Na manhã desta segunda‑feira (12), a Arábia Saudita confirmou que suas forças militares reagiram a uma série de ataques com drones e mísseis de cruzeiro lançados pelos rebeldes houthis do Iêmen. Os ataques, que atingiram o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, deixaram ao menos 14 mortos e mais de 300 feridos nos últimos dias, intensificando a escalada do conflito na região.
Reação saudita aos ataques
De acordo com a imprensa estatal saudita, as unidades de defesa aérea do país interceptaram parte dos projéteis, mas não foram divulgados detalhes sobre os alvos específicos atingidos pela retaliação. O comunicado oficial destacou que a operação foi conduzida de forma “precisa” e que as forças sauditas continuam monitorando a situação para evitar novas incursões.
Especialistas em defesa apontam que os houthis utilizam uma combinação de drones de reconhecimento e mísseis balísticos capazes de superar sistemas como o Patriot. Segundo duas fontes anônimas citadas pela Associated Press, os drones foram empregados para abrir caminho e neutralizar os interceptadores antes da chegada dos mísseis de cruzeiro.
O governo saudita também abriu uma investigação para entender por que os sistemas de defesa aérea não conseguiram impedir que os projéteis alcançassem o aeroporto, considerado uma das áreas mais protegidas do país. Entre os pontos a serem analisados estão:
- A eficácia dos radares de alerta precoce.
- A capacidade de resposta dos interceptadores Patriot.
- Possíveis falhas de comunicação entre as bases de comando.
Até o momento, as autoridades não anunciaram nenhum número de vítimas entre os militares que teriam participado da contra‑operação, mas ressaltaram que a missão foi concluída sem maiores incidentes colaterais.
Impactos na capital iemenita
Enquanto Riad se mobilizava para responder, a capital iemenita, Sanaa, sofreu novos bombardeios que deixaram uma pessoa morta e mais de uma dezena de feridos, segundo o Ministério da Saúde controlado pelos houthis. O porta‑voz do ministério, Anees al‑Asbahi, descreveu um ataque que atingiu uma fábrica de sal no distrito de Hamadan, matando um trabalhador e ferindo oito pessoas.
Outro bombardeio atingiu uma residência, deixando uma mulher e três crianças feridas. Os houthis atribuíram esses ataques à Arábia Saudita, acusando‑a de violar acordos de cessar‑fogo, embora a defesa saudita ainda não tenha comentado oficialmente as alegações.
Os incidentes aumentam a pressão sobre a população civil, que já vive sob constante risco de deslocamento forçado e escassez de recursos básicos. Organizações humanitárias alertam que a continuidade dos bombardeios pode agravar a crise de refugiados, que já ultrapassa centenas de milhares de pessoas em todo o Iêmen.
Tentativas de mediação e perspectivas
Em meio ao aumento da violência, o Irã declarou nesta segunda‑feira estar disposto a mediar negociações entre a Arábia Saudita e os houthis. O porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã está profundamente preocupado com a situação e que já ofereceu ajuda diplomática em diversas ocasiões.
Baghaei ressaltou que a continuação da guerra favorece apenas os interesses de Israel e que o Irã se opõe ao prolongamento do conflito entre dois países islâmicos. Ele também mencionou que o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, conversou por telefone com seu homólogo saudita no domingo (11) para discutir a escalada da violência.
Analistas de política internacional acreditam que, embora o Irã tenha influência sobre os houthis, a mediação efetiva exigirá garantias de segurança para ambos os lados, bem como a participação de atores neutros, como a ONU ou a Liga Árabe.
Enquanto isso, o Aeroporto Internacional Rei Khalid permanece fechado, sem previsão de retomada das operações. As autoridades sauditas continuam avaliando os danos estruturais e a necessidade de reforçar ainda mais os sistemas de defesa aérea ao redor de instalações críticas.
Em resumo, a região vive um momento de alta tensão, com respostas militares imediatas, consequências humanitárias graves e esforços diplomáticos ainda incipientes. O desenrolar dos próximos dias será decisivo para determinar se a escalada continuará ou se haverá espaço para um cessar‑fogo negociado.








