A oposição no Senado pretende inserir, ainda nesta quinta‑feira (15), a redução da maioridade penal na PEC da Segurança Pública. A proposta será votada no plenário à tarde, em Brasília. O movimento surge após a apresentação de uma emenda por Rogério Marinho, senador do PL‑RN.
Contexto da PEC da Segurança Pública
A PEC da Segurança foi aprovada na Câmara dos Deputados e segue para o Senado, onde deve ser analisada em dois turnos. O texto estabelece o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), visando integrar forças de segurança contra o crime organizado. A proposta original não continha qualquer alteração na idade mínima de responsabilidade criminal.
Durante a tramitação na Câmara, o tema da maioridade penal chegou a ser debatido, mas acabou sendo retirado antes da votação final. Assim, a discussão atual representa uma tentativa de reintroduzir a medida por meio de destaque, ou votação em separado.
Emenda proposta e seus defensores
Na quarta‑feira (14), o senador Rogério Marinho (PL‑RN) apresentou uma emenda que fixa a maioridade penal em 16 anos para a maioria dos crimes e em 14 anos para crimes graves, como estupro. O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), também candidato à Presidência, assinou a emenda e reforçou a proposta em campanha em Porto Alegre.
Marinho argumenta que a medida é necessária para impedir que adolescentes sejam recrutados por organizações criminosas. Ele afirma que a punição mais rigorosa pode servir como elemento dissuasório e proteger a sociedade.
- Idade mínima proposta: 16 anos para crimes comuns.
- Idade mínima para crimes graves: 14 anos, incluindo estupro e homicídio qualificado.
- Objetivo declarado: reduzir a vulnerabilidade de jovens ao crime organizado.
Posicionamento da bancada governista e argumentos contrários
A bancada governista no Congresso se opõe à redução da maioridade penal. Entre os argumentos, destaca‑se o risco de sobrecarga do sistema prisional, que já enfrenta superlotação.
Os governistas também apontam que jovens presos podem ser expostos à influência de facções criminosas, aumentando a reincidência. Além disso, há questionamentos jurídicos sobre a constitucionalidade da mudança, que poderia violar direitos e garantias fundamentais.
- Possível agravamento da superlotação carcerária.
- Exposição de menores a ambientes de crime organizado.
- Conflito com princípios constitucionais de proteção ao menor.
Esses pontos foram levantados durante a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que manteve a versão original da PEC ao concluir seu parecer.
Impacto político e perspectivas eleitorais
O debate ocorre na reta final do segundo turno da eleição presidencial, conferindo peso político à proposta. Pesquisas recentes, como a do instituto Quaest, mostram que a redução da maioridade penal está entre as propostas mais bem avaliadas pelos eleitores.
O levantamento entrevistou 2.154 pessoas entre 10 e 13 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os resultados indicam que a medida pode influenciar a decisão de voto, sobretudo entre eleitores mais conservadores.
Para que a PEC seja aprovada, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação. O calendário especial aprovado na sessão da noite de quarta‑feira permite que os dois turnos ocorram sem intervalo, acelerando o processo.
Enquanto a oposição busca avançar com a emenda, a bancada governista prepara estratégias para bloquear a mudança, inclusive mobilizando especialistas em direito penal e direitos humanos. O confronto no plenário deve refletir não apenas divergências técnicas, mas também a disputa de narrativas eleitorais.
O futuro da proposta ainda depende da capacidade de negociação entre os blocos. Caso a emenda seja aceita, a Constituição federal passará a prever duas faixas etárias distintas, o que exigirá ajustes legislativos e administrativos em todo o país.
Independentemente do resultado, o debate evidencia como questões de segurança pública e justiça juvenil se entrelaçam com a dinâmica eleitoral, moldando agendas políticas e influenciando a percepção do eleitorado sobre segurança e responsabilidade social.








