O dólar iniciou a sessão de terça‑feira (20) em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,0262 por volta das 9h, enquanto o Ibovespa começou a ser negociado às 10h. A desvalorização ocorre em meio a uma agenda internacional agitada, com novos indicadores econômicos dos Estados Unidos e protestos que se intensificam na Europa.
Contexto da queda do dólar
A ausência de destaques na agenda econômica doméstica deixa o mercado brasileiro mais sensível a fatores externos. O recuo de 0,43% reflete a expectativa de que dados de emprego dos EUA possam sinalizar um cenário de juros mais altos nos próximos meses.
Analistas apontam que o relatório ADP, que mede a criação de vagas no setor privado, costuma influenciar as projeções do Federal Reserve (Fed) sobre a política monetária. Caso o número de empregos seja robusto, a tendência é de manutenção ou aumento da taxa de juros, o que pressiona a moeda americana para baixo em relação ao real.
Além disso, indicadores de construção e vendas de moradias nos Estados Unidos também serão acompanhados de perto, pois revelam a saúde do consumo interno americano, fator crucial para a decisão do Fed.
Impactos dos protestos na Europa
Na Europa, a onda de protestos que começou em setembro se mantém viva, gerando preocupação nos mercados globais. O movimento iniciou-se entre estudantes que reivindicavam mudanças no sistema educacional, mas rapidamente ganhou apoio de sindicatos e de setores que exigem reformas mais amplas.
Na França, mais de meio milhão de manifestantes participaram de paralisações que afetaram o transporte público, escolas e serviços essenciais. Protestos menores foram registrados na Bélgica, Itália e Portugal, ampliando o clima de instabilidade na região.
Esses episódios têm potencial de impactar a confiança dos investidores e, consequentemente, a cotação do euro frente ao dólar, o que indiretamente pode reverberar nas taxas de câmbio emergentes, como o real.
- França: mais de 500 mil manifestantes;
- Bélgica: bloqueios em principais rodovias;
- Itália: greves no setor de transportes;
- Portugal: protestos em universidades.
Expectativas sobre os dados econômicos dos EUA
O relatório de empregos ADP será divulgado nesta manhã e tem grande relevância para os traders que buscam pistas sobre a política do Fed. Uma geração de vagas acima da média pode reforçar a ideia de que a economia americana está aquecida, pressionando o Fed a manter a taxa de juros em patamares elevados.
Além do ADP, os números de construção residencial e as vendas de casas novas serão publicados ao longo do dia. Um aumento nas construções indicaria confiança dos construtores e dos consumidores, enquanto uma queda pode sinalizar retração do mercado imobiliário.
Esses indicadores são analisados em conjunto com o índice de preços ao consumidor (CPI) e o índice de confiança do consumidor, que, embora não estejam no foco imediato, podem mudar o cenário de expectativas para a reunião do Fed ainda neste mês.
Cenário político brasileiro e o debate Lula × Flávio
Em território nacional, o debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) continua a atrair atenção dos eleitores indecisos. O confronto ocorreu na noite de domingo (18) e marcou a primeira disputa direta entre os candidatos no segundo turno das eleições de 2026.
Durante três blocos temáticos, os candidatos abordaram segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e a proposta de redução da maioridade penal. Trocas de acusações sobre corrupção e investigações também marcaram o debate.
Lula questionou Flávio sobre um voto de 2009 que teria sido contra a ampliação da licença‑maternidade para servidoras, enquanto Flávio respondeu que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”.
Em seguida, Flávio apontou para a empresária e lobista Roberta Luchsinger e para o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), que são alvos de três inquéritos no STF por suspeita de tráfico de influência. O Palácio do Planalto, em nota, negou qualquer interlocução entre Lula e Roberta.
O embate também incluiu acusações de corrupção no INSS, com Flávio alegando que o governo Lula não protege os aposentados. Lula rebateu que o esquema foi descoberto e combatido, citando a ação da Polícia Federal que indiciou 48 pessoas.
Outro ponto de tensão foi o pedido de R$ 134 milhões ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio acusou o presidente de envolvimento em suposta lavagem de dinheiro, enquanto Lula afirmou que o contrato não foi cumprido e que a investigação segue em curso.
Essas discussões reforçam a importância do cenário político nas decisões de investimento, já que políticas econômicas e reformas podem influenciar a confiança dos agentes de mercado.
Em resumo, a combinação de fatores externos – como os protestos europeus e os dados americanos – com o clima político interno cria um ambiente de alta volatilidade para o real e para o dólar. Investidores devem monitorar atentamente tanto os indicadores macroeconômicos quanto os desdobramentos políticos nas próximas semanas.








