Em Tupã, interior de São Paulo, três irmãs deixaram os dispositivos eletrônicos de lado e passaram a viver a rotina do campo. A mudança começou em 2024 e já se consolidou como um exemplo de desconexão digital saudável. O cotidiano delas agora gira em torno da horta, dos cavalos e de pequenos negócios ligados ao agro.
Rotina no campo e aprendizado diário
A família Castro Alvares tem raízes agrícolas que se estendem por gerações, e o contato com a terra faz parte do DNA das crianças. Maria Augusta, a mais velha, tem 11 anos e estuda em período integral, mas ao chegar em casa dedica seu tempo livre ao cultivo de legumes e ao passeio a cavalo. Ela descreve a sensação de estar ao ar livre como “uma pausa que recarrega a mente”.
Maria Helena, de 10 anos, segue a mesma trilha, mas encontrou na horta uma oportunidade de gerar renda própria. A menina começou plantando sementes trazidas pelos pais e, com o tempo, aprendeu a usar mudas para acelerar o crescimento das plantas. Hoje, ela cuida da limpeza, da irrigação e da colheita, sempre acompanhada pela irmã mais nova.
A caçula, Maria Leonora, tem apenas 3 anos, mas já demonstra entusiasmo ao ajudar nas tarefas simples, como regar as mudas e montar a sela do cavalo. Mesmo tão pequena, ela acompanha as irmãs nos passeios e aprende a respeitar o ritmo da natureza.
- Cuidados diários com a horta: preparo do solo, plantio, irrigação e colheita.
- Atividades com os animais: alimentação, escovação e cavalgadas.
- Aprendizado prático: biologia, economia doméstica e responsabilidade.
Empreendedorismo rural das irmãs
Além de transformar o campo em sala de aula, Maria Augusta usou o celular como ferramenta de negócios. Ela começou a confeccionar acessórios e pulseiras inspirados no universo rural e vendeu os primeiros itens na escola. O sucesso foi tão rápido que os produtos passaram a ser ofertados em três lojas da região.
Os ganhos são divididos em três partes: parte vai para o dízimo da família, outra cobre o plano de celular e o restante é guardado para comprar uma sela nova. Essa estratégia ensinou às meninas a importância da gestão financeira desde cedo.
Maria Helena, por sua vez, comercializa os vegetais que cultiva, como alfaces, rúcula e tomates-cereja. Ela aprendeu a precificar os produtos, a montar embalagens atrativas e a conversar com os clientes, desenvolvendo habilidades de negociação que poucos adolescentes têm oportunidade de praticar.
O apoio dos pais foi fundamental para transformar essas iniciativas em pequenos empreendimentos sustentáveis. Eles providenciaram materiais, ajudaram na divulgação e garantiram que as meninas tivessem tempo suficiente para estudar.
Impacto nas crianças e futuro do agro
Para as três irmãs, a tranquilidade do campo e o contato direto com a terra são fontes de bem‑estar mental e físico. Elas afirmam que a ausência de telas reduz o estresse e aumenta a criatividade, permitindo que imaginem novos produtos e soluções para o cotidiano rural.
As meninas acreditam que outras crianças deveriam experimentar a vida no campo, especialmente aquelas que passam a maior parte do dia em frente a smartphones e tablets. Elas defendem que o agro pode ser um espaço de lazer, aprendizado e geração de renda, desmistificando a ideia de que a agricultura é apenas trabalho pesado.
Especialistas em educação apontam que atividades ao ar livre favorecem o desenvolvimento cognitivo, a empatia e a responsabilidade ambiental. O caso das irmãs de Tupã serve como modelo para escolas que buscam integrar o ensino tradicional com projetos de agroecologia e empreendedorismo.
Com a crescente digitalização da sociedade, iniciativas como essa mostram que a tecnologia pode ser aliada, e não inimiga, do campo. Quando usada de forma consciente, o celular permite que jovens rurais acessem mercados, aprendam técnicas modernas e compartilhem suas histórias, como demonstrado pelas vendas online das pulseiras de Maria Augusta.
O futuro do agro depende, em parte, da capacidade de envolver as novas gerações em práticas sustentáveis e inovadoras. As experiências de Maria Augusta, Maria Helena e Maria Leonora indicam que, ao substituir algumas horas de tela por trabalho na terra, é possível cultivar não só alimentos, mas também valores, competências e sonhos.







