Na sexta‑feira, 23 de outubro, a gravadora Kuarup lançou o álbum digital Cantigas e Causos – Élcio Dias & Amorim celebram os 90 anos de Rolando Boldrin. O lançamento aconteceu em São Paulo e foi divulgado em toda a internet, marcando a homenagem ao ícone da música caipira. O disco reúne 14 faixas que reconstroem o repertório do artista que faleceu em 2022.
Um tributo à trajetória de um mestre da música caipira
Rolando Boldrin nasceu em 22 de outubro de 1936, na interiorana cidade de São Joaquim da Barra, em São Paulo. Ao longo de oito décadas, ele atuou como ator, cantador, compositor e apresentador, levando o som do interior para as telas da TV nacional.
Além de gravar discos que se tornaram clássicos, Boldrin criou programas de televisão dedicados ao folclore e à viola, como Som da Terra e Canto da Eira. Essas emissoras foram verdadeiros palcos para revelar talentos rurais e preservar cantos que, de outra forma, teriam se perdido.
Seu legado inclui dezenas de composições, entre elas “Tema para Juliana”, escrita para a novela Os Inocentes (1974). A canção foi reinterpretada duas décadas depois no álbum Som da Terra, mostrando a capacidade de Boldrin de revisitar e renovar seu próprio repertório.
A concepção e produção de “Cantigas e Causos”
Elécio Dias, violonista e cantor nascido em Embu das Artes, se juntou a Gildécio José de Amorim, violeiro baiano residente na mesma cidade, para formar a dupla em 2019. O par decidiu homenagear Boldrin como forma de reconhecer a influência que o artista exerceu sobre a música caipira contemporânea.
A produção do álbum contou com a parceria da gravadora Kuarup, especializada em sons regionais. As gravações foram realizadas em estúdios de São Paulo e de Embu das Artes, com a participação de músicos convidados que acrescentaram timbres autênticos ao projeto.
O processo criativo incluiu a pesquisa de arquivos, a escuta de gravações antigas e a transcrição de letras raras. Cada faixa foi cuidadosamente arranjada para manter a essência da obra original, ao mesmo tempo que recebeu toques modernos de violas, percussões e harmonias vocais.
Faixas, colaborações e destaques do álbum
O disco apresenta interpretações de sucessos consagrados e também traz materiais pouco conhecidos do repertório de Boldrin. Entre as colaborações mais marcantes, destacam‑se artistas como Renato Teixeira, Chico Lobo e Jackson Antunes, que adicionam suas vozes e estilos ao projeto.
- Viola quebrada – versão com Renato Teixeira, homenagem ao poema de Mário de Andrade (1936).
- Eu, a viola e Deus – parceria com o violeiro Chico Lobo, relembrando a gravação de 1979.
- Vide, vida marvada – interpretação ao lado de Jackson Antunes, trazendo a energia da música de 1981.
- Amor de violeiro – cantada pelos próprios Élcio Dias & Amorim, mantendo a tradição do romance rural.
- Vaca Estrela e Boi Fubá – com participação de Wandi Doratiotto, revisitando o clássico de Patativa do Assaré (1958).
Além das músicas citadas, o álbum inclui “Tema para Juliana”, “Novo amanhecer” (composição de Manezinho Araújo) e “A morte não é nada”, texto atribuído a Santo Agostinho, que aparece em forma de declamação.
Impacto cultural e perspectivas futuras
Ao lançar Cantigas e Causos, a dupla reforça o papel da música caipira como patrimônio cultural brasileiro. O projeto não só celebra a vida de Boldrin, mas também incentiva novas gerações a descobrir e valorizar o universo das viola e das modas.
Especialistas apontam que a iniciativa pode inspirar outros artistas a produzir tributos semelhantes, criando um ciclo virtuoso de preservação e inovação. A aceitação do público tem sido positiva, com milhares de streams nas primeiras 24 horas.
Para os fãs de Boldrin, o álbum funciona como uma ponte entre o passado e o presente, permitindo reviver momentos marcantes enquanto se abre espaço para novas interpretações. A expectativa é que, nos próximos meses, a dupla promova shows ao vivo em festivais de música rural, ampliando ainda mais o alcance da homenagem.
Em resumo, Cantigas e Causos representa mais que um simples álbum de tributo; é um documento vivo que celebra a história, a memória e a continuidade da música caipira no Brasil contemporâneo.








