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Escrivão da PF é investigado por vazamento de informações da Operação Unha e Carne

A Polícia Federal identificou indícios de que um de seus próprios escrivães teria vazado dados sigilosos da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em 7 de julho de 2024. O possível vazamento ocorreu no Rio de Janeiro, envolvendo agentes ligados a um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de 7,6 bilhões de reais. A revelação gerou um alerta imediato das autoridades e resultou no afastamento do servidor suspeito.

Suspeita de vazamento e perfil do agente

O principal suspeito é o escrivão Fábio Henrique Ferreira dos Santos, lotado na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários. Segundo a investigação interna, ele manteve contato direto com Pablo Jukiá Félix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, considerado um dos alvos centrais da operação. Na véspera das buscas, os dois combinaram um encontro presencial e o escrivão teria configurado o celular para que as mensagens fossem apagadas automaticamente após 24 horas.

Além das conversas de texto, foram encontrados registros de cinco chamadas de voz realizadas via WhatsApp. Esses registros apontam para um padrão de comunicação que pode ter facilitado o vazamento de informações estratégicas, como a data e os locais das buscas. A PF acredita que o agente utilizou seu conhecimento interno para alertar o investigado, permitindo que parte dos recursos fosse retirada antes da intervenção policial.

Repercussões nas fases da operação

Os indícios de vazamento ganharam força quando a equipe da PF encontrou aproximadamente R$ 896 mil em espécie na sede da ADM Oil Prestadora de Serviços, em Niterói. No mesmo local, sacos plásticos vazios, semelhantes aos usados para embalar o dinheiro apreendido, sugeriram que parte da quantia original havia sido removida pouco antes da batida.

Após a descoberta, a Polícia Federal recebeu um alerta via Disque Denúncia sobre movimentações suspeitas no condomínio de Pablo Jukiá. O relato indicou que o investigado teria retirado documentos e provas que poderiam incriminá‑lo. Em resposta, a PF encaminhou uma representação ao ministro Alexandre de Moraes, solicitando o afastamento do escrivão e autorização para iniciar uma nova etapa da operação.

O ministro atendeu ao pedido, permitindo que a oitava fase da Operação Unha e Carne fosse deflagrada no dia 15 de outubro de 2024. Essa fase resultou na prisão de:

  • Márcio Canella, ex‑prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito (União Brasil);
  • Marcus Amim, ex‑secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro;
  • Quatro outras pessoas ligadas ao esquema de postos de combustíveis irregulares.

Segundo a PF, o esquema utilizava empresas de fachada e laranjas para lavar dinheiro, além de praticar cartelização de preços e suposta adulteração de combustíveis. Documentos apreendidos apontam ainda para pagamento de propinas a agentes públicos, ampliando o alcance da investigação.

Impactos e perspectivas para a investigação

O suposto vazamento comprometeu a coleta de provas essenciais, como registros financeiros e documentos que poderiam corroborar as hipóteses criminais já formuladas. A destruição e ocultação de evidências, atribuídas a Fábio Henrique e a Pablo Jukiá, geraram “graves prejuízos” à investigação, segundo a própria PF.

Com o afastamento do escrivão, a instituição pretende conduzir auditorias internas para reforçar a segurança da informação e evitar novos incidentes. A expectativa é que as perícias sobre a qualidade dos combustíveis e a análise dos fluxos financeiros revelem a extensão total do esquema, possibilitando novas prisões e a recuperação de ativos desviados.

Especialistas em combate à corrupção destacam que o caso evidencia a vulnerabilidade de órgãos de investigação quando há conluio interno. Eles recomendam a implementação de protocolos de monitoramento em tempo real de comunicações sensíveis e a criação de canais anônimos mais robustos para denúncias internas.

Enquanto isso, a sociedade civil e organizações de transparência acompanham de perto o desenrolar dos processos, cobrando que os responsáveis sejam punidos e que o dinheiro público seja restituído. O desfecho da Operação Unha e Carne ainda está em curso, mas a expectativa é que as novas fases tragam esclarecimentos sobre a rede de lavagem de dinheiro e fortaleçam a credibilidade da Polícia Federal no combate ao crime organizado.

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