A nova pesquisa realizada pelo Ipespe, em parceria com a Abrapel, divulgada neste sábado, 17 de outubro, apresenta a distribuição de intenções de voto entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno da eleição presidencial, previsto para o próximo domingo. Os números mostram uma diferença de apenas 2,4 pontos percentuais entre os candidatos, indicando uma corrida ainda muito apertada.
Cenário geral da disputa
Quando os entrevistados recebem os nomes dos dois candidatos, Flávio Bolsonaro soma 48% das intenções de voto, enquanto Lula alcança 46%. A soma de brancos, nulos e indecisos chega a 6%, distribuídos entre 3% para cada categoria. Essa margem está dentro do erro estatístico de 2,6 pontos, o que significa que a liderança pode mudar a qualquer momento.
Em uma pergunta sem a apresentação dos nomes, Flávio registra 47% e Lula 44%, com 5% dos entrevistados indicando que não escolheriam nenhum dos dois ou optariam por voto branco ou nulo. A diferença de três pontos entre as duas perguntas evidencia a importância da visibilidade dos nomes nas urnas.
Comparando com a pesquisa anterior, realizada entre 6 e 8 de outubro, Flávio caiu um ponto percentual, passando de 49% para 48%, enquanto Lula subiu dois pontos, de 44% para 46%. Esses movimentos permanecem dentro da margem de erro, mas apontam para uma leve tendência de recuperação do petista.
Análise demográfica e regional
Os recortes por gênero revelam um abismo entre homens e mulheres. Entre os homens, Flávio lidera com 53% contra 41% de Lula. Já entre as mulheres, a situação se inverte: Lula obtém 51% e Flávio 43%.
Por faixa etária, o candidato do PL tem maior força entre eleitores de 35 a 59 anos, alcançando 51% contra 44% de Lula. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula vira a mesa, com 50% frente a 44% de Flávio.
A renda também desenha linhas claras. Entre quem ganha até dois salários mínimos, Lula lidera com 54% e Flávio tem 40%. Na faixa de dois a cinco salários, a balança se inverte: Flávio chega a 54% contra 41% de Lula. Acima de cinco salários, os percentuais permanecem idênticos ao grupo anterior, 54% a 40%.
- Nordeste: Lula 61% x Flávio 31%
- Norte/Centro-Oeste: Flávio 53% x Lula 47%
- Sudeste: Flávio 53% x Lula 47%
- Sul: Flávio 61% x Lula 34%
As diferenças religiosas são ainda mais marcantes. Entre os católicos, Lula tem 49% enquanto Flávio registra 46%. Entre os evangélicos, a vantagem de Flávio se amplia, atingindo 62% contra apenas 30% de Lula. Já entre os entrevistados sem religião ou que não responderam, Lula lidera com 56% e Flávio fica com 37%.
Intensidade do engajamento dos eleitores
Ao ser questionado sobre a probabilidade de comparecer às urnas, 89% dos entrevistados atribuíram nota 10, indicando certeza absoluta de que votarão. Esse índice é ainda maior entre os eleitores de Flávio (92%) e ligeiramente menor entre os de Lula (88%).
Considerando apenas esse grupo de eleitores altamente engajados, Flávio passa a ter 50% de intenção de voto, enquanto Lula recua para 46%. Brancos, nulos e indecisos somam 2% cada, e o resultado dos votos válidos desse segmento fica em 52,2% a favor de Flávio e 47,8% para Lula.
O Ipespe também cruzou as intenções de voto do segundo turno com o voto declarado no primeiro turno. Entre os eleitores que apoiaram Augusto Cury, 50% agora dizem que votariam em Flávio, contra 31% que migrariam para Lula. No eleitorado de Ronaldo Caiado, a preferência por Flávio chega a 59% e Lula a 18%.
No caso dos eleitores de Renan Santos, Flávio tem 40% e Lula 20%, com 32% optando por voto branco ou nulo. Esses números demonstram que, apesar da polarização, a maioria dos eleitores mantém fidelidade ao candidato que apoiou no primeiro turno – 97% dos eleitores de Flávio permanecem com ele e 96% dos eleitores de Lula continuam ao seu lado.
Os resultados apontam ainda para a importância do voto decisivo dos eleitores indecisos ou que ainda não declararam preferência. Mesmo que representem apenas 3% a 5% da amostra, eles podem ser decisivos em uma disputa tão equilibrada.
Em síntese, a pesquisa indica que a corrida está extremamente apertada, com margens dentro do erro estatístico e com diferenças marcantes entre grupos demográficos. O próximo domingo pode trazer surpresas, sobretudo se houver mobilização de eleitores que ainda não se decidiram ou que pretendem votar em branco ou nulo.
Os analistas políticos ressaltam que, além das porcentagens, o comportamento de voto nas regiões e entre diferentes faixas de renda pode influenciar a estratégia de campanha nos últimos dias. O candidato que conseguir ampliar sua base entre os eleitores de classe média alta e nos estados do Sul, por exemplo, pode conquistar a vitória.
Por fim, a pesquisa reforça a necessidade de atenção ao combate à desinformação e ao incentivo ao comparecimento às urnas. Com 89% dos entrevistados afirmando certeza de voto, o risco de abstenção parece baixo, mas a intensidade da disputa pode gerar pressão sobre a logística e a segurança nas mesas de votação.








