O cantor e compositor Benito Di Paula faleceu na noite de domingo, 18 de outubro de 2026, e seu velório será realizado hoje, 20 de outubro, das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo. A cerimônia está aberta ao público e reúne fãs, artistas e autoridades que desejam prestar a última homenagem.
Reavaliação tardia da obra
Nos últimos anos, críticos e músicos começaram a revisitar o repertório de Di Paula, percebendo a originalidade de suas composições. O projeto Benito 80, lançado em 2022, trouxe versões de suas músicas interpretadas por nomes como Criolo, João Bosco e Teresa Cristina, revelando novas camadas de significado.
Além disso, a escola de samba Águia de Ouro dedicou seu desfile de Carnaval de 2025 ao artista, marcando a primeira homenagem oficial de uma agremiação carnavalesca. Esse reconhecimento institucional sinaliza uma mudança de postura em relação ao legado do cantor.
O processo de reavaliação também incluiu artigos acadêmicos, podcasts especializados e programas de TV que destacaram a contribuição de Di Paula para a música popular brasileira, sobretudo ao mesclar samba, piano e influências latinas.
Reconhecimento tardivo e críticas
Durante sua carreira, Di Paula enfrentou resistência das elites culturais que o viam como um “traidor” do samba puro. Seu estilo, que incorporava acordes de piano e ritmos afro‑cubanos, foi frequentemente rotulado como comercial ou cafona.
Entretanto, artistas como Zeca Baleiro e Zélia Duncan sempre defenderam sua importância, ressaltando a fluência vocal e o senso rítmico apurado do cantor. Eles argumentam que o artista soube transformar a sofrência em poesia, como nas canções “Retalhos de cetim” (1973) e “Vai ficar na saudade” (1975).
A falta de prêmios oficiais também marcou sua trajetória. O Prêmio da Música Brasileira e o Grammy Latino nunca o incluíram nas categorias de homenagem ou álbum de conjunto, apesar das indicações de que seu trabalho merecia tal reconhecimento.
- Prêmio da Música Brasileira – nunca indicado como homenageado
- Grammy Latino – ausência de indicação ao conjunto da obra
- Reconhecimento da imprensa – aumento significativo apenas após a morte
Essa lacuna de reconhecimento oficial contrasta com a explosão de elogios que surgiram imediatamente após seu falecimento, revelando um padrão recorrente na história da música brasileira: artistas marginalizados em vida recebem aclamação póstuma.
Legado e perspectivas futuras
Com a morte de Di Paula, o mercado musical já prepara uma série de projetos que prometem manter sua obra viva. Gravadoras anunciam relançamentos de álbuns remasterizados, enquanto jovens artistas planejam tributos ao vivo.
Especialistas preveem que o interesse acadêmico continuará crescendo, com dissertações de mestrado e doutorado analisando a fusão de samba e piano que caracteriza seu estilo. Essa produção intelectual pode consolidar ainda mais seu lugar no cânone da música popular.
Além disso, o Theatro Municipal de São Paulo, local do velório, anunciou a criação de um espaço permanente dedicado à memória de Benito Di Paula, onde serão exibidos documentos, instrumentos e gravações inéditas.
O futuro, portanto, parece promissor para o legado do artista. Embora o reconhecimento oficial tenha demorado, a força de sua música e a admiração de novos públicos indicam que seu nome permanecerá vivo nas playlists, nas salas de aula e nos corações dos amantes da música.








