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Daniel Vorcaro revisa documentos do BRB antes de enviá‑los ao Banco Central

Em março de 2025, a Polícia Federal identificou que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revisava e aprovava comunicações do Banco de Brasília (BRB) antes de seu envio ao Banco Central. A descoberta ocorreu em Brasília, onde o BRB tem sua sede, e revelou um esquema de intermediação entre o Master e o banco público.

Contexto da investigação da Polícia Federal

A PF recebeu denúncias de que documentos oficiais do BRB estavam sendo preparados por um escritório de advocacia externo, ligado ao Banco Master. O escritório, liderado pelo advogado Daniel Lopes Monteiro, não prestava serviços ao BRB, mas sim ao Master, o que levantou suspeitas de conflito de interesse.

Ao analisar mensagens trocadas em grupos de WhatsApp, os investigadores encontraram evidências de que Vorcaro participava ativamente da redação e aprovação das respostas ao Banco Central. Essa prática contrariava as normas de governança corporativa, que exigem que cada instituição elabore seus próprios documentos oficiais.

Como funcionava a revisão dos documentos

O processo de revisão seguia um roteiro simples, mas que gerava grandes implicações. Primeiro, o advogado Monteiro enviava ao grupo de WhatsApp uma minuta de resposta ao Banco Central. Em seguida, Vorcaro revisava o texto, sugeria ajustes e dava a aprovação final.

Por fim, a versão aprovada era assinada como se fosse emitida pelo próprio BRB, embora tenha sido produzida por um terceiro. Esse procedimento foi repetido em diferentes ocasiões, como demonstrado nos episódios de março e abril de 2025.

  • Envio da minuta pelo advogado do Master;
  • Revisão e comentários de Vorcaro no grupo de WhatsApp;
  • Aprovação final por Vorcaro;
  • Assinatura do documento em nome do BRB.

A prática ficou ainda mais evidente quando, em março, a advogada enviou a mensagem: “Segue sugestão de minuta de resposta ao BCB”. A mensagem foi dirigida diretamente a Vorcaro, que tinha autoridade para validar o conteúdo.

O documento continha lacunas intencionais, como a solicitação para que a equipe do BRB incluísse explicações, informações e documentos complementares. Essa estratégia permitia que o Master controlasse a narrativa enviada ao regulador.

Repercussões e implicações para o Master e o BRB

Logo após a descoberta, o BRB anunciou a intenção de adquirir o Banco Master, um movimento que poderia ser interpretado como tentativa de regularizar a situação. Contudo, a revelação de que o Master estava diretamente envolvido na produção de documentos oficiais do BRB gerou dúvidas sobre a transparência da negociação.

Em abril de 2025, um segundo caso similar ocorreu. Vorcaro exigiu que Monteiro entregasse, naquele mesmo dia, um documento sobre operações envolvendo o BRB. Novamente, o texto foi assinado como se fosse emitido pelo banco público.

A Polícia Federal destacou que “o documento se trata de uma carta do BRB para o Banco Central do Brasil, redigida pelo advogado responsável pela compliance do Banco Master, sob direcionamento e acompanhamento direto de Vorcaro”. Essa constatação reforça a ideia de que o Master exercia influência indevida sobre a comunicação oficial do BRB.

Do ponto de vista jurídico, a prática pode configurar violação de normas de compliance, responsabilidade civil e, possivelmente, crime de falsidade documental. As autoridades ainda avaliam se há indícios de fraude ou tentativa de manipular informações regulatórias.

O Banco Master, por sua vez, emitiu um comunicado afirmando que todas as ações estavam em conformidade com a legislação vigente e que cooperará com as investigações. A instituição ainda não se pronunciou sobre eventuais sanções internas.

O BRB, ao ser questionado, ressaltou que está revisando seus procedimentos internos de controle e que a aquisição do Master seguirá os trâmites legais, independentemente das investigações em curso.

Especialistas em governança corporativa alertam que o caso evidencia a necessidade de reforçar a separação entre as áreas de compliance de instituições financeiras diferentes, principalmente quando há relações de controle ou de negociação de ativos.

Além disso, o episódio reacende o debate sobre a atuação de grandes empresários no setor bancário brasileiro, destacando a importância de mecanismos de transparência que evitem conflitos de interesse.

Em síntese, a descoberta da Polícia Federal trouxe à tona um esquema de revisão e aprovação de documentos que deveria ser exclusivo do BRB. As consequências ainda estão por vir, mas o caso já serve de alerta para o mercado financeiro nacional.

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