Uma pesquisa realizada pela Quaest revelou que a rejeição aos candidatos ao segundo turno da eleição presidencial permanece elevada. O levantamento, divulgado em 14 de outubro de 2026, analisou a opinião de mais de dois mil eleitores em todo o país. Os resultados apontam que 54% dos entrevistados não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% rejeitam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Metodologia da pesquisa
A Quaest conduziu o estudo entre os dias 10 e 13 de outubro, utilizando amostragem aleatória proporcional aos estados. Foram entrevistados 2.154 eleitores com idade mínima de 16 anos, o que garante representatividade nacional. A margem de erro declarada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O protocolo do levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-08729/2026, atendendo às exigências de transparência e legalidade. A coleta de dados foi feita por telefone, combinando chamadas fixas e móveis para alcançar diferentes perfis socioeconômicos. Cada entrevista durou em média quatro minutos, permitindo ao entrevistado expressar sua intenção de voto e seu grau de rejeição.
Resultados de rejeição e intenção de voto
Os números de rejeição mostraram um cenário de descontentamento quase equilibrado entre os dois candidatos. Enquanto 54% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro (PL), 53% declararam a mesma postura em relação a Lula (PT). Essa diferença mínima indica que ambos os candidatos enfrentam um nível de rejeição superior à metade do eleitorado consultado.
Em termos de intenção de voto, 46% dos respondentes disseram que escolheriam Flávio Bolsonaro, contra 44% que optariam por Lula. Apenas 1% dos eleitores se declararam indecisos, e 9% pretendem votar em branco. Esses percentuais sugerem que, apesar da alta rejeição, a disputa ainda está muito acirrada.
- 54% rejeição a Flávio Bolsonaro
- 53% rejeição a Luiz Inácio Lula da Silva
- 46% intenção de voto em Flávio Bolsonaro
- 44% intenção de voto em Lula
- 9% voto em branco
- 1% indecisos
A análise dos dados por faixa etária revelou que a rejeição é mais intensa entre eleitores de 18 a 29 anos, que chegam a 60% contra Flávio e 58% contra Lula. Entre os maiores de 60 anos, a rejeição ainda é alta, mas ligeiramente menor, com 48% contra Flávio e 45% contra Lula. Essa variação indica que a percepção dos candidatos muda conforme a geração.
Quando se observa a distribuição geográfica, o Sudeste apresenta a maior rejeição a Lula (57%), enquanto o Norte tem a maior rejeição a Flávio Bolsonaro (59%). O Centro-Oeste demonstra uma tendência mais equilibrada, com 52% rejeição a ambos. Esses padrões regionais podem influenciar a estratégia de campanha nas próximas semanas.
Implicações para o cenário político
Os números de rejeição elevados colocam ambos os candidatos sob pressão para ajustar suas mensagens e conquistar eleitores indecisos. A campanha de Lula, que tem se concentrado em políticas sociais e crescimento econômico, pode precisar reforçar a confiança na sua gestão para reduzir a aversão. Por outro lado, Flávio Bolsonaro tem apostado em discurso de segurança pública e combate à corrupção, mas ainda enfrenta resistência significativa.
Especialistas apontam que a alta taxa de voto em branco (9%) pode ser decisiva, pois pode reduzir o número efetivo de votos válidos e alterar o cálculo de maioria absoluta. Se a tendência de voto em branco se mantiver ou crescer, o candidato que conseguir mobilizar seu eleitorado base terá vantagem competitiva.
Além disso, a presença de apenas 1% de indecisos indica que a maioria dos eleitores já formou opinião, o que pode tornar as últimas semanas de campanha focadas em persuadir eleitores já inclinados a votar em branco ou em um dos candidatos. Estratégias de comunicação direcionadas a grupos específicos, como jovens e eleitores de regiões com alta rejeição, serão cruciais.
Os analistas também ressaltam que a margem de erro de dois pontos percentuais pode significar variações importantes nos resultados finais. Uma mudança de 2% para mais ou para menos pode inverter a liderança em alguns estados, especialmente nos que apresentam resultados apertados nas últimas eleições.
Em termos de comparação histórica, a rejeição a candidatos no segundo turno costuma ser menor que no primeiro, mas a pesquisa Quaest mostra um cenário atípico, possivelmente refletindo a polarização intensa que tem marcado a política brasileira nos últimos anos. Essa polarização pode gerar um eleitorado mais crítico e menos disposto a apoiar qualquer dos candidatos.
Para os partidos, esses números servem como alerta. O PT precisa trabalhar na reconquista de eleitores que ainda o veem como parte do establishment, enquanto o PL deve enfrentar a percepção de que seu candidato representa uma continuidade de políticas controversas. Ambas as legendas podem buscar alianças estratégicas para ampliar sua base.
O cenário também tem implicações para o mercado financeiro e para a percepção internacional do Brasil. Investidores monitoram a estabilidade política e podem reagir a sinais de que a eleição será decidida por margens estreitas ou por um alto número de votos em branco. A confiança nas instituições democráticas é testada quando a rejeição supera a maioria dos eleitores.
Por fim, a pesquisa Quaest reforça a importância de acompanhar de perto as pesquisas de opinião, que continuam sendo um termômetro essencial da dinâmica eleitoral. À medida que a data da votação se aproxima, novos levantamentos poderão confirmar ou mudar as tendências observadas, influenciando tanto a estratégia dos candidatos quanto a decisão final dos eleitores.








