Na manhã deste domingo, dois aeroportos da Arábia Saudita foram alvo de explosões que deixaram ao menos 12 mortos e mais de 300 feridos, confirmando a escalada de violência entre as forças sauditas e o grupo extremista houthis, apoiado pelo Irã.
Ataques coordenados aos aeroportos de Riade e Dammam
Os projéteis atingiram o Terminal 4 do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e também as instalações aeroportuárias de Dammam, segundo informações das autoridades locais. Os houthis reivindicaram imediatamente a autoria dos dois ataques, afirmando que se tratava de retaliação contra a coalizão liderada por Riad.
O ataque em Riade foi o segundo da semana; no sábado, outro projétil explodiu no mesmo aeroporto, matando 13 pessoas e ferindo centenas. As autoridades sauditas ainda não divulgaram detalhes completos sobre danos estruturais, mas confirmaram que o terminal ficou temporariamente fechado para avaliação de segurança.
Em Dammam, o impacto ocorreu nas áreas de embarque e nas pistas de taxiamento, interrompendo todas as operações de voo por várias horas. A agência de aviação civil saudita informou que não há registro de vítimas fatais no segundo aeroporto, mas que dezenas de passageiros e funcionários ficaram feridos.
Repercussões imediatas e respostas das autoridades
Logo após os atentados, o Ministério da Educação decretou que todas as escolas de Riade adotariam o ensino remoto por, pelo menos, uma semana, como medida preventiva. Simultaneamente, o Ministério da Energia reiterou que a conferência internacional de energia da WPC, prevista para acontecer em Riade, seguiria conforme o cronograma, apesar da situação de segurança.
As embaixadas dos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Alemanha emitiram alertas aos seus cidadãos, recomendando a evitação dos aeroportos e de deslocamentos não essenciais na capital saudita. A representação espanhola chegou a sugerir a suspensão de viagens de negócios ao país, enquanto a Alemanha orientou seus viajantes a permanecerem em áreas seguras até novo comunicado.
Companhias aéreas reagiram rapidamente. A Kuwait Airways cancelou todos os voos com destino a Riade, e a Etihad Airways e a Qatar Airways anunciaram suspensões de rotas, algumas delas previstas para durar até segunda‑feira, 12 de outubro.
- Kuwait Airways – cancelamento total de voos para Riade
- Etihad Airways – suspensão parcial até 12/10
- Qatar Airways – suspensão parcial até 12/10
As autoridades de segurança sauditas ainda não divulgaram um alerta prévio, o que levantou questionamentos sobre a eficácia dos sistemas de monitoramento de ameaças. O governo saudita afirmou que está revisando os protocolos de defesa aérea e reforçando a vigilância nos principais pontos de infraestrutura crítica.
Impactos no setor de aviação e eventos internacionais
O fechamento temporário do Aeroporto Rei Khalid interrompe a rotina de milhares de passageiros que utilizam o hub como ponto de conexão entre a Europa, Ásia e o Oriente Médio. Operadores de turismo relataram um aumento significativo nas solicitações de reembolso e remarcação de passagens.
Além disso, a conferência da WPC, que reúne mais de 70 ministros e 300 executivos de empresas de energia, permanece em andamento em um centro de convenções a cerca de 10 km do aeroporto. Organizadores garantem que medidas de segurança extra foram implantadas, incluindo escolta militar e inspeções rigorosas nos acessos ao recinto.
O setor de logística também sente o efeito colateral. A Aramco, gigante petrolífera estatal, reportou que instalações próximas ao aeroporto de Dammam foram alvo de ataques simultâneos, embora não tenha divulgado números de danos materiais.
Contexto geopolítico e perspectivas de escalada
Os ataques ocorrem em meio a uma guerra civil prolongada no Iêmen, onde os houthis, apoiados pelo Irã, enfrentam a coalizão liderada pela Arábia Saudita. Recentes bombardeios sauditas em território iemenita alimentaram a retaliação dos rebeldes, que intensificaram sua campanha contra alvos estratégicos sauditas.
Na mesma manhã de domingo, a Al Masirah TV, emissora controlada pelos houthis, acusou a Arábia Saudita de realizar um ataque ao aeroporto internacional de Sanaa, capital iemenita, ampliando ainda mais o espectro de confrontos aéreos na região.
Especialistas em segurança apontam que a capacidade dos houthis de lançar mísseis de médio alcance contra alvos profundos, como aeroportos civis, indica um aumento significativo em seu arsenal. Essa evolução tecnológica eleva o risco de novos incidentes em áreas urbanas e infraestruturas críticas.
Para o futuro próximo, analistas preveem que a pressão internacional sobre o Irã para conter o apoio logístico aos houthis pode se intensificar, ao passo que a Arábia Saudita busca reforçar alianças com países ocidentais e ampliar sua presença militar no Golfo.
Enquanto isso, a população civil saudita permanece apreensiva. Testemunhas relataram cenas de pânico nas áreas próximas ao aeroporto de Riade, com moradores se aglomerando em estações de metrô e pontos de ônibus na esperança de encontrar informações oficiais.








