Na manhã desta terça‑feira, 13 de outubro, o dólar iniciou a sessão em alta logo após o feriado de Nossa Senhora Aparecida. Por volta das 9h, a moeda cotava R$ 4,9933, representando um aumento de 0,18% em relação ao fechamento anterior. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começou a ser negociado às 10h, já que na sexta‑feira passada o índice bateu recorde histórico ao fechar em 209.067 pontos.
Impacto das pesquisas eleitorais no câmbio
Os investidores mantêm o olhar atento ao cenário político, especialmente após a divulgação de nova pesquisa do Datafolha. O levantamento indicou que Flávio Bolsonaro (PL) tem 49% das intenções de voto, enquanto Lula (PT) registra 45%. Essa diferença de quatro pontos está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que caracteriza um empate técnico. O mercado interpreta esses números como sinal de volatilidade nas próximas semanas.
Além disso, a pesquisa mostrou que 49% dos eleitores desaprovam o governo de Lula, contra 48% que aprovam. Esse índice de desaprovação pode influenciar decisões de política econômica, como ajustes fiscais e reformas estruturais, que por sua vez afetam a taxa de câmbio.
Fatores macroeconômicos que movem o dólar
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento da economia brasileira em 2024. O organismo manteve a perspectiva de desaceleração até 2027, atribuindo o cenário ao efeito dos juros elevados, à redução do estímulo fiscal e às incertezas globais. Esses fatores pressionam a moeda local, pois investidores estrangeiros buscam ativos com maior retorno real.
Outros indicadores que permanecem no radar são os dados de inflação e atividade econômica no Brasil, na China e nos Estados Unidos. A expectativa de inflação mais alta tende a elevar a taxa Selic, o que pode atrair capitais estrangeiros e fortalecer o real. Por outro lado, uma desaceleração na China pode reduzir a demanda por commodities brasileiras, enfraquecendo a moeda.
- Juros elevados no Brasil
- Redução do estímulo fiscal
- Incertezas geopolíticas
- Desempenho da economia chinesa
- Política monetária dos EUA
Influência dos preços do petróleo e da geopolítica
No cenário internacional, a queda nos preços do petróleo tem sido acompanhada de perto pelos investidores. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou a possibilidade de novos ataques ao Irã na última semana, reduzindo a tensão no Oriente Médio. Paralelamente, a Ucrânia suspendeu, por dois dias, os ataques a refinarias e instalações energéticas russas, o que também contribuiu para a estabilidade dos preços.
Essas movimentações diminuíram a pressão sobre o dólar, já que o petróleo cotado em dólares costuma reforçar a moeda americana quando há escassez ou risco de conflito. Com a diminuição das tensões, o preço do barril tem se mantido mais estável, oferecendo um ambiente menos volátil para o câmbio.
Desempenho dos mercados asiáticos
Na Ásia, os principais índices acionários continuam sensíveis ao humor dos investidores, sobretudo em relação a empresas de inteligência artificial. O índice SSEC, de Xangai, subiu 0,1%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,3%.
O Nikkei, do Japão, recuou 1,82%, refletindo cautela diante de dados econômicos mistos. O Hang Seng, de Hong Kong, valorizou 0,30%, impulsionado por expectativas de retomada do consumo local. Já o Kospi, da Coreia do Sul, sofreu queda de 5,46%, reagindo a uma combinação de resultados corporativos fracos e à apreciação do dólar.
Esses movimentos regionais afetam o fluxo de capitais para os mercados emergentes, inclusive o Brasil, e podem influenciar a cotação do real frente ao dólar nas próximas sessões.
Perspectivas para a semana
Ao longo da semana, o mercado acompanhará a divulgação de duas novas pesquisas eleitorais que projetam o segundo turno. A data de publicação ainda não foi confirmada, mas analistas esperam que os resultados reforcem a volatilidade nos mercados de câmbio e de ações.
Além disso, serão divulgados dados de inflação e atividade econômica nos principais blocos econômicos. O início da temporada de balanços de empresas estrangeiras também está programado, o que pode gerar fluxos de capital adicionais.
Em resumo, o dólar iniciou a sessão em alta, mas seu caminho dependerá de uma combinação de fatores políticos, econômicos e geopolíticos. Investidores devem ficar atentos às próximas pesquisas eleitorais, às revisões do FMI e ao comportamento dos preços do petróleo para tomar decisões informadas.








