O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) confirmou nesta manhã de sábado, 10, a vitória de Douglas Ruas (PL) à frente da disputa pelo governo do estado, após a retotalização dos votos válidos. A decisão veio depois da anulação dos 274 mil votos que pertenciam ao ex-governador Anthony Garotinho, o que elevou a porcentagem de Ruas para 50,88%, suficiente para vencer no primeiro turno.
Contexto da decisão judicial
Na quinta‑feira, 8, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por maioria de 5 a 2, anular os votos de Garotinho, que havia sido condenado em definitivo por improbidade administrativa em julho de 2025. O recurso que mantinha sua candidatura ainda tramitava na Justiça Eleitoral, mas a Lei da Ficha Limpa impediu a sua permanência na cédula para a próxima eleição.
A anulação foi baseada no entendimento de que candidatos condenados por improbidade não podem concorrer até que se esgotem os prazos de inelegibilidade estabelecidos pela lei. Assim, o TSE concluiu que Garotinho só poderia voltar a disputar uma eleição para governador em 2033.
O TRE‑RJ recebeu a ordem do TSE e, no Palácio da Democracia, conduziu a retotalização sob a presidência do desembargador Claudio de Mello Tavares. O processo contou com a presença dos sete membros da Corte, representantes do Ministério Público, da OAB e de diversos partidos políticos.
Importante esclarecer que a retotalização não é uma nova contagem dos votos já registrados; ela consiste apenas em recalcular as porcentagens a partir do número reduzido de votos válidos, já que os votos de Garotinho foram excluídos do total.
Como a retotalização alterou os números
No primeiro turno, antes da anulação, Douglas Ruas havia recebido 4.271.199 votos, o que representava 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes ficou com 3.706.984 votos (42,76%) e Garotinho com 274.411 votos (3,17%). Os demais candidatos somaram 416.444 votos, correspondendo a 4,80%.
- Votos válidos antes da anulação: 8.669.038
- Votos válidos após a anulação: 8.394.627
- Votos de Ruas: 4.271.199 (50,88% pós‑retotalização)
- Votos de Paes: 3.706.984 (44,16% pós‑retotalização)
- Votos dos demais candidatos: 416.444 (4,96% pós‑retotalização)
A exclusão dos 274 mil votos de Garotinho reduziu o universo de votos válidos em cerca de 274 mil, o que fez a porcentagem de cada candidato subir proporcionalmente. Assim, Ruas ultrapassou a marca dos 50% necessária para evitar um segundo turno.
Essa mudança também elevou a porcentagem de Paes, que passou de 42,76% para 44,16%, mas ainda distante da maioria absoluta. Os candidatos menores mantiveram seus números absolutos, mas viram seus percentuais aumentarem levemente.
Reações dos principais candidatos
Eduardo Paes, principal opositor, emitiu um comunicado oficial na mesma quinta‑feira, 8, afirmando que reconhece a derrota e que “respeita a decisão judicial”. Ele ressaltou que a justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade dos eleitores, mas que esse é o funcionamento da democracia.
Douglas Ruas, ao ser informado da confirmação, agradeceu ao eleitorado e destacou que a vitória reflete a confiança da população no seu projeto de governo. Em declarações à imprensa, Ruas enfatizou a necessidade de “unir o Rio de Janeiro” e de “cumprir as promessas feitas durante a campanha”.
Anthony Garotinho, que teve seus votos anulados, ainda não se pronunciou oficialmente, mas seu partido já sinalizou que avaliará a possibilidade de recursos judiciais contra a decisão do TSE.
Representantes do Ministério Público e da OAB, presentes na sessão, elogiaram a transparência do procedimento e afirmaram que a lei foi aplicada de forma correta, reforçando a importância da Lei da Ficha Limpa para a limpeza do cenário político.
Próximos passos e implicações políticas
Com a decisão do TRE‑RJ, o resultado ficará disponível para consulta pública por três dias. Após esse período, haverá um novo prazo de dois dias para que quaisquer impugnações sejam apresentadas ao plenário do tribunal.
Se houver pedidos de impugnação, eles deverão ser enviados formalmente ao TRE‑RJ, que analisará cada caso antes de emitir um parecer definitivo. Até o momento, não há indícios de novos recursos que possam mudar o resultado.
A vitória de Ruas no primeiro turno tem implicações importantes para a agenda política do estado. Ele assume o desafio de governar um Rio de Janeiro que enfrenta crises fiscais, segurança pública e demandas por infraestrutura.
Especialistas apontam que a ausência de um segundo turno pode acelerar a implementação das políticas propostas, mas também gera pressão para que Ruas consiga apoio dos parlamentares que não o elegeram no primeiro turno.
Para o próximo ciclo eleitoral, previsto para 2028, a decisão reforça o papel da Lei da Ficha Limpa como mecanismo de controle da elegibilidade. Partidos e candidatos deverão redobrar a atenção aos requisitos legais para evitar surpresas semelhantes.
Analistas de partidos políticos sugerem que a derrota de Paes pode levar a uma reconfiguração das alianças no centro‑direita do estado, enquanto o PL, partido de Ruas, deve ganhar maior peso nas negociações legislativas.
Em síntese, a confirmação da vitória de Douglas Ruas marca um ponto de inflexão na política fluminense, ao mesmo tempo em que demonstra a eficácia dos mecanismos de controle de elegibilidade e a importância da transparência nos processos eleitorais.








