Na noite de segunda-feira, 19 de outubro de 2026, o ex-vereador de Queimados, Jefferson Dias da Silva, foi atingido por disparos da Polícia Militar na Avenida Brasil, zona norte do Rio de Janeiro. O incidente ocorreu próximo à estação Marinha Mercante do BRT, na região de Bonsucesso, e culminou na morte do político, de 51 anos.
Detalhes da ocorrência
Segundo relatos de testemunhas, o veículo, um modelo BYD, teria sido abordado após suposta desobediência a uma ordem de parada emitida pelos agentes. O carro avançou alguns metros antes de ser contido, o que gerou a reação dos policiais.
Vídeos gravados por pedestres mostram claramente os agentes apontando suas armas e efetuando disparos em direção ao automóvel. As imagens, que circulam nas redes sociais, são fundamentais para a reconstrução da dinâmica dos fatos.
O condutor do veículo, identificado como Jeferson da Linave, também conhecido como Jefferson da Linave, estava acompanhado por outras pessoas, mas nenhuma delas foi ferida pelos disparos. O tiro que vitimou Jefferson atingiu o peito, provocando parada cardíaca imediata.
Após o disparo, a polícia realizou primeiros socorros no local, mas a equipe médica constatou óbito. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames periciais.
Reações e declarações
O falecimento gerou comoção nas redes sociais, com familiares, colegas de partido e lideranças locais expressando pesar e exigindo esclarecimentos. O presidente da Câmara Municipal de Queimados, em nota oficial, lamentou a perda e pediu uma investigação transparente.
Organizações de direitos humanos também se manifestaram, denunciando o uso excessivo da força e cobrando responsabilização dos agentes envolvidos. Em entrevista, o sindicato dos policiais ressaltou que a ação seguiu protocolos estabelecidos, mas reconheceu a necessidade de averiguar o caso com rigor.
Moradores da região de Bonsucesso relataram que o trânsito na Avenida Brasil costuma ser intenso à noite, e que a presença de patrulhas policiais é constante. Muitos afirmaram que não presenciaram comportamentos suspeitos antes do tiroteio, o que aumenta a perplexidade quanto ao motivo da abordagem.
Investigação e procedimentos legais
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) assumiu a condução das investigações. Segundo a Polícia Civil, a perícia foi realizada no local imediatamente após o incidente, coletando vestígios balísticos e fotografias detalhadas.
As imagens das câmeras corporais dos policiais serão analisadas minuciosamente, juntamente com os vídeos de civis, para determinar a sequência exata dos disparos. O objetivo é identificar se houve excesso ou legítima defesa.
Além disso, a DHC abriu um procedimento interno na Polícia Militar para apurar a conduta dos agentes. Caso sejam constatadas irregularidades, os responsáveis poderão ser submetidos a processos disciplinares e criminais.
- Coleta de vestígios balísticos no local;
- Análise das gravações das câmeras corporais;
- Entrevistas com testemunhas e familiares;
- Perícia oficial no corpo da vítima;
- Relatório final encaminhado ao Ministério Público.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro foi notificado e acompanhará o caso, garantindo que as diligências sejam concluídas dentro dos prazos legais.
Contexto e histórico do caso
Jefferson Dias da Silva, antes de seu falecimento, ocupava a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico em Queimados. Seu histórico político inclui dois mandatos como vereador, durante os quais atuou em projetos de infraestrutura e apoio a microempreendedores.
Conhecido popularmente como Jefferson da Linave, ele mantinha uma relação próxima com a comunidade local, sendo frequentemente visto em eventos de rua e feiras de negócios. Essa proximidade fez com que a notícia de sua morte gerasse grande repercussão na região da Baixada Fluminense.
Nos últimos anos, a Avenida Brasil tem sido palco de confrontos entre forças de segurança e suspeitos de tráfico de drogas, o que levou ao aumento de operações policiais noturnas. Contudo, especialistas apontam que a falta de treinamento adequado em técnicas de desescalada pode contribuir para incidentes como o atual.
Estudos recentes indicam que o número de abordagens que resultam em uso letal de força tem crescido no estado do Rio de Janeiro, suscitando debates sobre a necessidade de revisão de protocolos e maior transparência nas ações policiais.
Enquanto a investigação segue em curso, a população de Queimados aguarda respostas que esclareçam se o disparo foi justificado ou se configurou um abuso de autoridade. O caso pode servir de marco para futuras discussões sobre segurança pública, direitos civis e a responsabilidade dos agentes da lei.








