Laila Garin assume o papel de Edith Piaf no musical “Piaf – Eu não me arrependo”, em cartaz no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, até 1º de novembro de 2026. A produção traz à cena a vida turbulenta da lendária cantora francesa, combinando drama e música em três horas intensas. O espetáculo marca a nova fase da interpretação de Piaf no Brasil, substituindo a memória de Bibi Ferreira que dominou o repertório por mais de três décadas.
A trajetória de Edith Piaf no palco brasileiro
Desde a estreia em 1983, o musical que homenageava a vida da cantora francesa encontrou seu primeiro rosto brasileiro em Bibi Ferreira. A peça, baseada no texto de Pam Gems e traduzida por Millôr Fernandes, foi dirigida por Flávio Rangel e rapidamente se tornou referência. O álbum ao vivo lançado pela Som Livre consolidou a força da interpretação, preservando a densidade dramática da voz de Piaf.
Ao longo dos anos, Bibi manteve o repertório em constante exibição, apresentando o show de 1992 até 2014. Essa continuidade criou uma ligação quase simbiótica entre a artista brasileira e a história da francesa, fazendo de Piaf um ícone cultural no país. Contudo, a partir de 2026, Laila Garin assume esse legado, trazendo nova energia e perspectiva à narrativa.
Laila Garin: a nova voz de Piaf
Filha de pai francês e nascida na Bahia, Laila Garin traz à personagem uma conexão biográfica que enriquece a performance. Seu treinamento intensivo incluiu aulas de canto em francês, trabalho de caracterização e estudo aprofundado da biografia de Piaf. O resultado é uma atuação que equilibra fidelidade histórica e criatividade artística.
A atriz evita a mera mimetização, optando por traduzir os estados emocionais da cantora em cada cena. Seu corpo se torna instrumento de narração, revelando a fragilidade física de Piaf nos momentos de decadência e a força interior nos episódios de superação. Essa abordagem gera empatia imediata com o público, que sente a tensão da “corda bamba” da vida da artista.
O trabalho de voz, liderado pelo diretor musical Cláudiz Elizeu, destaca-se pela pronúncia impecável e pela carga emotiva que acompanha cada nota. O canto em francês de Garin é descrito como penetrante e, por vezes, arrebatador, sem perder a precisão técnica. Essa combinação eleva o espetáculo a um patamar de excelência musical.
Os números musicais que emocionam
O repertório do musical inclui algumas das canções mais emblemáticas de Edith Piaf, cada uma inserida em um momento crucial da narrativa. A seguir, alguns dos destaques:
- “Milord” – representa a noite em que Piaf, forçada a vender seu corpo, canta para sustentar a família.
- “La vie en rose” – simboliza a esperança durante a ocupação nazista, quando a cantora ajuda a libertar prisioneiros franceses.
- “Hymne à l’amour” – ecoa a dor profunda após a morte de seu grande amor, o pugilista Marcel Cerdan.
- “Non, je ne regrette rien” – encerra o espetáculo com a mensagem de arrependimento inexistente, refletindo a resiliência de Piaf.
Cada canção é acompanhada por arranjos que mesclam o estilo tradicional francês com toques contemporâneos, proporcionando ao público uma experiência auditiva única. A performance de Laila Garin, ao alternar entre vulnerabilidade e força, reforça a mensagem de superação que permeia a vida da cantora.
Direção, produção e impacto cultural
A produção, idealizada por Sérgio Módena e dirigida por Newton Moreno e Alessandro Toller, aposta em uma dramaturgia original que revisita os episódios mais marcantes da história de Piaf. O cenário do Teatro Riachuelo foi transformado em uma réplica dos becos de Paris, dos cabarés da década de 1930 e dos bastidores de um circo itinerante, criando um ambiente imersivo.
Além da cenografia, a caracterização desempenha papel crucial. Laila Garin recebe apoio de uma equipe de maquiagem e figurino que recria fielmente os trajes da época, desde os vestidos de chiffon até os uniformes de palco. Essa atenção aos detalhes reforça a autenticidade da narrativa.
O impacto cultural do espetáculo vai além do entretenimento. Ele reaviva a memória de Edith Piaf para novas gerações, enquanto celebra a tradição do musical brasileiro. A crítica tem elogiado a capacidade da produção de unir história, música e teatro em um formato acessível e emocionante.
Com a presença de Bernardo Berro no papel de Louis Leplée, o musical também destaca personagens secundários que influenciaram a ascensão de Piaf. A interação entre esses personagens cria camadas de conflito e apoio, ilustrando a complexidade das relações que moldaram a trajetória da artista.
O sucesso de “Piaf – Eu não me arrependo” tem sido medido não apenas pela ocupação das cadeiras, mas também pelas discussões nas redes sociais. Comentários elogiam a interpretação de Garin, a direção de Moreno e a relevância do tema em tempos atuais, onde a luta por liberdade feminina ainda ressoa.
Em resumo, a produção oferece ao público uma jornada emocional que atravessa três décadas de história musical, ao mesmo tempo que celebra a arte de contar histórias no palco. Laila Garin, ao encarnar a essência de Edith Piaf, demonstra que o legado da cantora francesa continua vivo e pulsante no coração do Rio de Janeiro.








