Na quarta‑feira, 14 de outubro, o horário eleitoral gratuito foi marcado por duas intervenções do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, intercaladas com a propaganda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição. O programa foi transmitido em rede nacional, atingindo milhões de eleitores em todo o país. A disputa se intensifica à medida que o calendário eleitoral avança para a fase decisiva.
Programa de segurança apresentado por Flávo Bolsonaro
Flávio abriu o bloco eleitoral com um programa inédito focado na segurança pública, ressaltando a necessidade de respostas mais rápidas ao crime organizado. Ele descreveu um plano ambicioso que inclui tecnologia avançada, integração de bases de dados e cooperação internacional. O discurso enfatizou que a violência deve ser combatida com ferramentas modernas e com apoio de parceiros estratégicos.
Entre as propostas destacadas, o candidato ampliou a iniciativa conhecida como Smart Brasil, que já constava em seu plano de governo sob o nome Muralha Brasileira. O novo número divulgado foi de dois milhões de câmeras de reconhecimento facial, dobrando a meta anterior de um milhão. As imagens seriam vinculadas a bancos de dados criminais para identificar suspeitos em tempo real.
- Instalação de 2 milhões de câmeras de reconhecimento facial em áreas urbanas estratégicas;
- Integração imediata com sistemas policiais estaduais e federais;
- Criação de centro de monitoramento nacional 24 horas por dia;
- Capacitação de agentes para análise de dados em tempo real.
Além da tecnologia, Flávio defendeu a adesão do Brasil ao chamado Escudo das Américas, coalizão lançada durante a administração Trump nos Estados Unidos. Segundo o senador, a aliança reúne governos latino‑americanos alinhados ao combate a facções criminosas transnacionais. Embora a proposta não conste no plano registrado na Justiça Eleitoral, ela foi apresentada como alternativa para fortalecer a segurança nas fronteiras.
Ao encerrar o programa, o candidato criticou manifestantes que, no domingo, 11 de outubro, picharam estações de metrô em São Paulo durante ato pró‑Lula. Ele alegou que tais atos de vandalismo representam um desrespeito ao patrimônio público e dificultam a mobilidade urbana. A crítica foi usada para reforçar a mensagem de que a ordem deve prevalecer sobre a desordem.
Reexibição da peça econômica sem áudio
Após a propaganda de Lula, Flávio retornou ao ar com a reexibição de uma peça econômica que havia sido transmitida sem áudio na segunda‑feira, 12 de outubro, feriado de Nossa Senhora Aparecida. O Tribunal Superior Eleitoral determinou que a gravação fosse republicada com som, garantindo que a mensagem chegasse completa ao eleitorado.
A peça comemorou o Dia de Nossa Senhora Aparecida e trouxe à tona propostas já apresentadas em programas anteriores, como incentivos a microempreendedores e redução de burocracia. Depoimentos de figuras da campanha, como Daniella Marques, Tereza Cristina, Michelle Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado, reforçaram a credibilidade das ideias.
Entre os pontos econômicos destacados, o candidato enfatizou a necessidade de simplificar a abertura de empresas, ampliar linhas de crédito e promover a desburocratização nos processos de licenciamento. Ele argumentou que essas medidas são essenciais para gerar empregos e estimular o crescimento regional, sobretudo nas áreas mais vulneráveis.
Lula destaca o fim da escala 6×1 e o Prospera MEI
O programa de Lula começou com ataques ao adversário, comparando Flávio a uma maçã podre infestada de larvas, em tentativa de minar sua credibilidade. Em seguida, foram exibidas imagens de manifestações ocorridas no último fim de semana em cidades como São Paulo, reforçando o apoio popular ao presidente.
A campanha utilizou vídeos no formato selfie, gravados pelo próprio Lula, para aproximar o candidato do eleitor e mostrar sua presença nas redes sociais. Essa estratégia buscou transmitir autenticidade e proximidade, elementos valorizados pelo público digital.
O tema central da propaganda foi a proposta de fim da escala de trabalho 6×1, que será votada no Senado ainda nesta quarta‑feira. A campanha destacou relatos de trabalhadores que enfrentam dificuldades para conciliar jornada, lazer e qualificação profissional, argumentando que a medida trará melhor qualidade de vida.
Além disso, Lula apresentou o Prospera MEI, pacote de benefícios anunciado na terça‑feira, 13 de outubro. O programa prevê o aumento do teto de faturamento anual para R$ 140 mil, a possibilidade de contratar até dois funcionários e a concessão de até R$ 5 mil em recursos não reembolsáveis via PIX para investimentos em modernização.
Essas medidas foram descritas como forma de apoiar pequenos empreendedores, estimular a formalização e gerar renda adicional para milhões de brasileiros. A campanha enfatizou que o Prospera MEI complementa a agenda de crescimento econômico e inclusão social do governo.
Ao final da transmissão, ambos os candidatos reforçaram seus principais eixos de campanha, preparando o eleitor para a votação decisiva que ocorrerá nos próximos dias. O horário eleitoral gratuito, ao reunir diferentes mensagens, ilustrou a pluralidade de propostas que competem neste pleito. A expectativa é que o debate continue intenso até o segundo turno.








