Em entrevista concedida à revista VEJA, publicada em 9 de outubro de 2026, a ex‑primeira‑ministra finlandesa Sanna Marin compartilhou sua visão otimista sobre o futuro e destacou a importância dos jovens na construção de uma sociedade mais justa.
Visão otimista em tempos de crise
Marin afirma que, apesar de conflitos armados e regimes autoritários crescerem ao redor do globo, ainda há sinais claros de que a sociedade civil consegue se organizar e agir coletivamente. Ela acredita que o otimismo não é mera ilusão, mas um combustível necessário para enfrentar desafios globais.
Segundo a ex‑líder, o mundo está mais sombrio, mas a capacidade de mobilização das novas gerações oferece uma luz de esperança. Os jovens, segundo ela, exigem mudanças concretas e não se contentam com promessas vazias.
Para ilustrar esse ponto, Marin cita três áreas onde a energia juvenil tem sido decisiva:
- Movimentos climáticos que pressionam governos a adotar metas de carbono zero.
- Iniciativas de justiça social que promovem igualdade de gênero e direitos LGBTQ+.
- Projetos de tecnologia aberta que democratizam o acesso à inteligência artificial.
Desafios da liderança feminina na política
Durante seu mandato, Marin enfrentou um escândalo internacional após a divulgação de vídeos informais com amigos. A repercussão gerou especulações sobre seu comportamento, mas ela rebateu que, se fosse homem, a mesma situação não teria causado tanto alvoroço midiático.
Ela também realizou um exame toxicológico para afastar rumores infundados sobre consumo de drogas, demonstrando transparência e firmeza diante da pressão pública.
Marin enfatiza que a expectativa de que líderes se encaixem em moldes tradicionais pode afastar os jovens da participação política. A democracia precisa de diversidade de estilos e personalidades para permanecer vibrante.
Equilíbrio entre maternidade e alta responsabilidade
Ao assumir o cargo, Marin era mãe de uma filha de apenas um ano. Ela descreve o período como “um dos maiores testes de conciliação entre vida profissional e pessoal”.
Ela e seu então marido dividiram igualmente a licença parental, um modelo que ela considera essencial para que tanto mulheres quanto homens possam desenvolver suas carreiras sem penalidades.
Marin destaca que a legislação finlandesa, que permite licença parental compartilhada, influencia positivamente a cultura corporativa, reduzindo preconceitos e promovendo um ambiente mais inclusivo.
Os benefícios desse modelo são evidentes em três pontos principais:
- Maior retenção de talentos femininos no mercado de trabalho.
- Redução do estigma associado à paternidade ativa.
- Melhoria da qualidade de vida familiar, refletindo em maior produtividade.
Estratégias para a segurança e autonomia da Europa
Marin relata o processo delicado que conduziu a Finlândia à adesão à OTAN durante a invasão russa da Ucrânia. Inicialmente, a maioria dos finlandeses se mostrava contrária ao alinhamento militar.
No entanto, a guerra evidenciou a necessidade de segurança coletiva, levando a população a apoiar a decisão de integrar o bloco atlântico.
Ela alerta que muitos países europeus ainda dependem de regimes autoritários em setores críticos como energia, tecnologia e defesa. Para mudar esse cenário, propõe três linhas de ação estratégicas:
- Investimento massivo em pesquisa de inteligência artificial, computação quântica e robótica.
- Desenvolvimento de cadeias de suprimentos autônomas para componentes estratégicos.
- Fortalecimento de alianças regionais que compartilhem recursos e conhecimento.
Marin conclui que, sem essas iniciativas, a Europa permanecerá vulnerável às decisões de potências como Estados Unidos e China.
Embora não tenha planos imediatos de retornar à política, ela mantém a porta aberta para futuras oportunidades de serviço público, reforçando que “nunca se sabe quando a experiência pode ser necessária novamente”.








