Na segunda semana de julgamento, o ator e comediante britânico Russell Brand foi novamente confrontado com acusações de estupro e agressão sexual, enquanto o júri ouviu o relato de uma terceira denunciante. O depoimento gravado à polícia foi exibido ao público em 19 de outubro de 2026, no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres. A testemunha descreveu como tentou se desligar da situação, fechando os olhos durante o suposto ataque.
Contexto do julgamento
O processo contra Brand começou a ganhar atenção internacional em 2023, quando várias mídias investigativas divulgaram alegações de má conduta sexual envolvendo o comediante. Desde então, o tribunal tem ouvido depoimentos de seis mulheres, cujas acusações datam de 1999 a 2009. O ator, de 51 anos, nega todas as acusações, alegando que se trata de uma campanha de difamação.
O julgamento, conduzido no Tribunal da Coroa de Southwark, segue um calendário rígido, com sessões diárias de duas a três horas. Cada testemunha tem direito a apresentar seu relato, que é posteriormente analisado pelos jurados. A defesa tem a oportunidade de interrogar as vítimas, enquanto o Ministério Público busca demonstrar a credibilidade dos depoimentos.
Além das acusações de estupro, Brand enfrenta três acusações de agressão sexual e uma de atentado ao pudor. O conjunto de cargos foi resumido em uma lista que o tribunal disponibilizou publicamente:
- Estupro – 3 acusações
- Agressão sexual – 3 acusações
- Atentado ao pudor – 1 acusação
Depoimento da terceira denunciante
A mulher que prestou o terceiro depoimento relatou que o incidente ocorreu enquanto ela conversava com Brand sobre o programa “Big Brother’s Big Mouth”. Segundo sua versão, o ator agarrou seus seios de forma inesperada, interrompendo a entrevista e provocando um choque imediato.
Em seguida, a testemunha afirmou que Brand a arrastou para um banheiro onde o chão estava alagado, descrevendo o ambiente como “um cenário de filme de terror”. Lá, ele teria aberto o zíper de sua calça e realizado um ato sexual forçado, que a vítima descreveu como um estupro oral.
A denunciante disse que, durante o ataque, tentou se proteger mentalmente: “Eu simplesmente fechei os olhos e tentei não estar ali”. Ela acrescentou que sentiu uma força que a impedia de se mover, mas que sua vontade de escapar permaneceu viva.
Após o suposto ato, Brand teria sorrido de maneira exagerada, “como um palhaço”, e proposto trocar números de telefone, como se nada tivesse acontecido. A mulher, então, entrou em contato com o produtor do programa dias depois, alertando sobre o comportamento do comediante.
O produtor, segundo o relato, respondeu com descrença, afirmando que não acreditava nas acusações. Essa resposta desencadeou a decisão da vítima de levar o caso à polícia quase duas décadas depois, em setembro de 2023.
Repercussões e respostas
O depoimento gerou reações intensas nas redes sociais, com usuários divididos entre apoiar a vítima e defender a inocência de Brand. Organizações de direitos das mulheres aproveitaram o momento para reforçar a importância de ouvir e acreditar nas vítimas de violência sexual.
Por outro lado, representantes da indústria do entretenimento questionaram a validade das acusações, citando a falta de provas físicas e a passagem de tempo como obstáculos ao julgamento justo. Alguns colegas de trabalho do ator manifestaram apoio público, destacando sua carreira e carisma.
O Ministério Público, ao apresentar o testemunho, enfatizou que a consistência dos detalhes – como a descrição do banheiro alagado e o sorriso “palhaço” – reforça a credibilidade da denunciante. Advogados de defesa, porém, apontaram contradições percebidas nas narrativas das vítimas, tentando semear dúvidas nos jurados.
Enquanto isso, a esposa de Russell Brand, Laura Brand, compareceu ao tribunal ao lado do marido, mantendo silêncio público. A presença dela tem sido interpretada como um gesto de apoio, embora a família tenha solicitado privacidade durante o processo.
Impacto e perspectivas futuras
Independentemente do veredicto, o caso tem potencial para influenciar a forma como acusações de abuso sexual são tratadas no Reino Unido. Especialistas apontam que a exposição midiática pode encorajar outras vítimas a denunciar, mesmo após longos períodos.
Além disso, o julgamento pode servir de precedente para a aplicação de leis que protegem vítimas de assédio e agressão sexual no ambiente de trabalho, especialmente em indústrias de mídia e entretenimento. Legisladores já manifestaram interesse em revisar procedimentos de investigação interna em empresas de produção televisiva.
Para a própria Russell Brand, o processo pode significar o fim de sua carreira pública, caso seja considerado culpado. Até o momento, ele mantém a postura de que todas as acusações são infundadas e que a justiça será feita.
Observadores internacionais continuam acompanhando o caso, que reflete uma tendência global de maior responsabilização de figuras públicas por comportamentos abusivos. O julgamento, portanto, representa mais do que um conflito jurídico; ele simboliza um ponto de inflexão cultural na luta contra a violência sexual.
O desfecho ainda está por vir, mas o testemunho da terceira denunciante já deixou marcas profundas na percepção pública sobre o caso. A esperança, expressa pela vítima, é que seu relato contribua para um futuro mais seguro para suas filhas e para todas as mulheres que enfrentam situações semelhantes.








