A senadora Tereza Cristina (PP‑MS) afirmou, em entrevista inédita à revista ParlaMento da Esfera Brasil, que o Brasil precisa ampliar o acesso a fertilizantes. Ela destacou a urgência da medida para garantir a competitividade do agronegócio nacional. A declaração foi feita na última semana, durante um debate sobre políticas de apoio ao setor agrícola.
Desafios atuais do agronegócio brasileiro
O agronegócio brasileiro enfrenta vulnerabilidades crescentes devido à instabilidade dos mercados internacionais de insumos. A escassez de fertilizantes, combinada com a volatilidade cambial, tem pressionado os custos de produção. Além disso, a dependência de importações de países com políticas protecionistas eleva o risco de interrupções nas cadeias de suprimento.
Produtores de soja, milho e algodão relatam dificuldades para planejar a safra quando não há garantia de fornecimento de nutrientes essenciais. Essa insegurança pode reduzir a produtividade e comprometer a posição do Brasil como um dos maiores exportadores agrícolas do mundo. Por isso, a busca por soluções estratégicas torna‑se imprescindível.
Propostas de produção estratégica e diversificação de fornecedores
Tereza Cristina propôs que o governo incentive a produção nacional de fertilizantes, envolvendo diretamente a Petrobras e outras grandes empresas. Ela sugeriu que o Itamaraty atue na abertura de rotas alternativas de importação, reduzindo a dependência de poucos países fornecedores.
Para viabilizar a produção interna, a senadora recomenda um conjunto de medidas coordenadas:
- Mapeamento das capacidades produtivas da Petrobras e de outras estatais.
- Estabelecimento de parcerias público‑privadas para construção de novas plantas fertilizantes.
- Criação de linhas de crédito específicas para investidores do setor.
- Incentivos fiscais temporários para reduzir o custo de produção.
Essas ações visam acelerar a disponibilidade de insumos no curto prazo, ao mesmo tempo em que criam uma base sustentável para o médio e longo prazo. A diversificação de fornecedores, por sua vez, inclui a busca de acordos comerciais com países que ofereçam condições mais estáveis e preços competitivos.
A Lei da Reciprocidade Econômica como ferramenta de negociação
Como relatora da Lei da Reciprocidade Econômica no Senado, Tereza Cristina enfatizou que esse instrumento deve ser usado como último recurso nas negociações com os Estados Unidos. Ela ressaltou que a lei é poderosa, mas que o diálogo deve prevalecer sempre que possível.
Segundo a senadora, o Brasil deve entrar nas mesas de negociação com propostas concretas e bem definidas. Isso inclui identificar claramente quais concessões são aceitáveis e quais pontos são inegociáveis para proteger os interesses nacionais.
Ela destacou que o sucesso das negociações depende de um planejamento estratégico que considere tanto os benefícios imediatos quanto os impactos de longo prazo sobre a soberania econômica. O objetivo, segundo Tereza Cristina, é alcançar acordos que fortaleçam a cadeia produtiva agrícola sem comprometer a autonomia do país.
Em síntese, a proposta da senadora combina ações de curto prazo – como rotas alternativas e linhas de crédito – com estratégias de longo prazo, como a produção nacional de fertilizantes e o uso criterioso da Lei da Reciprocidade Econômica. Essa abordagem integrada busca garantir a segurança alimentar, a competitividade internacional e a resiliência do agronegócio brasileiro diante de crises globais.








