Uma pesquisa realizada pela Quaest, divulgada nesta quarta‑feira (21 de outubro de 2026), revelou que 44% dos eleitores temem a possível volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% expressam medo da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento, encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, traz dados de 2.154 entrevistados em todo o país.
Medo da volta dos Bolsonaro
O medo do retorno da família Bolsonaro tem se consolidado como um dos principais fatores de ansiedade entre o eleitorado. Desde o levantamento anterior, realizado na semana passada, o percentual de quem teme a volta dos Bolsonaro subiu de 41% para 44%, indicando um aumento de três pontos percentuais. Esse crescimento reflete, em parte, a intensificação das campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e a percepção de que ele poderia representar uma continuidade das políticas e do estilo de governo adotados pelo ex‑presidente Jair Bolsonaro.
Analistas políticos apontam que a proximidade de Flávio com o ex‑presidente, bem como a estratégia de reforçar a identidade familiar, pode gerar um efeito de “herança política” que alimenta o receio de que o mesmo discurso de polarização e confrontos institucionais seja retomado. Além disso, a divulgação de propostas controversas em áreas como segurança pública e educação tem acirrado ainda mais o debate.
Os entrevistados que manifestaram medo da volta dos Bolsonaro também citaram, em suas respostas abertas, a preocupação com possíveis retrocessos em direitos civis, ambientais e de minorias. Muitos enfatizaram que o cenário de instabilidade econômica, ainda presente no país, poderia ser agravado por políticas consideradas mais autoritárias.
- 44% temem a volta da família Bolsonaro
- 42% temem a reeleição de Lula
- 6% temem ambos os cenários
- 4% não temem nenhum dos dois
Temor à reeleição de Lula
Ao mesmo tempo, 42% dos eleitores revelaram medo da continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Esse número, embora ligeiramente inferior ao medo da volta dos Bolsonaro, demonstra que a figura do petista ainda gera apreensão em uma parcela considerável da população. O medo está associado, entre outros fatores, à percepção de que as políticas econômicas adotadas nos últimos dois anos podem não ter gerado o crescimento esperado.
Especialistas apontam que a preocupação dos eleitores com a reeleição de Lula está ligada ao medo de um aprofundamento de políticas de redistribuição de renda que, segundo críticos, poderiam pressionar ainda mais a já frágil conta pública. Há também temores sobre a condução da política externa, sobretudo em relação a acordos comerciais e à postura frente a grandes potências.
Além disso, a própria história de polarização política que marcou os últimos anos de governo tem deixado marcas na opinião pública. Muitos entrevistados citaram o medo de que o país continue dividido, com protestos frequentes e instabilidade institucional, caso Lula permaneça no poder.
Intenções de voto para o segundo turno
Quando o foco se volta para as intenções de voto no segundo turno, a pesquisa Quaest indica um empate técnico entre os dois principais candidatos. Flávio Bolsonaro aparece com 45% de intenção de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva registra 44%. A margem de erro de dois pontos percentuais, adotada pelo instituto, mantém ambos os nomes dentro da zona de empate.
Esse cenário de quase paridade reflete a profunda divisão do eleitorado brasileiro, que se encontra quase que igualmente distribuído entre duas narrativas políticas distintas. O empate também ressalta a importância dos debates e das estratégias de campanha nas semanas que antecedem o pleito.
Os analistas ressaltam que, em um cenário tão apertado, fatores como a presença nas redes sociais, a capacidade de mobilizar bases regionais e a resposta a eventuais escândalos podem ser decisivos. A participação de ambos os candidatos em debates televisivos, como o promovido pela Band, tem sido observada como um ponto de virada potencial.
Vale lembrar que a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-08535/2026, com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi conduzido entre os dias 17 e 20 de outubro, abrangendo entrevistados de 16 anos ou mais, em todas as regiões do país.
Em termos de comparação histórica, o medo da volta dos Bolsonaro já superava o medo da reeleição de Lula desde o levantamento de 14 de agosto, quando 45% temiam o retorno da família Bolsonaro contra 41% que temiam a continuidade do PT. O aumento recente de 6% de eleitores que temem ambos os cenários indica que a incerteza está crescendo.
Os especialistas recomendam que os candidatos adotem mensagens que busquem reduzir a ansiedade do eleitorado, focando em propostas concretas de estabilidade econômica, segurança pública e coesão social. A capacidade de apresentar um plano de governo claro e factível pode ser o diferencial que inclinará o voto de eleitores indecisos.
Enquanto isso, a população continua acompanhando de perto as movimentações nas urnas, as declarações dos candidatos e as análises de especialistas. O clima de tensão política, aliado à proximidade do segundo turno, promete manter o debate acirrado até o último dia de campanha.
Em síntese, a pesquisa Quaest oferece um retrato fiel de um Brasil dividido entre duas opções de futuro, cada uma carregada de temores e expectativas. O resultado final dependerá, em grande medida, da capacidade dos candidatos de convencer o eleitorado de que seu projeto é o mais capaz de conduzir o país a um caminho de estabilidade e prosperidade.








