Em entrevista concedida à CNN Brasil, a advogada Roberta Luschinger, amiga pessoal de Fábio Luiz Lula da Silva, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula mentiu ao negar encontros do filho com membros do governo e revelou detalhes sobre reuniões que teriam envolvido a liberação de canabidiol. A declaração, feita na última semana em Brasília, trouxe novas acusações ao cenário político nacional.
Acusações contra o presidente e detalhes dos encontros
Luschinger declarou que é notório que Fábio Luiz, conhecido como Lulinha, esteve em contato frequente com ministros, inclusive viajando para a residência do ministro Camilo Santana. Segundo a advogada, o presidente teria dito publicamente que seu filho nunca se sentou com ministros, mas ela contestou a afirmação, alegando que as reuniões eram semanais.
“Lula é um grande mentiroso quando fala ‘ela é uma pilantra, mas meu filho não’. Meu filho jamais se sentava com ministro? Isso não corresponde à realidade”, disse Luschinger, ressaltando que as visitas incluíam trocas de ideias e até “troca de figurinha” entre os participantes.
Envolvimento na discussão sobre canabidiol
A advogada também afirmou que o filho do presidente participou de conversas sobre a liberação e a comercialização do extrato de maconha, conhecido como canabidiol (CBD). Ela explicou que atuou nos bastidores para que o produto fosse adquirido pelo Ministério da Saúde, mas negou ter participado diretamente das negociações.
“Ele estava comigo o tempo inteiro, mas eu não participei das discussões específicas sobre o canabidiol”, esclareceu Luschinger, que se descreve como amiga do presidente, mas não como intermediária nos negócios.
Motivações para a denúncia e ameaças recebidas
Luschinger justificou o momento da revelação ao relatar que tem sido alvo de agressões e ameaças desde o início das investigações. Ela afirmou que o presidente a rotulou de “pilantra” em entrevistas, o que teria intensificado as perseguições contra ela e sua família.
“Estou fazendo isso pela segurança das minhas duas filhas. Recebo ameaças de morte e tentativas de me calar”, declarou, acrescentando que decidiu falar publicamente para defender sua própria integridade.
Relações pessoais e encontros com figuras influentes
De acordo com Luschinger, ela apresentou o filho do presidente ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em um encontro de caráter social. Ela enfatizou que não havia negócios envolvidos naquele momento e que quaisquer acordos posteriores foram feitos entre o empresário e o filho do presidente, sem sua intermediação.
Além disso, a advogada descreveu a dinâmica de sua mansão alugada em Brasília, onde ela e Fábio Luiz dividiam quartos próximos e recebiam visitas de ministros como Frederico Siqueira Filho (Comunicações), Leonardo Barchini (Educação) e o ex‑chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, apelidado de Marcola.
- Frederico Siqueira Filho – Ministério das Comunicações
- Leonardo Barchini – Ministério da Educação
- Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola) – Ex‑chefe de gabinete
Luschinger contou que muitos ministros buscavam apoio junto a ela para conseguir agenda ou prioridade, já que, segundo ela, o presidente não teria conhecimento detalhado das atividades que ocorriam na antessala do Palácio do Planalto.
“Era um jeito até meio bagunçado e amador de agir. Um presidente da República que não sabe o que acontece na antessala dele, ou é mentiroso, ou está senil”, criticou, citando também comentários de Ciro Nogueira sobre a suposta incapacidade de Lula.
Possível colaboração com a Justiça
Luschinger manifestou a intenção de colaborar com as investigações por meio de delação premiada, afirmando que não poupará ninguém, inclusive o presidente. Ela alegou que tem documentos e gravações que podem comprovar os encontros e as conversas sobre o canabidiol.
“Estou disposta a entregar tudo que tenho, para que a verdade seja esclarecida. Não tenho medo de enfrentar o que for necessário”, garantiu.
O caso ainda está em fase inicial, mas já gera debates intensos sobre a transparência nas relações entre familiares de autoridades e membros do Executivo, bem como sobre a influência de interesses privados nas decisões de saúde pública.
Especialistas em direito constitucional apontam que, se comprovadas, as alegações podem configurar violação ao princípio da impessoalidade e ao dever de probidade administrativa, além de potencialmente configurar crime de favorecimento.
Para o público, a entrevista trouxe um novo capítulo nas controvérsias que cercam a família presidencial, reforçando a necessidade de investigações independentes e de mecanismos de controle mais rigorosos sobre o contato entre autoridades e terceiros.








