Em outubro de 2024, o deputado federal que concorre ao governo do Tocantins foi apontado como suspeito de receber propina para favorecer uma empresa em contratos públicos. A denúncia surgiu a partir de investigação da Polícia Federal que cruzou documentos bancários e fiscais. O caso ganhou repercussão nacional ao ser levado ao Supremo Tribunal Federal.
Investigação da Polícia Federal e o contexto da Operação Overclean
A Polícia Federal, ao aprofundar a Operação Overclean – iniciada na Bahia para apurar desvios de recursos públicos – identificou um braço de atuação no Tocantins. Esse grupo teria mantido a mesma lógica nos dois estados: pagamento de propinas a servidores e políticos para garantir vantagens em processos licitatórios.
Os investigadores analisaram planilhas, notas fiscais e registros de sigilos bancários. Eles concluíram que a rede de pagamentos passava por empresas de fachada ligadas a familiares de políticos. O relatório enviado ao STF em setembro de 2025 detalhou as conexões e apontou indícios de prática de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Os contratos da Larclean Saúde Ambiental e as supostas mesadas
Entre 2021 e 2024, a empresa Larclean Saúde Ambiental Ltda., controlada pelos irmãos Alex e Fábio Parente, firmou contratos e termos aditivos com a Secretaria de Educação do estado. O valor total desses documentos ultrapassa 59,2 milhões de reais, segundo dados oficiais.
Segundo a PF, o deputado teria recebido pagamentos mensais de 20 mil reais, repassados à empresa fantasma criada em nome da esposa, a GMD Borba Distribuidora Eireli. As “mesadas” teriam sido pagas de janeiro de 2023 a dezembro de 2024, totalizando 420 mil reais.
A GMD Borba Distribuidora, registrada como distribuidora de bebidas alcoólicas, também teria movimentado mais de 170 milhões de reais entre 2019 e 2025, conforme quebra de sigilos bancários. Essa movimentação levantou suspeitas de lavagem de capitais.
- Valor total dos contratos: R$ 59,2 mi
- Pagamentos mensais alegados: R$ 20 mil
- Período das supostas mesadas: Jan/2023 a Dez/2024
- Movimentação da empresa da esposa: > R$ 170 mi
Repercussões políticas e decisões judiciais
No primeiro turno das eleições, o parlamentar recebeu 43,94 % dos votos válidos, ficando atrás de Dorinha Rezende, que obteve 45,52 %. O segundo turno ainda está marcado, e a suspeita de corrupção pode influenciar o eleitorado.
Em setembro de 2025, a PF solicitou ao STF o bloqueio de bens e a expedição de mandado de busca e apreensão contra o deputado. O relator, ministro Nunes Marques, entendeu que não havia provas suficientes para comprovar a ligação direta e negou os pedidos.
Apesar da decisão do STF, a investigação permanece ativa. O parlamentar ainda não foi indiciado nem denunciado pelo Ministério Público, mas continua sob suspeita pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas combinadas podem chegar a 30 anos de prisão.
Reações, declarações e panorama futuro
O gabinete do deputado e sua assessoria de imprensa não responderam aos pedidos de entrevista. Em agosto, durante a campanha, o candidato publicou um vídeo alegando que está “ficha limpa” e apresentando certidões negativas de diversos tribunais.
“O STF entendeu que a Polícia Federal não comprovou existir qualquer ligação entre as empresas criminosas e mim. Tenho todas as certidões negativas”, afirmou no vídeo, que foi amplamente compartilhado nas redes sociais.
Analistas políticos ressaltam que, independentemente da decisão judicial, a imagem do candidato sofreu desgaste. A população do Tocantins, já sensível a casos de corrupção, pode mudar seu apoio nas urnas.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a Justiça Eleitoral pode abrir processos de impugnação caso haja novas provas. Enquanto isso, a PF continua analisando documentos e pode solicitar novas diligências.
O caso ilustra a complexidade das investigações de corrupção envolvendo licitações públicas. A interligação entre empresas de fachada, familiares de políticos e recursos públicos exige um monitoramento constante por parte dos órgãos de controle.
Para os eleitores, a transparência nas contas de campanha e a clareza sobre a origem dos recursos são fundamentais. O debate sobre a necessidade de reformas no sistema de licitações ganha força, sobretudo após a divulgação de casos como este.
Em síntese, a suspeita de propina, os contratos milionários e a decisão do STF criam um cenário incerto para a disputa eleitoral no Tocantins. O desfecho da investigação poderá influenciar não apenas o futuro político do deputado, mas também a confiança da sociedade nas instituições públicas.








