Na segunda‑feira, 19 de julho, a Jeep lançou a linha 2027 do Compass com duas versões equipadas com o novo sistema híbrido leve (MHEV). O anúncio foi feito nas sedes da Stellantis no Brasil, destacando a chegada da motorização de 48 volts ao segmento de SUVs médios. Apesar da inovação, o modelo continua mais caro e menos econômico que os principais concorrentes de origem chinesa.
Novas motorização MHEV e suas especificações
A tecnologia MHEV de 48 V foi introduzida em duas versões: Longitude Night Eagle, com preço de R$ 206.990, e Série S, que sai por R$ 233.990. Ambas utilizam o motor TurboFlex de 1,3 L, que entrega 176 cv e está acoplado a uma transmissão automática de seis marchas.
O sistema híbrido leve substitui o motor de partida tradicional por um motor elétrico capaz de recuperar energia durante a frenagem e armazená‑la em um pequeno acumulador de 48 V. Essa energia é devolvida ao motor a combustão, proporcionando assistência extra em acelerações e reduzindo a carga sobre o pistão.
Segundo a montadora, a combinação pode gerar uma economia de até 11 % no consumo de combustível, embora os números oficiais do Inmetro mostrem 11,2 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, os valores caem para 8,0 km/l urbano e 8,7 km/l rodoviário.
Além da economia, o MHEV garante isenção do rodízio municipal em São Paulo e descontos no IPVA em seis estados, conforme a legislação local. Essa vantagem fiscal pode representar uma economia anual de alguns milhares de reais para o proprietário.
O mesmo conjunto de tecnologia híbrida já era utilizado no Jeep Renegade, mas agora chega ao Compass com ajustes que aumentam a potência de pico e melhoram a resposta do motor em situações de subida.
Para quem busca desempenho off‑road, a única versão da gama que mantém tração integral é a Blackhawk, equipada com o motor Hurricane TurboFlex de 272 cv. As demais versões – Sport, Longitude e as híbridas – permanecem com tração dianteira.
Comparativo de consumo e preço com concorrentes chineses
Ao analisar o mercado brasileiro, o Compass 2027 encontra concorrentes chineses que oferecem preços mais baixos e consumos mais competitivos. Modelos como o GWM Haval H6 One (HEV) e o Geely EX5 EM‑i Pro (PHEV) são vendidos por menos de R$ 200 mil.
A tabela a seguir apresenta alguns desses SUVs, seus tipos de motorização e o preço praticado em concessionárias nacionais:
- GWM Haval H6 One (HEV) – R$ 199.900
- Geely EX5 EM‑i Pro (PHEV) – R$ 191.490
- GAC GS4 (HEV) – R$ 189.990
- BYD Song Pro Flex (PHEV) – R$ 199.990
- Omoda 5 Luxury (HEV) – R$ 164.990
- Jaecoo 7 (PHEV) – R$ 189.990
- Leapmotor B10 (REEV) – R$ 179.990
- Caoa Chery Tiggo 7 Pro (PHEV) – R$ 209.990
- Leapmotor C10 (REEV) – R$ 219.990
Esses veículos apresentam consumos que variam entre 12 e 14 km/l na cidade quando abastecidos com gasolina, superando o desempenho do Compass híbrido. Além disso, a diferença de preço pode chegar a mais de R$ 30 mil em relação à versão mais barata da Jeep.
O fator preço ainda se reflete na proposta de valor: enquanto o Compass oferece um interior com acabamento premium e recursos avançados de assistência, os concorrentes chineses focam em oferecer tecnologia suficiente a um custo mais acessível.
Para consumidores que priorizam economia de combustível e preço de compra, a escolha pelos modelos chineses pode ser mais atraente. Contudo, quem valoriza a reputação da marca Jeep, a robustez da construção e a disponibilidade de rede de serviços ainda pode inclinar a balança para o Compass.
É importante notar que a política de incentivos fiscais para híbridos ainda é limitada no Brasil, o que reduz ainda mais a competitividade do MHEV frente a veículos que já são híbridos completos ou plug‑in.
Equipamentos, design e tecnologia de assistência
O Compass 2027 recebeu atualizações visuais que incluem rodas de 18 polegadas nas versões Sport e Longitude, enquanto as versões híbridas e a Blackhawk ganham rodas de 19 polegadas com design exclusivo. A cor Slash Gold, inédita na linha, também foi introduzida como opção de acabamento.
Internamente, a Jeep ampliou o uso de revestimento em suede – um tipo de camurça sintética – nos painéis de instrumentos e nas portas das versões Série S e Blackhawk. Todas as versões, porém, mantêm um revestimento interno premium de série.
Em termos de tecnologia de assistência, o Compass oferece um pacote ADAS de nível 2 que pode incluir piloto automático adaptativo com função Stop&Go, frenagem automática de emergência e assistente de centralização em faixa. Esses recursos variam conforme a versão e o nível de acabamento escolhido.
A conectividade também foi aprimorada: o painel digital de 10,25 polegadas continua como padrão, enquanto a central multimídia varia entre 8,4 polegadas na versão Sport e 10,1 polegadas com assistente de voz avançado na Longitude. O sistema Uconnect permite integração com Apple CarPlay e Android Auto.
Os equipamentos de conforto incluem ar‑condicionado automático de duas zonas, bancos com ajuste elétrico (nas versões mais caras) e sistema de som premium com oito alto‑falantes. As versões híbridas ainda recebem sensores de estacionamento dianteiro e traseiro.
Para quem busca aventura, a Blackhawk traz seletor de terrenos, controle automático de descida e suspensão reforçada, tornando‑a a única da gama preparada para trilhas exigentes.
Apesar de todas essas novidades, a linha 2027 mantém três versões sem o sistema híbrido: Sport, Longitude (ambas com motor TurboFlex de 176 cv) e Blackhawk (motor Hurricane TurboFlex de 272 cv). Essa estratégia permite que a Jeep atenda diferentes perfis de consumo e desempenho.
Em resumo, o Jeep Compass 2027 apresenta um conjunto robusto de tecnologias, mas ainda enfrenta desafios de preço e eficiência quando comparado a concorrentes chineses que oferecem híbridos mais econômicos a custos menores.








