Na segunda‑feira, 19 de outubro, a pesquisa BTG/Nexus revelou que a maioria dos eleitores que ainda não definiram seu voto ou optam por branco ou nulo sentem que nenhum dos dois candidatos do segundo turno os representa. O levantamento, realizado entre 16 e 18 de outubro, traz novas nuances para o cenário eleitoral brasileiro.
Cenário geral da pesquisa e perfil dos eleitores indecisos
A amostra contou com 2.002 eleitores entrevistados por telefone, refletindo a diversidade de opiniões presentes no país. Dentre os respondentes, 8,4% declararam que ainda podem mudar de voto, enquanto 91,6% afirmam ter tomado uma decisão definitiva.
Os eleitores que se declararam brancos ou nulos representam 4,7% das intenções de voto, um número que, embora pequeno, pode ser decisivo em uma disputa tão equilibrada. Já os indecisos, que ainda ponderam entre as opções, são responsáveis por 78,4% da parcela que pode mudar de escolha.
Os números mostram que Flávio Bolsonaro lidera marginalmente nas intenções de voto válidas, com 46,5%, enquanto Lula registra 45,9%. Nos votos válidos, a diferença se estreita ainda mais, resultando em um empate técnico de 50,3% a 49,7% a favor de Flávio.
Motivos da falta de representação e rejeição simultânea
O motivo mais citado pelos brancos, nulos e indecisos para não escolher nenhum dos dois candidatos é a sensação de não ser representado por nenhum deles, citado por 42,9% dos entrevistados desse grupo. Esse índice aumentou significativamente em relação à rodada anterior, que registrava 34,7%.
Além da falta de representação, a rejeição simultânea aos dois candidatos aparece como segunda razão importante, com 35% das respostas. Esse número também subiu, de 28,2% na pesquisa anterior para 35% na atual.
Quando a rejeição é direcionada a apenas um candidato, Lula é o mais rejeitado, com 9,9% dos brancos, nulos e indecisos apontando essa razão. A rejeição exclusiva a Flávio Bolsonaro, por sua vez, caiu para 1%, contra 5,1% na rodada anterior.
- 42,9% – nenhum dos candidatos representa
- 35,0% – rejeição simultânea aos dois
- 9,9% – rejeição exclusiva a Lula
- 1,0% – rejeição exclusiva a Flávio Bolsonaro
Esses dados indicam que a maioria desse segmento não está simplesmente rejeitando um candidato, mas sim expressando uma insatisfação mais ampla com o campo político atual.
Possibilidade de mudança de voto e segunda escolha
Entre os eleitores que ainda podem mudar de voto, a principal segunda opção permanece sendo o voto branco ou nulo, citado por 59,3% dos respondentes. Lula surge como segunda escolha para 14,9% e Flávio Bolsonaro para 7,1%.
Os indecisos demonstram maior flexibilidade: 78,4% afirmam que ainda podem alterar sua decisão, enquanto apenas 10,7% dizem que sua posição já está definida. Entre os que já optaram por branco ou nulo, 25,1% ainda consideram mudar, ao passo que 74,9% mantêm a escolha.
Essas porcentagens revelam que a possibilidade de mudança não se traduz automaticamente em migração direta para um dos candidatos, mas pode resultar em um aumento do número de brancos ou nulos, reforçando a importância desse segmento nas margens da disputa.
Implicações para o segundo turno e projeções
Com a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula praticamente nula nos votos válidos, a decisão dos brancos, nulos e indecisos pode ser o fator decisivo para romper o empate. Se a maioria desses eleitores mantiver a postura de não se identificar com nenhum candidato, a taxa de brancos e nulos pode subir, potencialmente reduzindo a base efetiva de ambos os finalistas.
Por outro lado, se a tendência de mudança de voto se concretizar em apoio a um dos candidatos, o cenário pode mudar rapidamente. A pesquisa indica que, entre os que ainda podem mudar, a segunda escolha ainda favorece o voto em branco, mas há uma parcela considerável que poderia migrar para Lula ou Flávio.
Os analistas apontam que a estratégia de campanha nos próximos dias deverá focar em ampliar a sensação de representatividade, buscando conectar-se com as demandas específicas dos eleitores indecisos e dos que ainda consideram o voto nulo como forma de protesto. A capacidade de reduzir a percepção de “nenhum dos dois” pode ser crucial para virar a maré.
Em resumo, a nova pesquisa BTG/Nexus evidencia que a batalha eleitoral está longe de ser decidida, e que a parcela de eleitores que ainda não se posicionou ou opta por branco ou nulo continua a exercer influência significativa sobre o resultado final.








