A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná iniciou, nesta quinta‑feira, testes de um sistema israelense capaz de identificar, monitorar e neutralizar drones que operem sem autorização. O ensaio ocorreu na Academia Policial Militar do Guatupê (APMG), localizada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Representantes das diversas forças de segurança do Estado participaram da avaliação.
Funcionamento da tecnologia Sentrycs
O equipamento, fornecido pela empresa M1, utiliza radiofrequência para detectar aeronaves remotamente pilotadas em tempo real. Por meio de antenas estrategicamente posicionadas, o sistema captura informações como localização geográfica, altitude, velocidade e até a posição do operador no solo.
Quando o drone é reconhecido como não autorizado, o Sentrycs pode exercer duas ações distintas. Em cenários de risco reduzido, o sistema assume o controle da aeronave e a conduz a um pouso seguro, evitando danos materiais e riscos à população.
Em situações mais críticas, onde a presença do drone representa ameaça imediata, a tecnologia pode interromper o sinal de comando, forçando o pouso forçado ou a aterrissagem em área controlada. Todo o processo ocorre sem a necessidade de destruir o equipamento, preservando evidências para investigações posteriores.
Aplicações práticas e benefícios para a segurança
Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Hudson Leôncio Teixeira, a solução pode ser empregada em grandes eventos, como shows, competições esportivas e manifestações de grande porte. Nesses contextos, a presença de drones não autorizados pode comprometer a segurança de autoridades, participantes e espectadores.
Além de eventos, o Sentrycs é útil em operações policiais que envolvem áreas sensíveis, como instalações governamentais, hospitais e zonas industriais. Quando forças de segurança utilizam aeronaves tripuladas, a proximidade de drones pode interferir nas missões, tornando a neutralização preventiva essencial.
Os principais benefícios apontados incluem:
- Detecção precoce: identificação de drones a poucos metros do solo, permitindo resposta rápida.
- Controle sem destruição: possibilidade de pousar o drone sem danificá‑lo, facilitando a coleta de provas.
- Redução de custos: evita gastos com danos materiais e processos judiciais decorrentes de acidentes aéreos.
- Integração com centros de comando: dados em tempo real são enviados para salas de monitoramento, ampliando a capacidade de decisão.
O secretário ressaltou que a tecnologia amplia a capacidade de atuação das forças de segurança, sobretudo diante de ameaças emergentes ligadas ao uso indiscriminado de drones. “Nosso objetivo é conhecer, testar e avaliar ferramentas que possam trazer ainda mais segurança à população paranaense”, afirmou.
Desafios regulatórios e perspectivas futuras
O teste ocorre em um contexto de novas exigências do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Desde 2023, todo voo de drone, inclusive os recreativos abaixo de 250 gramas, deve ser autorizado previamente por meio da Sarpas (Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas).
O Comando de Aviação da Polícia Militar do Paraná (Comav) destaca que o cálculo de peso inclui acessórios acoplados ao equipamento. Drones acima de 250 gramas precisam ainda estar cadastrados no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Quando há atuação de aeronaves tripuladas das forças de segurança, a zona se torna sensível e a aproximação de drones é terminantemente proibida. O descumprimento das normas pode acarretar abordagens policiais, multas, apreensão do equipamento e enquadramento em infrações administrativas ou crimes previstos na legislação aeronáutica.
Os especialistas apontam que, apesar dos avanços tecnológicos, ainda há desafios a serem superados. A integração entre sistemas de controle de tráfego aéreo civil e as soluções anti‑drone precisa ser aprimorada para evitar interferências indesejadas. Além disso, a capacitação de operadores e a definição clara de protocolos de uso são essenciais para garantir eficácia e respeito aos direitos civis.
Olhar para o futuro, a Secretaria de Segurança Pública pretende expandir os testes para outras regiões do Estado, avaliando a adaptação do Sentrycs a diferentes ambientes urbanos e rurais. A expectativa é que, ao final do processo, o equipamento esteja pronto para ser incorporado ao arsenal permanente das forças de segurança, contribuindo para a proteção de áreas estratégicas e a manutenção da ordem pública.








