O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda‑feira que pretende substituir o nome “inteligência artificial” por “Superinteligência” em documentos oficiais. A proposta foi feita durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, e já está circulando nas redes sociais e na imprensa internacional.
Trump propõe renomear a IA para “Superinteligência”
Em seu discurso na ONU, Trump afirmou que o termo “inteligência artificial” soa como se a tecnologia fosse fictícia e que a nova designação refletiria melhor seu potencial real. Ele sugeriu que, a partir de agora, todos os documentos dos EUA – e possivelmente de outros países – adotem a expressão “Superinteligência”.
Antes de chegar a essa escolha, o presidente utilizou a plataforma Truth Social para consultar seus seguidores. As enquetes apresentaram as seguintes opções:
- Inteligência Superior (IS)
- Inteligência Extrema (IE)
- Inteligência Suprema (IS)
Dois dias depois, uma nova votação ofereceu apenas “Superinteligência” contra “Inteligência Superior”. Nenhum dos posts explicou como a mudança seria implementada nem buscou o aval da comunidade tecnológica.
Além disso, Trump gerou controvérsia ao declarar que quem continuar usando o termo “inteligência artificial” será tratado como “inimigo”. A afirmação provocou reações imediatas de especialistas e do público.
Reações da comunidade científica
Anderson Soares, considerado o brasileiro mais influente em IA, ressaltou que o conceito de inteligência ainda não tem definição consensual nas ciências biológicas, nem na área tecnológica. Para ele, mudar o nome seria mais um gesto político do que um avanço técnico.
Cleber Zanchettin, professor da UFPE, alertou que a maioria da população ainda tem pouco conhecimento sobre a tecnologia, o que pode gerar resistência ao novo termo. Ele destacou que produtos rotulados como IA já enfrentam certo medo no mercado.
Allan Pscheidt, pesquisador de IA, comparou a iniciativa de Trump a uma demonstração de poder, semelhante à corrida espacial dos anos 60. Segundo ele, a proposta não altera a definição científica da tecnologia, mas busca reforçar a soberania dos EUA no cenário internacional da IA.
Impacto na opinião pública
Uma pesquisa recente do Pew Research Center revelou que 52% dos brasileiros estão mais preocupados do que animados com o avanço da IA. Nos Estados Unidos, a percepção é ainda mais crítica: nove em cada dez americanos expressam preocupação sobre a possibilidade de a IA superar a inteligência humana.
Esses números mostram que a maioria das pessoas ainda está tentando compreender o que a IA faz no dia a dia, como assistentes virtuais, recomendações de conteúdo e ferramentas de produtividade.
O medo pode ser alimentado por narrativas sensacionalistas e por falta de educação digital. Quando autoridades políticas introduzem mudanças terminológicas sem explicação, o risco de confusão e desconfiança aumenta.
Contexto histórico e geopolítico
Embora o termo “inteligência artificial” tenha se popularizado nas últimas décadas, sua origem remonta a pesquisas dos anos 1950, quando cientistas como John McCarthy começaram a explorar máquinas capazes de simular processos cognitivos humanos.
Ao longo de mais de setenta anos, a tecnologia evoluiu de simples algoritmos de busca para sistemas avançados como ChatGPT, Gemini, Claude e outras plataformas que geram texto, imagens e códigos. Essa evolução tem impulsionado debates sobre regulação, ética e competitividade global.
Trump posiciona a mudança de nomenclatura como parte de uma estratégia para reforçar a liderança americana na corrida pela chamada AGI – Inteligência Artificial Geral – que busca criar máquinas com capacidade cognitiva equivalente à humana.
Especialistas alertam que, ao focar em rótulos políticos, corre‑se o risco de desviar a atenção das questões técnicas essenciais, como transparência de algoritmos, viés de dados e responsabilidade legal.
Em resumo, a proposta de substituir “inteligência artificial” por “Superinteligência” levanta dúvidas sobre sua viabilidade prática, seu impacto na percepção pública e seu real propósito dentro da disputa geopolítica pela supremacia tecnológica.








