Lula e Flávio Bolsonaro utilizam o Instagram de forma distinta na reta final da eleição de 2026, revelando estratégias opostas entre ataque e mobilização de eleitores. Até 14 de outubro, os perfis oficiais dos candidatos mostraram mudanças marcantes no volume e no teor das publicações. A análise cobre o período de 1º de janeiro a 14 de outubro, incluindo pré-campanha e campanha oficial.
Estratégias de publicação nas fases da campanha
Na pré-campanha, Flávio Bolsonaro foi o mais ativo, publicando com frequência e gerando alto engajamento. Seu discurso era agressivo, citando Lula em cerca de 20% das postagens. Em contraste, Lula mantinha um perfil mais institucional, sem mencionar o adversário.
Com o início oficial da campanha em 16 de agosto, o cenário se inverteu. Lula passou a liderar em número de publicações, enquanto Flávio reduziu a frequência, mas aumentou o alcance médio de cada post.
- 1.305 publicações na pré-campanha (até 15/08).
- 824 publicações na campanha (a partir de 16/08).
- Lula: +45% de volume de posts na campanha.
- Flávio: -30% de volume, mas +20% de alcance médio.
Essa inversão refletiu uma mudança de objetivo: Lula passou a atacar diretamente o rival, enquanto Flávio focou em mensagens de incentivo ao voto e ao confronto direto com o eleitorado.
Mudança de discurso de Lula e diminuição de ataques de Flávio
Durante a primeira metade do ano, Lula não citou “Bolsonaro” nem “Flávio” em nenhuma legenda. Já Flávio mencionou “Lula” em 21% das postagens, destacando o “governo Lula” como tema recorrente.
No primeiro turno, a presença do nome do adversário nas publicações de Lula subiu para cerca de 4%. No segundo turno, essa frequência saltou para 26%, com “Flávio Bolsonaro” aparecendo em 20% das legendas, superando até mesmo termos como “povo brasileiro”.
Um vídeo publicado em 8 de outubro, iniciado com a frase “O Brasil perde com Flávio Bolsonaro”, acumulou 22,3 milhões de reproduções, evidenciando o impacto do discurso agressivo de Lula.
Por outro lado, Flávio reduziu a menção a Lula para 18% no primeiro turno e 15% no segundo. Apesar da menor frequência, seus posts de confronto direto geraram alto engajamento, como o vídeo de 14 de outubro que anunciava sua participação no debate da TV Bandeirantes, com a frase “vou esfregar a verdade na tua cara”. O conteúdo alcançou 26,2 milhões de visualizações, tornando‑se o mais visto do senador no segundo turno.
- Vídeo de 14/10: 26,2 mi de reproduções.
- Vídeo de 8/10: 22,3 mi de reproduções.
- Post de 25/09 (Lula): 1,6 mi de interações por proibição de apostas esportivas.
Esses números mostram que, embora Flávio tenha reduzido a quantidade de ataques nominais, a eficácia de cada mensagem aumentou, reforçando sua estratégia de “vote e vencer”.
Impactos das restrições e falhas técnicas no Instagram
Em 16 de setembro, a Folha de S.Paulo revelou que funcionários da Meta reconheceram restrições que teriam prejudicado as contas de Lula na rede social. A Meta negou interferência nas eleições, atribuindo o problema a uma falha técnica ocorrida em 7 de outubro, que congelou contagens de visualizações por cerca de cinco horas em mais de 100 países.
A empresa explicou que, embora as métricas tenham sido afetadas, o conteúdo continuou sendo distribuído normalmente. Essa interrupção, porém, coincidiu com um período crítico da campanha, levantando dúvidas sobre possíveis impactos na percepção dos eleitores.
Além das questões técnicas, o vocabulário de Lula evoluiu ao longo da campanha. Na pré-campanha, ele utilizava termos ligados ao governo, como “indústria”, “programa” e “Mercosul”. No primeiro turno, surgiram palavras como “oportunidades”, “educação” e “garantir”. Já no segundo turno, o discurso ganhou um tom mais mobilizador, com expressões como “Bora” e chamadas diretas ao eleitorado.
Essa mudança de linguagem reflete a necessidade de adaptar a mensagem ao momento eleitoral, buscando tanto informar quanto incitar a participação nas urnas.
- Palavras-chave da pré-campanha: “indústria”, “programa”, “estudantes”.
- Primeiro turno: “oportunidades”, “educação”, “garantir”.
- Segundo turno: “Bora”, “votar”, “vencer”.
Em resumo, a análise demonstra que o Instagram se consolidou como palco principal de comunicação política em 2026, permitindo que candidatos ajustem rapidamente suas estratégias de conteúdo, linguagem e frequência de postagens. Enquanto Lula adotou uma postura ofensiva ao aumentar a menção ao rival, Flávio Bolsonaro privilegiou mensagens curtas e focadas no chamado ao voto, obtendo maior eficiência por publicação.
Os dados também apontam para a importância de fatores externos, como possíveis restrições de algoritmo e falhas técnicas, que podem influenciar a visibilidade e o alcance das mensagens. A capacidade de adaptar-se a esses desafios será decisiva para futuros candidatos que pretendam explorar as redes sociais como principal canal de campanha.








