As campanhas eleitorais de 2026 já declararam quase R$ 289 milhões em despesas com a Meta, empresa que controla Facebook, Instagram e WhatsApp. O levantamento, baseado nas prestações de contas do TSE, mostra um salto significativo em relação ao último pleito, que registrou R$ 129 milhões. Os números foram divulgados antes da conclusão do prazo de prestação de contas, que se encerra em 14 de novembro para os candidatos do segundo turno.
Crescimento dos gastos com a Meta
Desde 2018, a participação da Meta no orçamento das campanhas tem apresentado crescimento constante. Em 2018, a empresa recebeu apenas 0,7% do total gasto pelos candidatos, totalizando R$ 22,7 milhões. Em 2022, esse valor quase quadruplicou, alcançando R$ 129 milhões, e em 2026 já ultrapassa os R$ 288,7 milhões, um aumento de 1.171% em relação a 2018.
O impulso de conteúdos nas redes sociais tornou‑se uma estratégia central. Enquanto em 2018 o impulsionamento representava 2,5% do gasto total, em 2026 essa parcela já chega a 8,9% nos dados parciais. Essa mudança reflete a importância crescente das plataformas digitais para alcançar eleitores e moldar a opinião pública.
Distribuição dos recursos entre partidos e candidatos
Entre os partidos, o PL lidera os gastos com a Meta, declarando R$ 63,7 milhões, quase quatro vezes o valor registrado na eleição anterior. Em seguida, o PT apresenta R$ 37,9 milhões, o PSD R$ 30,3 milhões e a União Brasil R$ 23,3 milhões. Em 2018, o maior gastador era o PSD, com apenas R$ 3,4 milhões.
Os números individuais também revelam um cenário de concentração de recursos. Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao segundo turno, já investiu R$ 7,45 milhões na Meta, quase três vezes o gasto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que soma R$ 2,59 milhões. Em 2018, nenhum candidato ultrapassou a marca de R$ 1 milhão; em 2022, foram quatro; e em 2026, já são 24 candidatos com gastos que totalizam R$ 41 milhões.
- PL: R$ 63,7 milhões
- PT: R$ 37,9 milhões
- PSD: R$ 30,3 milhões
- União Brasil: R$ 23,3 milhões
Esses valores incluem serviços como verificação de contas, criação de anúncios e impulsionamento de postagens. Cada um desses itens tem regras específicas na legislação eleitoral, que permite apenas candidatos, partidos e coligações a contratarem tais serviços.
Desafios judiciais e perspectivas para o segundo turno
Na última segunda‑feira (19), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, concedeu 24 horas para que a Meta comprove o cumprimento da decisão da Corte que exigiu medidas de isonomia na distribuição de conteúdo político. A medida busca evitar favorecimento de candidatos nas plataformas digitais durante o segundo turno.
Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o senador Flávio Bolsonaro ingressaram com ações judiciais alegando que seus conteúdos foram prejudicados. As partes argumentam que a Meta teria limitado o alcance de suas publicações, violando princípios de igualdade de oportunidades.
Além disso, a legislação proíbe o pagamento a influenciadores digitais para promover candidaturas, o que inclui as chamadas “publis”. Mesmo manifestações espontâneas de apoio não podem ser impulsionadas ou monetizadas, reforçando a necessidade de transparência nos gastos.
Com o prazo final de prestação de contas se aproximando, espera‑se que os números se ajustem, mas a tendência indica que o recorde de gastos com a Meta deve ser mantido ou ampliado. O impacto desses investimentos nas estratégias de campanha ainda será analisado pelos especialistas em comunicação política.
Em síntese, a dependência crescente das plataformas da Meta evidencia a transformação digital da política brasileira. O volume de recursos direcionados ao impulsionamento de conteúdo demonstra que os candidatos enxergam nas redes sociais o principal canal para atingir eleitores, especialmente em um cenário de fragmentação da mídia tradicional.








