneceram dentro da margem de erro de dois pontos, considerando o arredondamento dos percentuais divulgados.
O resultado levou os dois candidatos ao segundo turno, agendado para o domingo, 25 de outubro. Nenhum deles alcançou a maioria absoluta necessária para evitar a disputa.
Análise das margens de erro e implicações para o segundo turno
A margem de erro de dois pontos percentuais permite que as variações observadas ainda sejam consideradas estatisticamente plausíveis. O desempenho de Flávio ficou ligeiramente acima do limite superior do intervalo calculado a partir dos 45% divulgados, mas ainda dentro da faixa aceitável.
Por outro lado, o resultado de Lula permaneceu dentro do intervalo correspondente aos 46% previstos. Essa consistência reforça a ideia de que, apesar da inversão de ordem, a pesquisa capturou a estreita disputa entre os candidatos.
É importante notar que a pesquisa considerou apenas votos válidos, excluindo brancos e nulos. Na prática, o comparecimento efetivo dos eleitores pode mudar a distribuição final, especialmente em eleições altamente polarizadas.
O modelo de eleitor provável usado pela Quaest pondera fatores como idade, renda, nível educacional e histórico de comparecimento. Essa abordagem busca melhorar a precisão, mas ainda depende da representatividade da amostra.
Para o segundo turno, a diferença de quase dois pontos percentuais pode influenciar estratégias de campanha. Flávio pode buscar consolidar o apoio dos eleitores indecisos, enquanto Lula precisará mobilizar sua base e atrair eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno.
Analistas apontam que a proximidade dos resultados indica que a decisão final ainda está em aberto, e que fatores como abstenção, voto em branco e mobilização de bases regionais serão decisivos.
Além disso, a experiência recente reforça a necessidade de cautela ao interpretar pesquisas de última hora. Mesmo com margens de erro rigorosas, pequenas variações podem alterar a ordem de classificação dos candidatos.
Os órgãos reguladores, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), continuam monitorando a divulgação de pesquisas, exigindo transparência nos métodos e nas margens de erro. A pesquisa da Quaest foi registrada sob o número BR-02197/2026, cumprindo as exigências legais.
Em resumo, a última sondagem da Quaest antecipou a estreita disputa, mas não previu a inversão de posições entre Lula e Flávio. A diferença de 2,87 pontos percentuais entre a estimativa e o resultado real destaca a importância de analisar as margens de erro e compreender as limitações inerentes a qualquer pesquisa eleitoral.
Os próximos dias serão decisivos para definir a estratégia de ambos os candidatos, que buscarão converter a vantagem ou minimizar a desvantagem observada no primeiro turno. O segundo turno promete ser ainda mais competitivo, com o eleitorado atento a cada movimento das campanhas.








