Uma pesquisa realizada pelo Datafolha entre os dias 13 e 14 de outubro revelou que a proposta de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos conta com apoio de 89% dos eleitores que pretendem votar em Flávio Bolsonaro e de 70% daqueles que apoiam Lula. O levantamento, divulgado neste sábado, 17 de outubro, abrangeu todo o território nacional e contou com 2.520 entrevistas presenciais.
Contexto da pesquisa e metodologia
A amostra foi composta por cidadãos a partir de 16 anos, selecionados de forma aleatória em todas as regiões do Brasil. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, o que garante robustez aos resultados apresentados.
Além da questão da maioridade penal, o estudo também mediu as intenções de voto para o segundo turno da eleição presidencial de 2026, indicando que Flávio Bolsonaro tem 47% das intenções e Lula 45%, um empate técnico dentro da margem de erro.
Divisão do apoio segundo a preferência política
Quando analisamos o apoio à redução da maioridade penal por linha partidária, a diferença é marcante. Entre os eleitores que declararam voto em Lula (Partido dos Trabalhadores), 70% são favoráveis à medida, enquanto entre os que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (Partido Liberal), o apoio chega a 89%.
Esses números mostram como a questão penal está fortemente ligada à identidade política dos eleitores, reforçando a polarização que já se observa em outros temas de segurança pública.
- Eleitores de Lula: 70% a favor
- Eleitores de Flávio Bolsonaro: 89% a favor
- Brasil inteiro: 80% a favor
Tendências históricas e estabilidade dos resultados
Embora a maioria dos brasileiros apoie a redução da maioridade penal, o índice atual representa o menor patamar registrado pelo Datafolha desde que iniciou o acompanhamento em 2003. O pico de apoio foi em abril de 2015, quando 87% dos entrevistados eram favoráveis.
Comparado à pesquisa anterior, realizada em junho, os percentuais de apoio, oposição, indiferença e desconhecimento mudaram no máximo um ponto percentual, permanecendo dentro da margem de erro. Isso indica estabilidade nas opiniões, apesar de pequenas oscilações.
Os contrários à medida subiram de 17% para 18% entre junho e outubro, enquanto os que não sabem opinar caíram de 3% para 2%. O percentual de eleitores indiferentes manteve-se em 1%.
Impactos nas eleições de 2026
Os resultados da pesquisa têm implicações diretas nas estratégias de campanha dos candidatos. Flávio Bolsonaro, ao observar que quase nove em cada dez de seus eleitores apoiam a redução da maioridade penal, pode usar o tema como pilar de segurança pública em seu discurso.
Por outro lado, Lula, apesar de contar com 70% de apoio entre seus eleitores, precisará equilibrar a mensagem para não alienar os 30% que se opõem à medida, especialmente em estados onde a questão da violência tem maior peso eleitoral.
Além disso, a pesquisa aponta que a rejeição de Lula se mantém em 46%, enquanto a de Flávio Bolsonaro está em 44%, números que podem influenciar a percepção de viabilidade das propostas de cada candidato.
Os números de votos válidos – que excluem brancos, nulos e indecisos – mostram Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49%, reforçando a importância de cada ponto percentual nas urnas.
Em termos de mobilização, as recentes manifestações de apoio a Lula nas capitais, como a reunião na Avenida Paulista, podem mudar a dinâmica de apoio ao tema penal, já que eleitores mais engajados tendem a responder a chamadas de segurança pública com maior atenção.
Por fim, a pesquisa Datafolha, registrada sob o número BR-00466/2026 na Justiça Eleitoral, serve como referência oficial para partidos, candidatos e analistas que buscam entender o cenário político e social que antecede o pleito de 25 de outubro.
Conclusões e perspectivas futuras
O apoio à redução da maioridade penal permanece alto, mas demonstra variações significativas entre as bases eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro. Essa divisão reflete a complexidade do debate sobre segurança pública no Brasil, onde fatores como violência urbana, percepção de justiça e identidade partidária se entrelaçam.
Com a proximidade do segundo turno, espera‑se que os candidatos intensifiquem o uso de temas de segurança para conquistar eleitores indecisos. Entretanto, a estabilidade observada nas margens de erro indica que mudanças abruptas de opinião são improváveis nos próximos dias.
Os analistas deverão acompanhar de perto as próximas pesquisas, especialmente aquelas que abordam outras políticas criminais, para entender se a redução da maioridade penal continuará a ser um ponto de convergência ou se surgirão novas demandas da sociedade brasileira.








