Flávio Bolsonaro (PL) está intensificando sua campanha nas próximas semanas, mirando oito estados estratégicos para ampliar sua votação contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O plano foi divulgado em reunião de lideranças regionais realizada no final da última semana, e inclui ações coordenadas entre governadores, candidatos e dirigentes locais.
Os estados‑chave da estratégia
Os oito territórios escolhidos são Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazonas, Pará, Bahia e Tocantins. Cada um deles apresenta um cenário político distinto, mas todos compartilham a possibilidade de gerar ganhos significativos para o senador se a campanha conseguir mobilizar as bases regionais.
- Rio Grande do Sul – foco em Porto Alegre e no apoio de Luciano Zucco (PL).
- São Paulo – aliança com Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ricardo Nunes (MDB).
- Minas Gerais – suporte de Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Romeu Zema (Novo).
- Rio de Janeiro – parceria com Douglas Ruas (PL) e agenda conjunta em São Gonçalo.
- Amazonas – apoio de Maria do Carmo Seffair (PL) nas urnas de Manaus.
- Pará – reforço do governador Daniel Santos (PL) em Belém.
- Bahia – respaldo de ACM Neto (União Brasil) e mobilização das bases de Salvador.
- Tocantins – aliança com Professora Dorinha (União Brasil) e Eduardo Gomes (PL).
Como a campanha pretende virar votos
O objetivo não é simplesmente inverter o resultado em todos os estados, mas ampliar a vantagem em regiões onde Flávio já lidera – como Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins – e reduzir a distância nas que foram vencidas por Lula, como Amazonas, Pará e Bahia. A tática combina visitas presenciais, comícios em avenidas emblemáticas e a divulgação de propostas de alívio fiscal para dívidas estaduais.
Em Rio Grande do Sul, a presença de Luciano Zucco, eleito governador no primeiro turno, garante um canal direto com a administração estadual. O senador também conta com a participação de Hamilton Mourão (Republicanos) e Marcel van Hattem (Novo), reforçando a convergência entre forças de centro‑direita.
Já em São Paulo, o apoio de Tarcísio de Freitas, reeleito governador, traz credibilidade ao projeto de governo, enquanto Ricardo Nunes, prefeito da capital, facilita a aproximação com setores do MDB. O ato planejado na Avenida Paulista, marcado para o domingo, 18, deve reunir milhares de eleitores e gerar ampla cobertura midiática.
Alianças regionais e promessas de alívio econômico
Minas Gerais recebe o respaldo de Cleitinho Azevedo, que já se comprometeu publicamente a apoiar a busca por um novo alívio nas dívidas estaduais caso Flávio seja eleito. O ex‑governador Romeu Zema, que concorreu à Presidência, também reforça a presença do Novo no palanque, ampliando a rede de apoio.
No Rio de Janeiro, a vitória de Douglas Ruas no governo, confirmada após decisão do TSE sobre os votos de Anthony Garotinho, cria uma sinergia entre a campanha presidencial e a gestão estadual. A agenda conjunta em São Gonçalo deverá incluir encontros com lideranças locais e a divulgação de projetos de segurança pública.
O Amazonas tem como principal aliada Maria do Carmo Seffair, que disputa o segundo turno para o governo contra Omar Aziz (PSD). A estratégia busca vincular a campanha presidencial ao combate à violência urbana em Manaus, ao mesmo tempo em que mantém a autonomia da federação União‑Progressistas, que não impôs obrigatoriamente o apoio ao senador.
No Pará, o governador Daniel Santos (PL) reafirmou sua adesão ao lado de Flávio em Brasília, prometendo mobilizar a estrutura do PL para reduzir a vantagem de Lula em Belém e interior do estado. O petista Helder Barbalho mantém forte influência, o que torna a disputa ainda mais acirrada.
A Bahia conta com a colaboração de ACM Neto (União Brasil), que, apesar de ter sido derrotado na eleição para governador, declarou apoio ao senador e prometeu mobilizar suas bases políticas em Salvador e interior. O governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT) ainda lidera a maioria dos eleitores, mas a presença de Neto pode gerar um efeito de corte de votos.
No Tocantins, a aliança com Professora Dorinha (União Brasil), candidata ao governo, e Eduardo Gomes (PL) cria um bloco regional que pretende receber a visita do presidente da República, caso a agenda permita. A visita seria usada para reforçar a mensagem de união entre as forças de centro‑direita.
Impacto esperado e desafios logísticos
Especialistas apontam que a estratégia de Flávio Bolsonaro pode gerar um ganho de até 2 pontos percentuais nos estados onde já lidera, enquanto nas regiões dominadas por Lula a margem pode ser reduzida em torno de 1 ponto. Contudo, a logística de deslocamento do candidato, a coordenação de comícios simultâneos e a necessidade de manter a mensagem coesa são desafios que exigem um planejamento rigoroso.
Além disso, a campanha enfrenta a resistência de lideranças locais do PT, que continuam mobilizando suas bases em áreas urbanas e rurais. A disputa por recursos de mídia, a presença de fake news e a polarização nas redes sociais também são fatores que podem influenciar o resultado final.
Em resumo, a aposta em oito estados estratégicos representa a tentativa de transformar a vantagem inicial de Flávio Bolsonaro em um impulso decisivo para o segundo turno. Se bem executada, a estratégia pode alterar o cenário nacional e definir o futuro político do país nos próximos quatro anos.








