Um cidadão brasileiro está sendo julgado na Bélgica por supostamente coordenar o transporte de dezenas de toneladas de cocaína da América do Sul para a Europa. O processo, que começou em 2022, ganhou destaque internacional após reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada em 20 de outubro.
Quem é Sergio Roberto de Carvalho e como chegou ao crime organizado
Sergio Roberto de Carvalho nasceu em Ibiporã, no Paraná, mas passou a maior parte da infância e adolescência no Mato Grosso do Sul, região fronteiriça com Bolívia e Paraguai. Essa proximidade com rotas de contrabando facilitou seu contato precoce com o tráfico de drogas e armas.
Nos anos 1990, ainda como ex-funcionário da polícia do estado, Carvalho recebeu a alcunha de “Major” e foi condenado a quinze anos de prisão por tráfico de entorpecentes. A sentença, porém, não impediu sua ascensão dentro do crime organizado.
A partir de 2010, ele migrou para a Europa, estabelecendo bases temporárias em Portugal e Espanha. Seu último refúgio foi a Hungria, onde foi detido em 2023 e extraditado para a Bélgica, onde o processo está em curso.
Durante sua fuga, utilizou ao menos dez documentos falsos, incluindo identidade de um cidadão mexicano, para burlar as autoridades. Essa prática demonstra a sofisticação de sua rede de apoio logístico.
A parceria com Flor Bressers e a rota de 45 toneladas de cocaína
Carvalho é apontado como principal aliado de Flor Bressers, conhecido como “Cortador de dedos”. Bressers lidera uma organização criminosa que, segundo o The Guardian, é responsável por extorsão, cárcere privado e sequestro.
Juntos, eles teriam coordenado o transporte de 45 toneladas de cocaína, partindo do Peru, atravessando a Bolívia, passando pelo Brasil e chegando aos portos brasileiros para embarque rumo ao Atlântico.
Uma vez no mar, a carga era distribuída para diversos países europeus, abastecendo mercados ilícitos em Portugal, Holanda, Bélgica e Alemanha. A complexidade da operação exigiu a criação de empresas de fachada na Bélgica, uso de criptomoedas e investimentos em imóveis para lavar o dinheiro.
- Origem da droga: Peru.
- Passagem pela Bolívia e Brasil.
- Embarque nos portos brasileiros.
- Transporte marítimo para a Europa.
- Distribuição final em múltiplos países.
Investigações revelam que a dupla movimentou milhões de dólares por meio de contas bancárias offshore, plataformas de criptomoedas e compra de propriedades de luxo, dificultando o rastreamento das receitas ilícitas.
Desdobramentos judiciais e perspectivas futuras
Na Bélgica, tanto Carvalho quanto Bressers negam as acusações e alegam que não tiveram a oportunidade de se defender adequadamente. Os advogados dos réus afirmam que o processo carece de provas concretas e que a mídia tem influenciado a opinião pública.
A sentença está prevista para ser divulgada até o final de 2026, e pode incluir penas severas, além da apreensão de bens vinculados ao esquema de lavagem de dinheiro.
Especialistas em direito penal internacional apontam que o caso pode estabelecer precedentes importantes para a cooperação entre países na luta contra o tráfico de drogas. A colaboração entre autoridades belgas, brasileiras e sul-americanas tem sido fundamental para desmontar a rede.
Enquanto isso, o governo brasileiro tem reforçado sua política de combate ao narcotráfico nas fronteiras do Mato Grosso do Sul, investindo em tecnologia de monitoramento e em programas de prevenção nas comunidades vulneráveis.
O caso também reacendeu o debate sobre a eficácia das penas de prisão para traficantes de alta hierarquia. Alguns analistas defendem que a prisão preventiva e a cooperação internacional são mais eficazes do que a mera punição criminal.
Em resumo, o julgamento de Sergio Roberto de Carvalho representa um marco na luta contra o tráfico transnacional de cocaína, destacando a necessidade de estratégias integradas e de vigilância constante nas rotas de contrabando.








