Em entrevista concedida à TV Globo nesta quinta‑feira, 15 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com o aumento da dívida pública e defendeu que a solução passa por estimular o crescimento da economia, e não por cortes que atinjam os mais pobres.
Preocupação com o endividamento crescente
Lula explicou que o ritmo acelerado da dívida tem gerado inquietação no governo, sobretudo porque compromete a capacidade de investimento em áreas sociais. Ele ressaltou que, se o controle orçamentário se perder, os efeitos mais graves recairão sobre a população de baixa renda.
O presidente também comentou a avaliação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de que o modelo de crescimento baseado no estímulo ao consumo está se esgotando. Segundo Lula, essa análise reforça a necessidade de buscar alternativas que ampliem a produção e a geração de renda.
Para o mandatário, a preocupação não se limita ao número absoluto da dívida, mas ao seu impacto estrutural na economia. Ele destacou que a falta de crescimento suficiente pode transformar a dívida em um peso insustentável para as finanças públicas.
Crescimento econômico como solução fiscal
O argumento central de Lula é que a única maneira eficaz de reduzir o déficit e conter a dívida é fazer a economia crescer. Ele afirmou que cortes indiscriminados nos gastos sociais não são a resposta, pois acabam penalizando quem mais precisa.
Ao relembrar os primeiros mandatos, o presidente citou três conquistas que, segundo ele, foram possíveis graças ao crescimento econômico:
- Quitação da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI);
- Acúmulo de reservas internacionais robustas;
- Elevação da posição do Brasil entre as maiores economias do mundo.
Esses marcos, segundo Lula, demonstram que o estímulo ao consumo e ao investimento pode gerar resultados concretos e duradouros. Ele reforçou que a política de crédito e incentivo à microeconomia deve ser mantida e ampliada.
O presidente ainda sublinhou que a estratégia de “fazer o dinheiro rodar na mão do povo” é fundamental para criar um ciclo virtuoso de demanda e produção. Essa abordagem, ele acredita, traz mais empregos e aumenta a arrecadação sem sobrecarregar os mais vulneráveis.
Desafios e propostas para o futuro
Lula reconheceu que há divergências entre o governo e alguns economistas quanto à condução da política econômica. Contudo, ele manteve firme a posição de que não pretende cortar recursos destinados aos pobres em um eventual novo mandato.
Entre as propostas apresentadas, o presidente destacou a necessidade de:
- Ampliar linhas de crédito para micro e pequenas empresas;
- Incentivar investimentos em infraestrutura que gerem emprego;
- Fortalecer programas sociais que impulsionem o consumo interno.
Essas medidas, segundo ele, ajudam a criar um ambiente favorável ao crescimento sustentável, reduzindo a dependência de ajustes fiscais rigorosos.
O mandatário também enfatizou a importância de manter o controle das contas públicas, mas sem sacrificar políticas essenciais. Ele afirmou que “se perdermos o controle do orçamento, a coisa quebra e vai quebrar do lado mais fraco”.
Em relação à política de juros do Banco Central, Lula não entrou em detalhes técnicos, mas reforçou que a taxa deve ser compatível com o objetivo de estimular a atividade econômica. Ele acredita que juros excessivamente altos podem frear o consumo e, consequentemente, o crescimento.
Ao ser questionado sobre possíveis mudanças na condução da política econômica caso seja reeleito, Lula respondeu que pretende “não cortar dinheiro dos pobres”. Essa frase resume a linha de defesa que o presidente tem mantido ao longo de sua gestão.
O presidente ainda apontou que a estratégia de crescimento deve ser acompanhada de responsabilidade fiscal. Ele citou a necessidade de melhorar a eficiência dos gastos públicos, combater fraudes e otimizar a arrecadação.
Para ilustrar a importância do crescimento como ferramenta de ajuste, Lula utilizou a metáfora de um motor que precisa de combustível: “O único jeito de você fazer o déficit diminuir é crescer a economia, e não cortar do pobre”.
Ele também mencionou que a política de crédito deve ser direcionada para setores que geram maior valor agregado, como tecnologia, energia renovável e agronegócio de alta produtividade.
Segundo o presidente, esses setores têm potencial para gerar empregos qualificados e aumentar a base tributária, o que, por sua vez, ajuda a equilibrar as contas públicas sem sacrificar programas sociais.
Ao final da entrevista, Lula reforçou que a solução para a dívida pública não está em austeridade, mas em políticas que promovam inclusão, produtividade e distribuição de renda.
Ele concluiu que, se o país conseguir crescer de forma sustentável, o problema fiscal será resolvido de maneira natural, sem a necessidade de medidas dolorosas para a população mais vulnerável.








