Um vídeo que circulou nas redes sociais alegando que Leonel Brizola teria associado o ex‑presidente Jair Bolsonaro a milícias foi identificado como falsificado. A publicação apareceu no início de outubro de 2024 e rapidamente ganhou milhares de visualizações. A análise feita por equipes de verificação apontou o uso de inteligência artificial para manipular áudio e imagem.
Contexto histórico e origem da suposta gravação
O material apresentado como prova mostrava Brizola, falecido em 2004, falando em um debate televisivo de 1989. No trecho original, o político comentava sobre a repressão sindical durante a ditadura militar, sem mencionar Bolsonaro ou milícias. A legenda que acompanhava o vídeo, porém, afirmava que o discurso ligava o presidente a grupos paramilitares.
A divulgação ocorreu em plataformas como Instagram, TikTok e WhatsApp, acompanhada de hashtags que buscavam gerar polêmica. Usuários compartilhavam o conteúdo sem checar a veracidade, impulsionando o alcance da suposta revelação. Essa prática reflete um padrão recorrente de desinformação política nas eleições brasileiras.
Metodologia de verificação adotada pelo Fato ou Fake
Para determinar a autenticidade, a equipe de checagem utilizou a ferramenta InVID, que permite fragmentar vídeos em frames individuais. Cada frame foi submetido a buscas reversas no Google Lens, o que revelou a origem do clipe em um debate real de 1989 transmitido pela TV Globo.
Em seguida, foram aplicados três detectores de deepfake: HiveModeration, Hiya/InVID e Detector Mever/InVID. Todos apontaram alterações significativas tanto no áudio quanto nas imagens, indicando que o conteúdo havia sido gerado por IA. O Detector Mever/InVID, por exemplo, registrou 99% de probabilidade de ser deepfake.
- Fragmentação do vídeo em frames estáticos
- Busca reversa de imagens no Google Lens
- Análise de áudio com HiveModeration
- Detecção de manipulação visual com Hiya/InVID
- Confirmação final com Detector Mever/InVID
Os resultados foram compilados em infográficos que acompanham a reportagem original, oferecendo transparência ao processo de checagem. Essa abordagem demonstra a importância de combinar ferramentas automáticas e análise humana para combater a desinformação.
Impactos da desinformação e a importância da checagem
Fake news como essa podem influenciar a percepção pública sobre figuras políticas, especialmente em períodos eleitorais. Quando um vídeo falsificado associa um candidato a grupos criminosos, cria‑se um dano reputacional difícil de reparar. Além disso, a circulação de deepfakes aumenta a desconfiança geral nas mídias tradicionais.
Organizações de verificação, como o Fato ou Fake, desempenham papel crucial ao oferecer respostas rápidas e embasadas. Ao publicar a análise detalhada, elas fornecem aos cidadãos ferramentas para discernir informação verídica de manipulação. Essa prática reforça a necessidade de alfabetização midiática nas escolas e entre o público adulto.
Especialistas em segurança digital alertam que a tecnologia de IA está se tornando cada vez mais acessível, permitindo que usuários sem conhecimento técnico criem deepfakes convincentes. Por isso, plataformas de redes sociais precisam investir em mecanismos de detecção automática e em políticas de remoção de conteúdo enganoso.
Enquanto isso, os consumidores de informação devem adotar hábitos críticos: verificar a fonte, buscar confirmações em veículos confiáveis e desconfiar de títulos sensacionalistas. A combinação de tecnologia de verificação e educação midiática é a melhor defesa contra a propagação de notícias falsas.








