O Partido Liberal (PL) iniciou uma articulação intensiva para manter o comando da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) após a vitória inesperada de Douglas Ruas no primeiro turno das eleições estaduais. A vitória ocorreu em outubro de 2026, e a bancada do PL na casa subiu de 17 para 21 deputados, reforçando seu peso político.
Contexto político e a necessidade de sucessão
Com a vitória de Ruas, o PL precisa garantir a transição do atual presidente da Alerj para um sucessor que mantenha a agenda do partido. O governador eleito deixará o cargo de presidente da casa para assumir o Palácio Guanabara, criando um vácuo de liderança que o PL deseja preencher sem perder influência.
A oposição reconhece que o PL tem poder suficiente para eleger um novo presidente, mas ressalta a importância de alianças com outras legendas para legitimar o processo interno. Essa dinâmica pode gerar negociações intensas nos corredores da Alerj, especialmente porque a composição do futuro governo ainda está em definição.
Potenciais candidatos ao comando da Alerj
Entre os nomes mais cotados para suceder Douglas Ruas, destaca‑se o atual vice‑presidente da casa, Guilherme Delaroli. Ele assumiu a presidência interinamente quando Rodrigo Bacellar, da União, foi afastado em dezembro de 2025 após prisão pela Polícia Federal e teve o mandato cassado pelo TSE em março de 2026.
Delaroli estreitou laços com Ruas durante a “dobradinha” no comando da Alerj, o que o coloca como favorito dentro do PL. Além dele, outros parlamentares são mencionados como possíveis candidatos:
- Anderson Moraes – deputado reeleito, conhecido como bolsonarista ideológico;
- Jair Bittencourt – ex‑vice‑presidente da Alerj, com experiência na gestão da casa;
- Representantes do Centrão – parlamentares que apoiaram a campanha de Ruas e Flávio Bolsonaro, mas que ainda não definiram alinhamento definitivo.
A escolha final dependerá da composição do governo estadual, já que muitos deputados podem ser nomeados para secretarias, reduzindo a disponibilidade de lideranças internas.
Negociações e estratégias do PL
O PL tem como objetivo essencial manter o controle da Alerj para assegurar governabilidade ampla ao novo governador. Para isso, o partido está negociando alianças com outras legendas, oferecendo cargos e apoio político em troca de votos na eleição interna.
Os nomes do Centrão aguardam oportunidades para apresentar candidaturas próprias, tentando abrir brechas que permitam um equilíbrio de poder entre o PL e outras forças. Essa estratégia pode gerar um cenário de coalizão fragmentada, mas ainda assim favorável ao governo de Ruas.
As conversas devem ganhar mais força após o segundo turno, quando a base bolsonarista permanecerá mobilizada em torno da eleição de Flávio Bolsonaro. O PL acredita que, ao garantir a presidência da Alerj, conseguirá alinhar a agenda legislativa com as prioridades do governador, facilitando a aprovação de projetos e a estabilidade política no estado.
Em resumo, a disputa pelo comando da Assembleia Legislativa está em curso, com o PL liderando as negociações e buscando consolidar sua hegemonia institucional. O desfecho dependerá da capacidade de articular alianças, da disponibilidade de lideranças dentro do partido e da resposta dos grupos do Centrão que ainda buscam espaço na nova configuração política do Rio de Janeiro.








