Um ataque com míssil dos rebeldes hutis matou treze pessoas no Terminal 1 do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, na manhã de 11 de outubro de 2023. O incidente ocorreu enquanto o aeroporto ainda operava, deixando o local totalmente interditado. As autoridades sauditas prometeram uma resposta “igualmente séria” ao ato, que faz parte de uma escalada de violência entre o Iêmen e a Arábia Saudita.
Contexto da escalada de violência
Os hutis, grupo insurgente apoiado pelo Irã, vêm intensificando sua campanha contra a Arábia Saudita desde o início de 2023. Nos últimos meses, a organização lançou uma série de ataques com drones e mísseis contra alvos estratégicos, como instalações petrolíferas, navios no Mar Vermelho e aeroportos civis. Essa nova fase de agressão coincide com o enfraquecimento de uma trégua informal que durava quatro anos.
Em julho, os rebeldes anunciaram um “embargo marítimo” contra a Arábia Saudita, alegando que o reino bloqueava portos e aeroportos nos territórios controlados por eles no oeste do Iêmen. A medida aumentou a pressão sobre a economia saudita, que depende do tráfego marítimo para exportar petróleo.
A ofensiva mais recente dos hutis ocorreu na costa sudoeste do Iêmen, onde tomaram posições próximas ao estreito de Bab al‑Mandab. Essa passagem estratégica conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é vital para o comércio internacional de energia. O controle da região tem implicações diretas nos preços globais do petróleo.
Detalhes dos ataques em Riade
No domingo, 11 de outubro, um míssil disparado pelos hutis atingiu o Terminal 1 do Aeroporto Rei Khalid, provocando a morte de treze passageiros e ferindo vários outros. Um segundo ataque, menos de duas horas depois, vitimou um cidadão paquistanês em um outro ponto do mesmo aeroporto, elevando o número de vítimas fatais para catorze.
Um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou a explosão e a fumaça densa que se levantou sobre o terminal. Testemunhas relataram que o som do impacto foi ouvido a vários quilômetros de distância, gerando pânico entre os passageiros que aguardavam seus voos.
As autoridades sauditas fecharam imediatamente todas as operações do aeroporto, redirecionando voos para outros hubs regionais. Equipes de resgate e bombeiros foram mobilizadas para controlar o incêndio e prestar socorro às vítimas.
- 13 mortos no primeiro ataque;
- 1 morto no segundo ataque;
- Várias dezenas de feridos;
- Suspensão total das atividades do aeroporto por 48 horas.
Os hutis justificaram os ataques como retaliação à “brutal agressão saudita” contra áreas que controlam no Iêmen. Na mesma data, o Ministério da Saúde, controlado pelos hutis, informou que um bombardeio saudita em Sanaa matou uma criança e feriu seis pessoas.
Reação da Arábia Saudita e perspectivas futuras
Durante a cerimônia de abertura do 25º Congresso Mundial de Energia (WPC) em Riade, o ministro da Energia, príncipe Abdulaziz bin Salman, afirmou que a resposta saudita será “igualmente séria”. Ele destacou que o Reino não tolerará ataques que ameacem a segurança de seus cidadãos e de infraestruturas críticas.
O governo saudita já anunciou a mobilização de unidades da Força Aérea Real para reforçar a defesa antiaérea ao redor de cidades estratégicas e instalações energéticas. Além disso, está sendo considerada a possibilidade de retaliação direta contra alvos hutis no território iemenita.
Especialistas em segurança regional apontam que a escalada pode levar a um aumento ainda maior nos preços do petróleo, já pressionados pelo fechamento parcial do Estreito de Ormuz e pelas tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. A comunidade internacional tem chamado por um retorno às negociações de paz, mas até o momento não há sinais claros de desescalada.
Na última semana, o governo iemenita proclamou uma nova operação militar para retomar áreas controladas pelos hutis. Enquanto forças pró‑governo alegam ter reconquistado posições próximas a Bab al‑Mandab, os rebeldes negam qualquer perda territorial, mantendo a situação em um impasse perigoso.
O futuro próximo dependerá da capacidade da Arábia Saudita de combinar pressão militar com esforços diplomáticos para conter a influência iraniana na região. Enquanto isso, a população civil, tanto no Iêmen quanto na Arábia Saudita, continua a pagar o preço mais alto dessa disputa geopolítica.








