Na madrugada de domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) realizou o último ato de sua campanha à Presidência, reunindo apoiadores em frente à residência de seu pai, Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. O evento marcou o encerramento da disputa eleitoral antes da votação do segundo turno, que ocorrerá no mesmo dia. O endereço, que se transformou em ponto de peregrinação desde a facada sofrida por Jair Bolsonaro em 2018, recebeu milhares de simpatizantes que celebraram a trajetória familiar na política.
Contexto da peregrinação e o simbolismo da casa
Em setembro de 2018, o então candidato à Presidência foi alvo de um ataque com faca durante campanha em Juiz de Fora, o que gerou comoção nacional. Após receber alta hospitalar, Bolsonaro se recolheu à sua casa na Barra da Tijuca, onde passou a receber visitas de aliados, lideranças e eleitores. A residência acabou se tornando um símbolo de resistência para o segmento conservador, que passou a considerá‑la um santuário de superação.
Durante a campanha de 2018, a casa recebeu comícios improvisados, faixas, bandeiras e mensagens de apoio que se espalhavam pelas redes sociais. O local foi palco de transmissões ao vivo, entrevistas e declarações que reforçaram a narrativa de vitória sobre a adversidade. Esse histórico fez com que, oito anos depois, a mesma porta fosse escolhida como palco final da campanha de Flávio Bolsonaro.
A agenda de Flávio Bolsonaro nas últimas horas de campanha
Na sexta‑feira anterior ao encerramento, Flávio participou do debate da TV Globo, transmitido ao vivo do Rio de Janeiro, onde abordou temas como segurança pública, economia e a herança política de seu pai. No sábado, o senador fez uma série de compromissos em Belo Horizonte, visitando lideranças regionais e reforçando a aliança com o governador eleito do estado, Douglas Ruas (PL), que também compareceu ao evento na Barra da Tijuca.
O domingo começou com uma mobilização nas ruas da capital fluminense, onde apoiadores carregaram bandeiras, faixas e cartazes que faziam referência ao atentado de 2018. O ponto alto foi a concentração em frente à casa de Jair Bolsonaro, onde Flávio fez um discurso de aproximadamente quinze minutos, lembrando a luta de seu pai e projetando a continuidade da agenda conservadora.
Ao final do discurso, o senador convocou os presentes a comparecerem às urnas, ressaltando a importância de manter a “linha de governo” iniciada em 2019. Em seguida, Flávio dirigiu‑se ao local de votação, onde cumpriu seu dever cívico antes do fechamento das urnas para o segundo turno.
Expectativas, simbolismo e possíveis impactos no segundo turno
Analistas políticos apontam que o uso do endereço como palco final tem o objetivo de reforçar a imagem de união familiar e de superação de adversidades, elementos que ainda ressoam entre os eleitores da base bolsonarista. O discurso de Flávio, ao citar a facada de 2018, buscou criar uma linha narrativa que liga o passado ao presente, sugerindo que a vitória no segundo turno depende da continuidade da luta iniciada naquele episódio.
Além disso, a presença de Douglas Ruas ao lado de Flávio sinaliza a intenção de consolidar alianças regionais que podem influenciar a votação em estados estratégicos. A expectativa é que a mobilização na Barra da Tijuca sirva de inspiração para outras frentes de campanha, estimulando atos semelhantes em outras cidades onde a figura de Jair Bolsonaro tem forte apelo.
Entretanto, críticos argumentam que a ênfase no passado violento pode gerar polarização adicional, afastando eleitores indecisos que buscam um discurso mais centrado em políticas públicas. O impacto real da última manifestação ainda será medido nas urnas, mas a estratégia de usar símbolos de resistência permanece como um dos pilares da campanha conservadora.
Independentemente do resultado, o encerramento da campanha em um local tão carregado de significado histórico demonstra a importância que a família Bolsonaro ainda exerce no cenário político nacional. O episódio reforça a ideia de que, para muitos apoiadores, a trajetória pessoal do presidente e de seu filho está intrinsecamente ligada ao futuro do país.








