Astrônomos identificaram, pela primeira vez, uma estrela com brilho esverdeado. A descoberta foi anunciada na quinta‑feira, 15 de maio, na revista RAS Techniques and Instruments. O objeto, uma anã branca chamada WD J1330+6435, está a cerca de 280 anos‑luz da Terra, na constelação de Draco.
Características da anã branca verde
WD J1330+6435 pertence ao grupo das anãs brancas, remanescentes estelares que perderam seu combustível nuclear. Diferente das estrelas de sequência principal, essas estrelas possuem massa semelhante à metade do Sol, porém comprimida em um volume comparável ao da Terra.
A cor verde‑limão observada não é típica de anãs brancas, que geralmente apresentam tonalidade branca ou amarelada. A peculiaridade surge da presença de elementos químicos específicos na camada externa da estrela.
- Cálcio
- Lítio
- Sódio
Esses elementos foram depositados após a queda de detritos rochosos de planetas que orbitavam a estrela. O processo de “poluição” química alterou a forma como a superfície absorve e reflete a luz.
Por que a cor verde aparece?
Em estrelas comuns, o sódio absorve um comprimento de onda estreito na faixa alaranjada, produzindo linhas de absorção bem definidas. Na anã branca estudada, o sódio se comporta de maneira diferente.
Ele passa a absorver não só o laranja, mas também parte dos comprimentos de onda amarelos e alguns vermelhos. O espectro que resta é dominado por luz verde‑limão, que o olho humano percebe como uma cor vibrante.
Esse fenômeno foi descrito pelo astrofísico Mark Hollands, da Universidade de Warwick, como uma “mistura de cores na paleta de um pintor”. Quando uma cor básica é removida, o resultado final muda drasticamente.
O estudo que revelou a estrela verde
Os pesquisadores analisaram 151 anãs brancas situadas em um raio de aproximadamente 65 anos‑luz da Terra. O objetivo era entender como as cores desses objetos seriam percebidas pelo olho humano.
A maioria dos objetos estudados exibiu a cor branca, confirmando a expectativa tradicional. Contudo, WD J1330+6435 destacou‑se como a única anã branca com tonalidade verde‑limão.
O projeto utilizou espectroscopia de alta resolução para identificar as assinaturas químicas na superfície das estrelas. A presença de sódio em abundância foi o principal indicativo da mudança cromática.
Implicações e curiosidades
A descoberta tem importância tanto científica quanto cultural. Ela demonstra que o Universo pode produzir cores que antes eram consideradas exclusivas da ficção científica.
Estrelas verdes já apareceram em obras de ficção, como no filme “Supergirl” da DC, mas até agora não havia evidência observacional de uma estrela real com essa tonalidade.
Além de ampliar o conhecimento sobre a evolução das anãs brancas, o achado abre caminho para novas pesquisas sobre a interação entre restos planetários e estrelas mortas.
Os cientistas sugerem que outras anãs brancas podem apresentar cores incomuns, caso tenham passado por processos semelhantes de “contaminação” por material planetário.
Para o público geral, a notícia oferece uma narrativa fascinante: um objeto tão pequeno quanto a Terra pode exibir uma cor tão viva quanto a de um semáforo.
Os resultados também reforçam a importância de observatórios que capturam espectros detalhados, permitindo a identificação de elementos químicos em objetos distantes.
Em termos de classificação estelar, a descoberta desafia a ideia simplista de que a cor de uma estrela está unicamente ligada à sua temperatura. A composição química pode, em casos específicos, modificar drasticamente a aparência visual.
Os autores do estudo planejam expandir a amostra para incluir anãs brancas a até 200 anos‑luz, buscando novos casos de cores atípicas.
Enquanto isso, a comunidade astronômica celebra a primeira estrela verde oficialmente confirmada, um marco que pode inspirar tanto pesquisas futuras quanto obras de arte.
Para os entusiastas da astronomia, a localização da estrela na constelação de Draco facilita sua observação em telescópios de médio porte, embora a cor verde só seja perceptível com equipamentos espectroscópicos avançados.
Em resumo, a anã branca WD J1330+6435 prova que o cosmos ainda guarda surpresas cromáticas, lembrando que a ciência está sempre pronta a redefinir limites previamente aceitos.








