A nova edição do Índice de Conservadorismo de Costumes, divulgada pela Ipsos-Ipec nesta terça‑feira, 13 de setembro de 2026, revela um avanço significativo do pensamento conservador entre os brasileiros. O levantamento, que analisou 2.000 entrevistas realizadas em 130 municípios, destaca mudanças notáveis nas opiniões sobre pena de morte, redução da maioridade penal e outras questões de segurança pública.
Cenário do conservadorismo no Brasil
O índice atingiu 0,680, valor próximo aos picos de 2016 (0,686) e 2018 (0,689), que são os mais altos registrados na série histórica. Esse número representa um aumento em relação ao ano anterior, quando a pontuação foi de 0,652.
O segmento de brasileiros classificados como “alto” grau de conservadorismo subiu seis pontos percentuais, passando de 49% para 55% da população pesquisada. Ao mesmo tempo, o grupo “médio” recuou de 44% para 38%, enquanto o “baixo” ficou em 7%, com queda mínima de um ponto percentual.
Os dados apontam que o impulso conservador vem sobretudo de jovens adultos entre 25 e 34 anos, das regiões Norte e Centro‑Oeste, moradores das capitais, mulheres e famílias com renda superior a cinco salários mínimos. Essa combinação demográfica tem sido decisiva para o deslocamento da curva de opinião.
Principais resultados da pesquisa
Os números revelam um panorama de apoio robusto a medidas de segurança mais rígidas, ao passo que questões sociais como casamento entre pessoas do mesmo sexo e legalização do aborto permanecem estáveis ou com baixa adesão.
- Prisão perpétua para crimes hediondos: 78% dos entrevistados são favoráveis, confirmando a consistência do apoio ao endurecimento das penas.
- Redução da maioridade penal: 71% defendem a medida, indicando uma forte demanda por maior responsabilização dos menores em atos graves.
- Pena de morte: 52% apoiam a aplicação da pena capital, um salto de nove pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, e o maior nível de favorabilidade da história da pesquisa.
- Casamento entre homossexuais: o apoio subiu de 38% para 41%, enquanto a oposição recuou de 47% para 41%, sinalizando uma leve tendência de aceitação.
- Legalização do aborto: apenas 17% são favoráveis, e 74% permanecem contrários, mantendo a posição de baixa adesão observada em anos anteriores.
O aumento de apoio à pena de morte representa uma das mudanças de opinião mais significativas detectadas pela Ipsos, refletindo uma crescente percepção de insegurança entre a população.
Implicações e perspectivas
Especialistas apontam que o fortalecimento das pautas de segurança pública pode influenciar diretamente o debate legislativo nos próximos meses, sobretudo nas discussões sobre o Código Penal e reformas no sistema prisional.
O fato de que mulheres e moradores de capitais lideram a alta no conservadorismo sugere que o medo da criminalidade urbana está se espalhando para diferentes segmentos sociais, não se limitando mais a grupos tradicionalmente associados à segurança.
Além disso, o crescimento do apoio entre jovens adultos indica que a geração que antes era vista como mais progressista está adotando posições mais rígidas, possivelmente como reação a episódios de violência divulgados pela mídia.
Os analistas também alertam para o risco de que o aumento do apoio a medidas extremas, como a pena de morte, possa pressionar o Poder Legislativo a propor projetos que contrariam tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.
Por outro lado, a estabilidade nas opiniões sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo demonstra que, apesar do avanço conservador em questões de segurança, a sociedade mantém uma certa abertura em temas de direitos civis.
O cenário descrito pela Ipsos-Ipec levanta questões sobre o futuro da agenda de políticas públicas, especialmente no que tange à necessidade de equilibrar respostas de segurança com garantias de direitos fundamentais.
Para os formuladores de políticas, entender as nuances desse movimento é essencial para elaborar estratégias que atendam à demanda por segurança sem comprometer princípios constitucionais.
Em síntese, a pesquisa de setembro de 2026 indica que o Brasil está atravessando um momento de intensificação do conservadorismo de costumes, impulsionado por fatores demográficos, regionais e por percepções de insegurança que se refletem em maior apoio a penas mais severas.
Observadores internacionais ressaltam que esse padrão segue uma tendência global de polarização, onde questões de segurança são frequentemente usadas como bandeiras eleitorais e de mobilização social.
O acompanhamento contínuo desse índice será crucial para mapear possíveis reviravoltas e para que governos, organizações da sociedade civil e a própria população possam dialogar de forma informada sobre os rumos do país.








