Em entrevista ao programa Ponto de Vista, exibido na manhã de 20 de outubro de 2024, Lucas Thut Sahd, diretor‑executivo do Real Time Big Data, explicou por que a rejeição ao PT está ajudando Flávio Bolsonaro a ganhar força nas pesquisas presidenciais. O especialista destacou que, além da oposição ideológica, a sensação de que a vida não melhorou sob o governo Lula tem sido decisiva para mudar o comportamento do eleitorado.
Frustração econômica como motor da mudança
Segundo Sahd, as conversas qualitativas realizadas com eleitores revelam um padrão claro: a expectativa de melhora nas condições de vida não se concretizou. Muitos trabalhadores que votaram em Lula no primeiro turno relataram que a realidade cotidiana – salários, preços e acesso a serviços – permanece estagnada ou piorou. Essa percepção gera um sentimento de desconfiança que se traduz em apoio a candidatos que prometem ruptura.
O analista dividiu esse fenômeno em dois componentes principais. O primeiro refere‑se à oposição ideológica tradicional dos eleitores de direita ao PT. O segundo, e mais recente, envolve a frustração por falta de progresso econômico. Essa combinação cria um terreno fértil para que Flávio Bolsonaro, do PL, apareça como alternativa viável.
- Oposição ideológica: defesa de valores conservadores e crítica ao legado do PT.
- Frustração econômica: sensação de que a renda familiar não cresceu e que o custo de vida aumentou.
Esses dois fatores, quando analisados juntos, explicam por que o candidato do PL tem conseguido ampliar sua base além dos eleitores historicamente conservadores. A pesquisa citada por Sahd mostra Flávio com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula, indicando uma virada significativa.
Transferência de votos de terceiros candidatos
Outro ponto destacado por Sahd foi a movimentação de eleitores que inicialmente apoiaram candidatos derrotados no primeiro turno, como Renan Santos e Ronaldo Caiado. Esses eleitores, ao perceberem que suas opções estavam fora da disputa, migraram para Flávio, fortalecendo ainda mais sua posição. O diretor‑executivo ressaltou que esse fluxo de apoio já começou antes mesmo da campanha do segundo turno.
Ele explicou que a transferência não ocorreu de forma aleatória. Eleitores da chamada “terceira via”, que buscavam uma alternativa ao PT e ao governo atual, encontraram em Flávio Bolsonaro um candidato que representava mudança e, ao mesmo tempo, mantinha uma postura conservadora. Essa convergência de expectativas ajudou a criar a vantagem de 4 pontos percentuais observada na pesquisa.
Desafios da campanha de Lula
Lula, por sua vez, tem focado sua estratégia em mobilizar o eleitorado tradicional e incentivar a comparecência às urnas. No entanto, Sahd questionou a eficácia de uma campanha centrada quase que exclusivamente no confronto com o adversário. “O eleitor está querendo propostas concretas”, afirmou o analista, sugerindo que a mensagem de Lula precisa evoluir para oferecer soluções palpáveis ao público que sente que nada mudou.
O diretor‑executivo alertou que prolongar a disputa sem apresentar um plano de ação claro pode afastar ainda mais os eleitores indecisos ou abstêmios. Ele destacou que a falta de propostas específicas pode reforçar a percepção de que a política não tem impacto direto na vida cotidiana, alimentando ainda mais o descontentamento.
Perspectivas para o segundo turno
Embora a pesquisa reflita um momento específico, Sahd enfatizou que os números podem mudar até o dia da votação. Ele descreveu a situação como “a preço de hoje”, indicando que as tendências observadas são úteis para entender o panorama, mas não garantem um resultado definitivo.
Na visão do especialista, a chave para Lula será reconquistar o eleitorado que se sente frustrado, oferecendo um conjunto de propostas que abordem questões como inflação, desemprego e acesso a serviços públicos. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro deve consolidar o apoio recém‑adquirido, mantendo a narrativa de mudança e aproveitando a insatisfação geral com a situação econômica.
Em síntese, a análise de Sahd aponta que a combinação de rejeição ideológica ao PT e a frustração econômica forma um vetor poderoso que pode determinar o desfecho da eleição. O cenário mostra um eleitorado em busca de respostas práticas, e a capacidade dos candidatos de atender a essa demanda será decisiva para o resultado final.








